Israel e o terrorismo de Estado
Para o Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel, Israel é um
Estado terrorista. Ele considera as atitudes do governo israelense
aberrantes no que se refere aos ataques ao Líbano. Em artigo
escrito após os ataques, ele diz: “Sempre apoiei o
povo judeu; um povo que sofreu o Holocausto, a diáspora,
perseguições, torturas e morte, mas que teve dignidade,
resistiu à opressão e lutou por seus valores religiosos,
culturais e a unidade do povo”. E mais: “É doloroso
ter que assinalar os comportamentos aberrantes que o Estado de
Israel vem cometendo contra o povo palestino, atacando, destruindo,
oprimindo e massacrando a população; mulheres, crianças,
jovens são vítimas destas atrocidades em relação às
quais não podemos calar e devemos denunciar. Basta! Derrubou-se
o Muro de Berlim, mas se levantaram outros muros como o que Israel
levantou para dividir o povo palestino. Os ataques, a destruição
e morte em Gaza e no Líbano e as ameaças permanentes
a outros povos levaram o Estado de Israel a transformar-se em um
Estado terrorista, utilizando a tortura, os ataques à população
civil, onde as vítimas são mulheres e crianças.
Até quando continuará essa política de terror?”,
pergunta ainda Esquivel. “Sabemos que não é todo
o povo de Israel que está de acordo com a política
de destruição e morte levada adiante pelo governo
israelense, apoiado pelos Estados Unidos e pelo silêncio
dos governos europeus, cúmplices do horror desencadeado
no Oriente Médio. Existem aqueles, tanto dentro de Israel
quanto da Palestina, que desejam o diálogo, a resolução
do conflito e o respeito à existência dos povos. Lamentavelmente,
as Nações Unidas perderam presença, coragem
e capacidade de tomar decisões para construir uma solução
diante do enfrentamento entre os dois povos, situação
que põe em sério risco a paz mundial.” Vale
lembrar que esse texto foi escrito antes da morte dos quatro observadores
da ONU e a contabilidade de mortos ter chegado a aproximadamente
500 pessoas, grande parte mulheres e crianças civis.
(C.F.)

Velho jabá
Desconhecido pela maioria da sociedade, o fenômeno do jabá (diminutivo
de jabaculê, que significa dinheiro) é uma prática usual
no meio musical, fonográfico e radiofônico. É simples:
o artista que pretende ingressar num desses meios deve “investir em
verbas publicitárias”, ou seja, paga ou oferece vantagens para
ter sua música divulgada nas emissoras de rádio ou TV. Quem
não paga, não toca.
Prejudicial à música brasileira (pois massifica a produção
musical, impedindo que novos talentos sem recursos financeiros conquistem
seu espaço, e ao mesmo tempo impõe as músicas pagas
nas emissoras de rádio e TV), o jabá é ainda timidamente
discutido nos meios de comunicação. Desde 2003, tramita na
Câmara um projeto de lei, de autoria do deputado Fernando Ferro (PT-CE),
que criminaliza a prática do jabá. O texto prevê reclusão
de um a dois anos aos responsáveis por emissoras de rádio e
TV que aceitarem dinheiro ou qualquer outra vantagem de gravadoras, artistas,
empresários ou promotores de eventos em troca de veiculação
de música. Embora o projeto seja uma iniciativa para coibir a prática
do jabá, seus resultados concretos são duvidosos, devido à falta
de identificação da prática e sua fiscalização.
O Ministério da Cultura não tem posição definida
sobre o assunto, justamente pela dúvida de quem irá fiscalizar
a prática.
O importante é trazer o assunto à tona para conscientizar a
sociedade sobre essa prática que exclui talentos do mercado musical
brasileiro e tira o direito de livre escolha dos cidadãos de ouvirem
o que realmente gostam e não o que toca nas rádios.
(D.S.)
Violência na escola
Um ex-aluno de Filosofia do Instituto José Saramago de Arganda Del Rey
(Madrid, Espanha) foi condenado pela Justiça a pagar multa de 200 euros
por publicar em seu blog (diário virtual) mafius.com frases ofensivas
contra um professor da instituição. “Se te encontrar pela
rua, te atropelo com meu carro”, diz o ex-aluno, de 18 anos, em um trecho
das ameaças publicadas entre fevereiro e abril deste ano e que resultaram
na sua expulsão. Na sentença, a juíza que condenou o jovem
argumentou que ele “extrapolou o âmbito da liberdade de informação
e de expressão e atingiu a honra de terceiros”. Iván anunciou
em seu blog que irá recorrer da sentença.
(G.C.)
Artigos científicos
O número de artigos científicos de brasileiros cresceu
19%, mas, apesar do avanço, o Brasil ainda está em 17º lugar,
atrás de Índia e Rússia. Em 2004 e 2005 passou de 13.313
para 15.777. Todos os países cresceram com o Brasil; alguns menos, como
Rússia (5%); outros mais, como a China (29%) e a Índia (21%).
A conta foi apresentada discretamente pelo presidente da Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge
Guimarães, em Florianópolis (SC), durante a reunião anual
da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
(C.F.)