
A
constituição do sujeito aluno no espaço escolar
Alexandra da Silva Santos Dalpiaz*
ste
artigo surgiu de uma pesquisa realizada em uma escola¹ estadual
de Porto Alegre, onde procurei estudar e problematizar o aluno
que a escola estava e está constituindo, partindo da premissa
de que ser aluno, como bem coloca Maria Luisa Xavier (2004),
não é uma condição natural, requer
aprendizagens, é uma questão cultural. Daí emergiram
questões fundamentais para o desenvolvimento do trabalho:
como estava sendo constituído o sujeito aluno nesta instituição?
Quais práticas pedagógicas e disciplinares estavam
sendo utilizadas para viabilizar a constituição
desse aluno? Para prosseguir nesse estudo, coletei dados sobre “O
que era ser aluno” com alunos de 3ª e 4ª séries.
Registrei dados das observações do cotidiano escolar
(entrada e saída dos alunos, discursos dos professores...).
Fiz ainda uma releitura do Plano Político Pedagógico.
Alguns teóricos foram importantes para esse estudo, entre
eles, Françóis Dubet (1997), Cristiane Rocha (2004),
Michel Foucault com o conceito de disciplina, que num sentido
político é definido como: “Vigiar alguém,
como controlar sua conduta, seu comportamento, suas atitudes,
como intensificar seu rendimento, como multiplicar suas capacidades,
como colocá-lo no lugar onde será mais útil” (Foucault,
1990, apud Gallo, 2004, p. 91).
A partir da análise dos dados, constatei que esta escola estava (está)
contribuindo para a constituição de um sujeito aluno submisso,
calado, aculturado, que devia ser iluminado pelo saber escolar, controlado inclusive
no recreio. Lembro como se fosse hoje, que num dia chuvoso, frio, os alunos tiveram
que ficar no pátio alagado, esperando a professora organizar a fila para
subirem para as salas de aula, molhados e sem barulho algum. Além dessas
cenas, lembro dos funcionários, professores e membros do corpo diretivo
diariamente controlando, vigiando o comportamento dos alunos, cuidando seus gestos,
suas impostações de voz, e tudo isto acontecendo pelo uso desenfreado
de gritos, punições (ficar de castigo na mesa do saguão)
e proibições da circulação destes nos corredores
e no saguão próximo da sala dos professores e da direção.
Tratados como marginais, perigosos, evitava-se inclusive o contato físico.
A instituição parecia acreditar que os “[...] indivíduos
sentados, isolados, condicionados, vigiados, são facilmente manipulados
e hierarquizados” (Rocha, 2004, p. 124). E, mesmo não havendo um
planejamento efetivo, um movimento político sobre o aluno que queria estava
produzindo este sujeito, tentando a docilização. Mas, havia espaço
para a resistência por parte dos alunos. Acostumados como estavam pela
vivência em um espaço repressor, até mesmo nas minhas aulas,
em que buscava oportunizar um clima mais humano, fazê-los pensar, refletir,
construir conhecimentos, enfrentei dificuldades e também as resistências.
Contudo, não desisti de tentar e acreditar na humanidade de cada um deles.
Confira
o artigo original na íntegra pela internet, no
site do Extra Classe: www.sinprors.org.br/extraclasse/espacoescolar.
Arquivo
em formato PDF - 226 Kb
* Graduada em Pedagogia – Séries Iniciais do Ensino
Fundamental, na Ufrgs (2005/2), cursando Pedagogia Habilitação
Educação Infantil – Ufrgs (2006/1), atua como
tutora em formação do Curso de Licenciatura em Pedagogia
a Distância da Ufrgs.
¹ Nesta instituição realizei a prática
de ensino do 7º e
8º semestre do curso de Pedagogia – Séries Iniciais do Ensino
Fundamental da Ufrgs, com uma 4ª série.
