Ano 12 - nº 116
AGOSTO de 2007



Luis Fernando Verissimo
Uma tragédia esperando para acontecer. O mesmo pensamento deve ter passado pela cabeça de todos que pousavam ou decolavam no aeroporto de Congonhas. A extensão da tragédia dependia da imaginação de cada um.



Elisa Lucinda
De braços abertos pensando em você
meu gesto é a construção do abraço,
o abraço é a poesia do gesto.
Faço uma linha de horizonte no céu
enquanto meu morro te envolve.




Fraga

O poliglota, além da língua materna, era fluente em mais 16. Arranhava outras 5, machucava 2 e massacrava 3. E ainda se saía bem em 9 dialetos e se dava mal em 4.



Marco Aurélio Weissheimer

Há um caldo de cultura perigoso formando-se no ambiente político brasileiro. A crise aérea e a tragédia de Congonhas atingiram em cheio o governo Lula, que não vem conseguindo resolver os graves problemas que se materializaram nos aeroportos brasileiros.





A espera acabou

ma tragédia esperando para acontecer. O mesmo pensamento deve ter passado pela cabeça de todos que pousavam ou decolavam no aeroporto de Congonhas. A extensão da tragédia dependia da imaginação de cada um. Um choque contra um daqueles edifícios cujas coberturas não pareciam estar a mais de 50 metros da barriga do avião que descia ou subia. Força insuficiente para decolar sem nenhuma alternativa a não ser desabar sobre os prédios num extremo ou no outro da pista. Um pouso imperfeito também sem espaço para ser corrigido ou compensado antes de o avião sair do aeroporto e invadir um quarteirão habitado. O cardápio de opções para previsões tétricas era imenso. Aterrissagens e partidas seguras eram sempre acompanhadas de suspiros de alívio – ainda não foi desta vez! – mesmo que inconscientes, dentro dos aviões. Finalmente, na última terça-feira, chegou a vez.

O fato de a tragédia prevista ter demorado tanto para acontecer ao mesmo tempo atenua e agrava a insensatez de manter um aeroporto no meio de São Paulo. Quando foi construído Congonhas, não tinha tanta cidade em volta. Foi a cidade que cresceu insensatamente e cercou o aeroporto. Como a tragédia insistia em não acontecer, podia-se deduzir que os riscos aparentes não eram tão grandes assim. Ou não eram tão excepcionais. Quem chega de avião a Hong Kong, dizem, pode abanar durante o pouso para pessoas dentro dos apartamentos que ladeiam o aeroporto, e o aeroporto de Lima, mesmo sem área urbana em volta, seria um exemplo entre muitos outros mais assustadores do que Congonhas. A longa falta da grande tragédia autorizava a permanência de Congonhas, desmentia seus críticos e confortava os assustados. Quando as companhias aéreas decidiram centralizar o tráfego nacional em Congonhas e o aeroporto foi reformado e ampliado, no mesmo lugar, para isso, foi como se avalizassem a certeza da sua segurança. Afinal, os maiores interessados em preservar seu equipamento e seus clientes eram elas. Mas estavam abonando a insensatez.

Mesmo que se prove que o acidente foi uma fatalidade que poderia acontecer nos melhores aeroportos, em países não tão brasileiros, a verdade é que a espera acabou. Agora, enquanto se decide quem são os atuais responsáveis e que cabeças rolarão, pois cabeças têm que rolar, cabe perguntar por que a insensatez nunca foi repensada durante todos os anos em que a tragédia não veio. Em que havia tempo.






Lançamentos
Memória, Adolescente; Família; Alfabetização I e II; Comunicação; Educação.





Classificação etária
No final das contas, o governo acabou cedendo à pressão das emissoras na emissão da portaria de classificação indicativa de faixa etária para a programação.



Perigo na rede
O site de relacionamentos MySpace, similar do Orkut (que é mais famoso entre brasileiros), apagou o perfil de mais de 29 mil agressores sexuais.



Ensino privado na Bolsa
Matéria publicada no jornal O Estado de S.Paulo, no dia 30 de julho, diz que as universidades particulares estão buscando sócios no exterior, associando-se a fundos de investimento ou abrindo capital.


Mais Extra Pauta >





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