Ano 8 - nº 74
Agosto 2003



Luis Fernando Verissimo:
O diplomata inglês Robert Cooper, que já foi conselheiro de Tony Blair e é considerado o guru da política externa do primeiro-ministro britânico, escreveu num famoso artigo publicado no Guardian que...



Nei Lisboa:
Estou há dois anos sem televisão em casa. Não, isso não é uma declaração de pobreza ou o início de uma diatribe contra os serviços de assistência técnica. Foi uma opção, que começou quase como uma brincadeira, na época da mudança...



Elisa Lucinda:

Era um programa bonito sobre esse Dorival. Eu almoçava vendo televisão.
Fascinada. Aqueles versos, aquelas redes, aqueles cardumes de liras, aquela música amorosa limpa apimentada e mágica, brotando...





Reforma agrária em debate

André Onuczak - MST
“Não acreditamos em salvador da pátria”

André Onuczak faz parte da coordenação nacional do MST. Segundo ele, o proprietário da Fazenda Sotal, de São Gabriel, deve R$ 32 milhões ao Banco do Brasil. Lá, caberiam 520 famílias assentadas. Nesta entrevista, Onuczak explica a posição do MST:

Extra Classe – O MST é socialista?
André Onuczak
– Não estamos preocupados com a palavra. É possível avançar a reforma agrária no capitalismo, mas a verdadeira mudança não será feita com este modelo econômico. A luta é por uma sociedade em que todos possam trabalhar com dignidade e colocar suas idéias. Dividir não só a terra ou o alimento, mas também o conhecimento. Se isso é fechar com o socialismo, então, é por ele que nós lutamos.

EC – Qual é a expectativa frente ao governo Lula?
Onuczack
– No início, não estávamos nos entendendo muito bem. Não parecia haver intenção explícita de realizar uma reforma para acabar com o latifúndio. Na audiência com o presidente, em julho, Lula disse que não podia prometer assentar 1 milhão de famílias em quatro anos, como propusemos. Mas pediu ao ministro Miguel Rosseto que elaborasse um plano o mais rápido possível.

EC – Entre MST e ruralistas, Lula está de que lado?
Onuczack
– Poucos dias após a audiência, num churrasco na Granja do Torto, Lula participou de um jogo de futebol com os ministros, só que desta vez como juiz. Quem conhece o presidente sabe que ele mandou um recado. É o juiz tentando conciliar conflitos. Neste momento, é preciso ter sabedoria para trazer Lula para o nosso lado. Podemos perdê-lo de vez. O povo organizado precisa dizer a ele o que deseja. Não acreditamos em salvador da pátria. Só o povo se salva.


Fernando Adalto Loureiro de Souza - Farsul
“Uma vela para Deus e outra para o diabo”

Fernando Adalto Loureiro de Souza é vice-presidente da Farsul (Federação da Agricultura do RS). Dirigiu antes o Sindicato Rural de Lavras do Sul, na região sul do Estado. Ele assegura que os ruralistas de São Gabriel contam com apoio da população para impedir a desapropriação da Fazenda Sotal.

Extra Classe – O sr. é a favor da reforma agrária?
Fernando Adalto L. de Souza
– Sem dúvida, sim. Nossos sindicatos participam da seleção no Conselho do Banco da Terra (formado pela Farsul, Famurs, Fetag, Fecoagro, Universidade Federal de Pelotas e Universidade Federal de Santa Maria), colocando, inclusive, cursos oferecidos pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) à disposição dos candidatos. Outra coisa é o projeto de reforma agrária do Incra e do MST.

EC – Como assim?
Adalto
– Não podemos confiar no Incra. Sou partidário da idéia do saudoso ecologista José Lutzemberg, para quem o órgão não tinha remédio, exceto ser extinto. Causa perturbação à produção agrícola e agressão ao meio ambiente. A alta densidade populacional ameaça o pampa, um ecossistema tão importante quanto o Pantanal e a Amazônia, dos quais se fala tanto. O pampa pode virar de pata para cima e ninguém diz nada.

EC – Quanto ao MST?
Adalto
– É um movimento que usa o acesso à terra como desculpa para a ação política. Recruta nas periferias das cidades gente excluída sem a menor aptidão para o campo. Não vou dizer que todo esse pessoal que é massa de manobra seja ladrão de gado. Mas é fato que na vizinhança da Fazenda Ana Paula, em Bagé, foram roubadas 500 cabeças, com prejuízo de R$ 500 mil. As terras dos vizinhos dos sem-terra são vendidas a preço de banana. Ninguém os quer por perto.

EC – O que o sr. está achando do governo Lula?
Adalto
– É igual ao FHC: acende uma vela a Deus e outra ao diabo.

Fatos marcantes na história do MST
1980 – Assentamento de Encruzilhada Natalino mobiliza agricultores sem-terra.
1985 – É criado o MST.
1990 – Protesto na Praça da Matriz, em Porto Alegre, resulta na morte de um soldado
da BM degolado.
1994 – Movimento expande-se para Pontal do Paranapanema (oeste de SP), onde surge o líder José Rainha.
1995 – Massacre de sem-terras em Corumbiara (Rondônia).
1996 – Massacre de agricultores em Eldorado dos Carajá (Pará) ganha as manchetes em todo
o mundo.
1997 – Marcha de 100 mil sem-terra a Brasília força FHC a receber comitiva do MST.
2003 – Com Lula presidente, MST pede assentamento
de um milhão de famílias em quatro anos.


 

Página 2



Mais Movimento:
A reforma que o Brasil não viu
Capitanias: a origem do latifúndio
Para cada família assentada, outras duas perdem a terra
O campo ficou à margem do desenvolvimento capitalista
Diferenças regionais desconsideradas




José Luis Fiori

Brasil: inserção mundial e desenvolvimento
epois da Independência, o Brasil e os demais países latino-americanos se transformaram, no século XIX, nos primeiros estados nacionais nascidos fora da Europa. Uma exceção notável, no momento em que alguns países europeus começavam sua...





As cores nada banais de Nelson Diniz
Nelson Diniz, ator de teatro cinema e televisão, portoalegrense da safra de 1963, ganhou o Prêmio Açorianos de melhor ator em 2000 e Prêmio APTC de melhor profissional do Cinema Gaúcho, em 1999. Atuou em mais de vinte espetáculos teatrais e em filmes como...

Livros:
outros lançamentos







Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 4009.2900 - Fax (51) 4009.2917 - http://www.sinprors.org.br