As cores nada banais de Nelson Diniz
César Fraga
Nelson Diniz, ator de teatro cinema e televisão,
portoalegrense da safra de 1963, ganhou o Prêmio Açorianos
de melhor ator em 2000 e Prêmio APTC de melhor profissional
do Cinema Gaúcho, em 1999. Atuou em mais de vinte espetáculos
teatrais e em filmes como Tolerância, Netto Perde sua Alma,
Vaga-lume entre outros. Diniz lança agora seu primeiro livro
individual Cores Banais (WS Editor, 109 páginas – dinizpohl@uol.com.br),
que reúne duas formas literárias, novela e peça
teatral, em uma só obra. Leia abaixo a entrevista com o
autor.
Extra Classe – Qual a tua motivação para a
elaboração de Cores Banais e qual o objetivo da obra?
Nelson Diniz – Minha motivação para escrever
o livro, está em torno da curiosidade que sempre tive em
relação a literatura, enquanto forma e criação.
Como se dá, nesse sentindo, a idéia do que se quer
dizer, passada para outro? Como chegamos nos leitores daquilo que
escrevemos e o quanto do que está escrito é suficiente
para uma leitura fiel, para um entendimento? Em outras palavras,
nunca sabemos, na literatura, se o que estamos falando, estamos
falando da mesma forma que o leitor está falando. O objetivo
da obra, é poder trabalhar não só estas questões
acima, como também no sentido prático: vende-la,
divulgá-la, botar em discussão, insistir para que
as pessoas não percam o hábito da leitura e o prazer
que ela pode nos dar!
EC – Qual a contribuição do teu livro e do
trabalho em torno dele para a questão da fragmentação
da informação do conhecimento, uma característica
da nossa cultura atualmente?
Diniz – Essa questão da fragmentação é um
pouco perigosa! Não pretendo com o meu livro ir contra a
rapidez e todo o dilema de vivermos “em pedaços rápidos”,
que é como eu defino nossa vida atualmente (do mundo), porém,
não vou também a favor! Pretendo sim, se possível,
fazer algumas pessoas pararem um pouquinho e conversarmos, discutirmos,
debatermos, tudo isso recheado de café, cigarros e intervalos.
Calma, um minuto de calma e de absorção! Só precisamos
de idéias e tranqüilidade. Sairemos mais ricos, eu
garanto!
EC – Como é publicar uma peça de teatro e uma
novela em um mesmo livro? Porque a utilização desses
formatos? Que tipo de leitor você busca com esta obra?
Diniz – O livro é dividido em duas partes distintas:
A novela Cores Banais e a peça de teatro O caminho das coisas.
Portanto, são duas coisas em uma! A novela lê-se como
novela e o teatro lê-se como teatro. Gosto da idéia
que a publicação de uma peça de teatro venha
junto com outro gênero, só assim podemos continuar
publicando teatro, coisa que já não se faz no Brasil,
pois não vende só o teatro, então ninguém
mais publica. A poesia consegue ainda um pouco, mas corre também
esse risco, desaparecer das prateleiras. Busco todo o tipo de leitor,
desde o mais politizado até o cara ali do bodega da frente
que serve almoço e pode também se interessar em ler
um livro.