Ano 13 - nº 126
AGOSTO de 2008



Luis Fernando Verissimo
A operação “Mãos Limpas” da Itália mantém seu prestígio como exemplo para outros países ao mesmo tempo que Berlusconi, seu alvo maior, ou pelo menos símbolo maior do que combatia, mantém seu poder.



Elisa Lucinda
É deserto o dia
corro na praia
na areia quente
corro fervente
corpo esse meu
correndo na
ardente terra
que beira
o mar
corro na
praia



Fraga

A analogia é oportuna e pertinente – por causa dos impertinentes que trafegam descontrolados nos ouvidos alheios. Começa que não são poucos os embriagados de si mesmos a nos dirigir a palavra:



Marco Aurélio Weissheimer

Há um ano, a situação política na Argentina era relativamente tranqüila. O governo de Nestor Kirchner chegava ao fim com os méritos de ter recuperado a economia nacional do caos em que mergulhara na...

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




"Stufo", "annoiato", "stanco"


operação “Mãos Limpas” da Itália mantém seu prestígio como exemplo para outros países ao mesmo tempo que Berlusconi, seu alvo maior, ou pelo menos símbolo maior do que combatia, mantém seu poder. O continuado sucesso de Berlusconi desmente o sucesso da “Mãos Limpas”. A faxina, afinal, não funcionou. Que exemplo é esse? Mas mesmo fracassando – ou parcialmente fracassando, já que se não pegou o capo deu uma boa espanada na política italiana – a “Mãos Limpas” ficou como manifestação de uma sociedade finalmente se declarando cansada, “stufa”, “annoiata”, “stanca” de tantos anos de corrupção e impunidade. Valeu menos pelo que realizou do que pelo sentimento que representou. E que persiste, mesmo com toda a frustração com as sobrevidas políticas do Berlusconi.

No Brasil o espírito das mãos limpas inspira promotores, delegados e juízes em ações esporádicas contra uma tradição de corrupção e impunidade decididamente italiana, também movidos por um engulho nacional. E a frustração é a mesma. Talvez porque a gente, como os italianos, tenha uma outra tradição antiga, a da resignação a nós mesmos, à convicção de que não podemos ser diferentes, que não temos jeito. E assim, entre indignação insatisfeita e desânimo atávico, vamos também fazendo nossa higiene pela metade, nossos banhos de assento inconclusivos. E temos uma incorrigível tendência a mudar de assunto – tudo para adiar uma limpeza de verdade. Nos escândalos em curso se pensaria que o foco de toda a investigação e de toda a indignação fosse aquela cena de mandados do Daniel Dantas oferecendo dinheiro a um delegado da Polícia Federal para maneirar com o patrão. Por uma dessas mágicas brasileiras o foco pulou para o Protógenes, o juiz, o Gilberto Carvalho e a cabeleira do Cacciola. Não temos jeito mesmo.

Mas a frustração tem seu lado bom. O sentimento de estar “stufo”, “annoiato” e “stanco” com tudo isso aumenta enquanto a resignação diminui. Pouco a pouco, vamos nos tornando menos italianos. Inclusive os italianos.

***

O ator Daniel Dantas pode fazer o que ninguém se lembrou de fazer no passado. O ator Richard Burton morreu sem interpretar, na tela, o explorador e escritor Richard Burton. Nunca pensaram na atriz Elizabeth Taylor para o papel da escritora Elizabeth Taylor. O ator Daniel Dantas, com uma boa maquiagem, pode muito bem interpretar o banqueiro Daniel Dantas no cinema. Só precisa esperar para saber como acaba esta história. Se com o banqueiro herói ou vilão, comédia ou drama.






Extrato
Livros/Lançamentos.



MÚSICA
Canções bêbadas no auge da lei-seca
Robô Gigante, aparentemente seria mais uma banda gaúcha de rock e mais um disquinho independente.
Não é.


O instrumental místico de Bonilla
A partir de 5 de agosto, o álbum Caminhante do Céu Vermelho, de Marcus Bonilla, estará disponível para audição e download na internet.



FUNDAÇÃO ECARTA
Exposição aborda
o desenho e suas formas
Até 31 de agosto é possível conferir na Galeria de Arte da Fundação Ecarta a exposição Uma Linguagem – Quatro Olhares, que reúne desenhos em grafite e nanquim de quatro jovens artistas gaúchos: Adriana Donato, Claudia Hamerski, Rafael Araújo e Valesca Kuhn.
 




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