Ano 8 - nº 74
Agosto 2003



Luis Fernando Verissimo:
O diplomata inglês Robert Cooper, que já foi conselheiro de Tony Blair e é considerado o guru da política externa do primeiro-ministro britânico, escreveu num famoso artigo publicado no Guardian que...



Nei Lisboa:
Estou há dois anos sem televisão em casa. Não, isso não é uma declaração de pobreza ou o início de uma diatribe contra os serviços de assistência técnica. Foi uma opção, que começou quase como uma brincadeira, na época da mudança...



Elisa Lucinda:

Era um programa bonito sobre esse Dorival. Eu almoçava vendo televisão.
Fascinada. Aqueles versos, aquelas redes, aqueles cardumes de liras, aquela música amorosa limpa apimentada e mágica, brotando...





Contradições na Unisinos

Ângelo Dal Cin*

A proposta de reestruturação e “enxugamento” em curso na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo, nos últimos meses, tem ocasionado insegurança, angústia e revolta em professores e funcionários. Alegando que o déficit orçamentário teria se “agravado” pelo acordo coletivo, assinado pelos sindicatos, iniciou com a demissão de 120 funcionários da área de manutenção, mais de 30 no setor administrativo e propõe uma redução de mais de 2 mil horas/aula distribuídas nos seis centros. Esta última decisão da reitoria, se aplicada na integridade em relação aos professores, significará a demissão de mais de 100 professores com carga horária semanal de 20 horas.

Embora a Unisinos desenvolva projetos de grande importância na comunidade de São Leopoldo e região, mostrando um grau significativo de responsabilidade social voltado para fora, internamente apresenta paradoxos aparentemente inexplicáveis.

O projeto Unicidade, que, em síntese, pretende contribuir no desenvolvimento regional, num raio de 100 km no entorno do campus central, por meio de parcerias com a iniciativa privada e setores públicos, vem desconsiderando a própria iniciativa privada da região e o alto grau de conhecimento existente na própria instituição.

A Universidade mantém um curso de especialização, em nível de pós-graduação, em cooperativismo, com renome regional, nacional e internacional. No entanto, extinguiu a cooperativa de estacionamento coordenada por professores e alunos e entregou o serviço a uma multinacional cujos cartões de acesso são impressos no exterior, quando os mesmos crachás, dos professores, funcionários e alunos, poderiam ser usados para o estacionamento. Desprezou empresas locais, inclusive uma de São Leopoldo, que confeccionou 5 mil crachás para acesso de funcionários da Santa Casa de Porto Alegre.

De forma semelhante foi a demissão de 120 funcionários da manutenção, terceirizando o serviço para outra multinacional, com promessa de readmissão da maioria dos mesmos. Segundo informação do SAAE-SL (Sindicato dos Auxiliares em Administração Escolar), foram readmitidos apenas 38.

Além do caso de cooperativismo, a Unisinos mantém e desenvolve um projeto de economia solidária. Por que não implementar estas iniciativas na própria instituição?

Querer justificar o agravamento do déficit orçamentário pela defasagem entre o reajuste das mensalidades deste ano, de 14,8% contra um acordo coletivo que determina a reposição parcelada de 17,66%, também é contraditório, pois as mensalidades foram reajustadas a partir de janeiro e o reajuste é repassado em 8% no mês de março, 12% em junho e 14% em dezembro do corrente ano. Somente em março de 2004 o reajuste dos funcionários e professores atingirá os 14,8% e aí já haverá um reajuste antecipado para janeiro de 2004. Além disso, nos últimos 5 anos, a Unisinos reajustou as mensalidades em 35% a mais do que repassou para os professores e funcionários. Se há justificativas para o déficit, portanto, devem ser, provavelmente, encontradas no gerenciamento.

Consciente da problemática, a Adunisinos (Associação dos Docentes da Unisinos), solicitou audiências com o provincial dos Jesuítas no Rio Grande do Sul, com a reitoria, com os diretores de centro e vem discutindo a reestruturação da empresa, bem como os critérios estabelecidos para o respectivo enxugamento.

Ampliar o leque de pessoas envolvidas na comunidade universitária, democratizando as decisões é o único caminho para a volta da paz interna e a melhoria da qualidade na própria instituição.

Responsabilidade social também é desenvolver um clima de participação e conseqüente comprometimento dos colaboradores em qualquer empreendimento.


* Diretor do Sinpro/RS

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José Luis Fiori

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