Ano 8 - nº 74
Agosto 2003



Luis Fernando Verissimo:
O diplomata inglês Robert Cooper, que já foi conselheiro de Tony Blair e é considerado o guru da política externa do primeiro-ministro britânico, escreveu num famoso artigo publicado no Guardian que...



Nei Lisboa:
Estou há dois anos sem televisão em casa. Não, isso não é uma declaração de pobreza ou o início de uma diatribe contra os serviços de assistência técnica. Foi uma opção, que começou quase como uma brincadeira, na época da mudança...



Elisa Lucinda:

Era um programa bonito sobre esse Dorival. Eu almoçava vendo televisão.
Fascinada. Aqueles versos, aquelas redes, aqueles cardumes de liras, aquela música amorosa limpa apimentada e mágica, brotando...





O alien e o MSTV

Estou há dois anos sem televisão em casa. Não, isso não é uma declaração de pobreza ou o início de uma diatribe contra os serviços de assistência técnica. Foi uma opção, que começou quase como uma brincadeira, na época da mudança para a casa onde moro hoje. Já não tinha o hábito de locar vídeos, o aparelho ficava meio às moscas. Andava, sim, viciado na NET, mas ansiando por um tratamento que me livrasse daquele zap-zap por quarenta canais de grandes porcarias, na maior parte do tempo. Quando a operadora anunciou que levaria quarenta e cinco dias para transferir o sinal, achei que era hora de economizar no tempo, no bolso e na saúde. E aí, pensei, TV aberta também não dá: eu é que não vou passar o domingo vendo o Sílvio Santos. Assim foi então, que simplesmente dei de presente a minha telinha e retornei à Era do rádio. Pensei que não iria aguentar muito, mas lá se vão esses dois anos. Bacana, né? Você também pode, acredite, junte-se a mim e vamos fundar um MSTV.

Bom, talvez a coisa não seja tão simples assim. Andei tendo umas recaídas, sabe. Aqui e ali numa festa em casa de amigos, em algum boteco em dia de jogo do Inter, passando em frente a alguma vitrine de loja, a gente sempre dá uma filada. Com televisão não tem jeito, a gente assiste mesmo sem querer. Depois começou a febre do DVD. E a pressão já vai se acumulando, dependendo da roda o sujeito fica caladinho, sem assunto, enquanto os outros não encerram o desfile e a baba sobre as maravilhas do showbusiness digital caseiro. Tela plana de duzentas polegadas, som sorround que dá duas voltas completas na sala, o último lançamento com a turnê dos Stones na Ilha de Java. É fogo. Se chegam a perguntar, e eu respondo que não, não tenho DVD, aliás, nem tenho TV, fica aquele silêncio. Uns olhares piedosos, outros perplexos. Como se um alien tivesse baixado na mesa. Que espécie de ser animal não tem televisão?

A minha, respondo, orgulhoso. Claro que também serve como um álibi, pior seria se, tendo apenas a TV, eu estivesse obrigado a comentar o Silvio Santos do último domingo. Mas isso não conto pra ninguém. Não tenho TV e ponto final. Coisa inimaginável, comoção geral, tem um ao celular que já se apressa a contar a novidade para o mundo, fulano não tem televisão. Aí acrescento – cofiando a barba pra gerar um pouquinho de suspense –, aliás, também não tenho celular. Pronto. Consegui gerar pânico, criar polêmica, incontinência urinária coletiva, tudo ao mesmo tempo. Todo o bar já me olha desconfiado. Como alguém pode viver sem celular nos dias de hoje? Eu posso. E muito bem, por sinal. Qual é mesmo a vantagem de levar trabalho e incomodação no bolso pra onde quer que se vá? Pra mim parece tão absurdo quanto andar com um aparelho de fax embaixo do braço.

Sei que o tempo joga contra mim, que não vou resistir um ano inteiro mais, sequer, antes de sucumbir a uma porrinhola falante dessas ou de uma recaída definitiva no cabo, DVD, ou o que for. Sob pena de ficar não apenas sem assunto mas também solitário, personagem caricato de quem se espera que cheire rapé e use polainas, de impossível comunicação por defasagem nas coordenadas espaço-tempo. Mas enquanto isso me divirto, vendo que a outros não lhes resta assunto que não seja esse, se lhes retirarem os atributos e parâmetros dos equipamentos que vestem, não têm mais nada a comentar. Vai um saindo de fininho com a sua injeção eletrônica e direção hidráulica, outro com o seu dolby, zoom e closed caption, até que o último pede licença – está muito frio, vai pra casa fazer uma pipoca no microondas. Ao que eu respondo, aliás, também não tenho...




José Luis Fiori

Brasil: inserção mundial e desenvolvimento
epois da Independência, o Brasil e os demais países latino-americanos se transformaram, no século XIX, nos primeiros estados nacionais nascidos fora da Europa. Uma exceção notável, no momento em que alguns países europeus começavam sua...





As cores nada banais de Nelson Diniz
Nelson Diniz, ator de teatro cinema e televisão, portoalegrense da safra de 1963, ganhou o Prêmio Açorianos de melhor ator em 2000 e Prêmio APTC de melhor profissional do Cinema Gaúcho, em 1999. Atuou em mais de vinte espetáculos teatrais e em filmes como...

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