“Se eu não morrer, é milagre”
Mais uma vez ficou comprovada aquela máxima de que o papel
aceita tudo. Em meados de julho, a revista Contigo! famosa por
suas fofocas televisivas, publicou uma entrevista estrondosa na
qual Sílvio Santos, anunciava: “estou doente e tenho
mais seis anos de vida. Se eu não morrer é milagre” e “vendi
o SBT para a Televisa e o Boni”. Como era de se esperar,
as informações causaram alvoroço no público
e na mídia. A veracidade das informações foi
logo questionada e, em bem pouco tempo, desfeita a farsa: tratou-se
de uma brincadeira do apresentador “achei que ia dar uma
gozação nela (na repórter que fez a matéria)”,
declarou. Nela e principalmente nos leitores, reféns de
uma imprensa que converte qualquer declaração em
notícia e não só isso: publica, destaca, exibe,
discute. O jornalista Alberto Dines publicou um artigo no Observatório
da Imprensa no qual esbraveja: “somos o Reino das Aspas,
a terra das citações. Antigamente valia o escrito,
hoje vale o dito. Não importa o que. No Brasil publica-se
qualquer idiotice desde que precedida e completada pelas aspas”.
E não só isso: a pegadinha do dono do SBT foi explorada à exaustão.
Na gana por conseguir mais e mais leitura, mais e mais audiência
os meios de comunicação, para fugir da crise, beiraram
as raias do anti-ético. Na TV Bandeirantes, o programa Claquete,
com Otávio Mesquita, por exemplo, aproveitou o mote da revista
e forjou uma entrevista com Sílvio Santos, fazendo mais
uma vez o público de bobo. Com a tacada de auto-promoção,
Seu Sílvio foi manchete de cadernos de economia (Gazeta
Mercantil, O Globo), capa do Jornal do Brasil, destaque no caderno
do cultura da Folha de São Paulo, revistas Caras e Istoé,
e por aí à fora.
Empossada nova
direção da CUT
Tomou posse no dia 11 de julho a nova direção executiva
da CUT estadual. O presidente da entidade, Quintino Severo, reeleito
para mais três anos de mandato, terá como vice-presidente
Rejane Silva de Oliveira e secretário geral o diretor do
Sinpro/RS Cássio Filipe Galvão Bessa.
Severo, usando um boné do MST, destacou durante a cerimônia
o protagonismo da classe trabalhadora nos últimos 20 anos,
na luta contra a ditadura, na campanha pelas Diretas, na Constituinte
de 1988, no Fora Collor junto com os estudantes, e na vitória
de Lula. “O papel dos trabalhadores da CUT é enfrentar
a burguesia. Nós vimos qual foi a reação da
burguesia quando Lula usou o boné do MST”, afirmou.
O presidente a CUT reforçou ainda a necessidade de unidade
da classe trabalhadora do campo e da cidade. “A CUT e a Federação
dos Metalúrgicos saberão jogar seu papel para as
mudanças históricas”, finalizou Quintino.