
O estadista Bush

izem
que falar “shit” para o Blair e massagear as costas da
sra. Merkel não foi só o que o Bush aprontou na reunião
do Grupo dos Oito em São Petersburgo, na última semana
(N.E.: última semana de julho). Ele teria passado todo o tempo
fazendo e lançando aviõezinhos de papel, um dos quais
quase acertou o Chirac no olho, e contando piada de canadense para
o premier do Canadá, que também não gostou muito.
E massagear as suas costas não foi a única surpresa
que Bush preparou para Frau Merkel. Felizmente, as câmeras
não registraram o tapa na bunda, que a alemã tentou
revidar com um soco. Os outros só reagiram quando Bush propôs
que, em homenagem aos seus anfitriões, se agarrassem pela
cintura e circulassem a mesa de reuniões dançando a
conga, que, segundo ouvira, era uma dança folclórica
russa.
Está certo, não se pode levar o Bush a nenhum lugar
sério, mas eu acho que nesse caso ele foi o único que
se comportou de acordo com a ocasião. Lá estavam os
compenetrados donos do mundo reunidos como se adiantasse alguma coisa,
como se seus conchavos fizessem qualquer diferença para os
males do mundo além de agravá-los. Enquanto se banqueteavam,
o Oriente Médio explodia – de novo. A situação
no Oriente Médio foi historicamente criada pelas potências
ocidentais e hoje é mantida pela sua hipocrisia e omissão,
ou, no caso dos Estados Unidos, pela sua conveniência política.
Nada de novo com relação ao Oriente Médio saiu
da reunião dos oito, talvez nem tenham tocado no assunto.
Bush entendeu, como os outros sete não entenderam, que não
dava para dignificar aquela farsa com seriedade. Talvez tenha exagerado.
Arrancar o tupê da cabeça do Putin e sair correndo com
ele pode ter sido demais. Mas nunca Bush demonstrou as virtudes de
um estadista, correta avaliação da realidade e autocrítica,
como na semana passada, em São Petersburgo.
* * *
Sou dunguista, mas acho que Dunga foi chamado para técnico
da Seleção como uma reação direta às
mãos no bolso do Parreira. Devem ter se reunido e debatido
quem seria o técnico menos capaz de ficar com as mãos
no bolso enquanto o mundo ruía à sua volta, e, já que
o Felipão não quis, escolheram o Dunga. É um
critério como qualquer outro. Pode dar certo. Não
vale reclamar que ele não tem experiência como treinador.
Nos times em que jogou, Dunga orientava, motivava, cobrava e mostrava
como se faz. Tudo que se espera de um treinador. Agora ele só vai
ficar fora do campo.
