Capa ampliada


Ano 15 - nº 146
AGOSTO de 2010



Luis Fernando Verissimo

No outro dia escrevi sobre a campanha em curso na África do Sul pós-apartheid para apagar os vestígios do seu passado colonial, inclusive mudando nomes de lugares públicos que homenageavam colonizadores e seus magnatas e monarcas.
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Elisa Lucinda

As costeletas grisalhas do meu amor fizeram dele mais lindo ainda. O amor da gente tem o privilégio do trono do tempo, cai bem a velhice no amor da gente.
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Fraga

Em longínquos tempos, cavernosos, as palavras eram primitivas, ainda não tinham sido domesticadas. Havia poucas raças de palavras e sua serventia não dava conta das necessidades de expressão do povo daquela época.
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Marco Aurélio Weissheimer


o Ministério do Meio Ambiente (MMA) anunciou, dia 22 de julho, que o bioma Pampa, que ocupa a maior parte do território do Rio Grande do Sul, já perdeu 54% de sua vegetação nativa ao longo de sua ocupação histórica.
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José Antônio Alonso


A produção da agropecuária do Rio Grande do Sul desempenha um papel extremamente relevante na formação do produto e do emprego do estado.
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Cultura

CINEMA
Produção gaúcha cai por falta de incentivos

 Por Naira Hofmeister


extraclasse@sinprors.org.br

Na semana em que a lista de filmes gaúchos que participam das mostras competitivas do 38º Festival de Cinema de Gramado foi divulgada, em julho, um problema que há tempos preocupa a classe cinematográfica gaúcha se materializou.

Entre os 12 curtas-metragens que compõem a Mostra Gaúcha, nenhum foi realizado com verbas de projetos do governo do Estado de incentivo à produção audiovisual.

"Filmes do Prêmio Iecine, nem rastro. Aqueles feitos com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) também são inexistentes porque os realizadores desanimam ao saber da farta burocracia que precede a inscrição de um projeto pela LIC”, lamentaram os diretores da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC-RS), em carta aberta à sociedade, divulgada poucos dias depois da lista de concorrentes em Gramado.

Um levantamento feito pela APTC no ano passado indica que desde 2006 o governo do Estado investiu R$ 700 mil em editais de produção audiovisual. No mesmo período, Minas Gerais destinou R$ 7 milhões, dez vezes mais do que aqui.

“Realmente não há uma política específica para o cinema no estado”, admite o presidente do Instituto Estadual do Cinema (Iecine), Ivo Czamansky.

Uma das consequências à falta de incentivos públicos apontadas pela APTC é que o Rio Grande do Sul vem perdendo posições no ranking da produção nacional audiovisual. Na década de 1990, estava em terceiro lugar, mas hoje foi superado por estados que não possuem a mesma tradição na área, como Bahia, Pernambuco e Ceará.

“Somos muito privilegiados no Rio Grande do Sul porque temos muitas entidades que defendem nosso cinema. Infelizmente o governo abriu mão de fazer a articulação com essas cabeças pensantes”, lamenta a produtora Aletéia Celonk, da Okna, que também integra a direção nacional da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD).


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Zico foi o primeiro guarani a se formar enfermeiro
Mas o problema não passa somente pelo financiamento de projetos. O que os cineastas gaúchos querem é que o Estado tome para si o papel de mediar o setor, sem que isso se reduza a destinar verbas para a produção.

“Não estamos com um pires na mão pedindo. O que queremos é que o Estado seja parceiro, que pegue na nossa mão e diga: vamos buscar soluções em conjunto”, pondera a produtora Aletéia Celonk.

E nesse sentido, o próprio Iecine é um retrato da falta de atenção que os últimos gestores estatais deram ao assunto. Praticamente abandonado, o instituto não possui orçamento próprio – a folha de pagamento dos poucos funcionários está vinculada à Secretaria de Cultura (Sedac).

Diante da falta de rubricas provenientes do governo, o presidente Ivo Czamanski teve a ideia de criar a Associação dos Amigos do Iecine (Amiecine). A entidade financia as ações do Iecine propondo projetos na LIC, cujo dinheiro provém de renúncia fiscal – imposto que o Estado receberia das empresas, mas que é aplicado na produção artística local.

Foi graças aos recursos captados pela Amiecine que o 11º Prêmio Iecine de Curta Metragem saiu. O edital foi publicado em 2008, os vencedores anunciados em 2009 e a primeira parcela dos R$ 400 mil paga durante o Festival de Cinema de Gramado.

Também foi com a ajuda da Amiecine que a única sessão do projeto RodaCine de cinema itinerante se realizou em 2010, na praia de Xangri-Lá. Os dois furgões equipados com projetor 35 mm – patrimônio do Estado – estão parados desde fevereiro no estacionamento do Centro Administrativo Fernando Ferrari porque não há dinheiro nem para manutenção dos equipamentos.


 


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Durante o 38º Festival de Cinema de Gramado será anunciado o pagamento da primeira parcela aos vencedores do 11º edital do Prêmio Iecine para curtas-metragens. Serão R$ 400 mil distribuídos em cinco projetos.

O concurso havia sido lançado em 2008 – foram dois anos à espera do dinheiro. “Antes, os projetos contemplados pelo Prêmio Iecine eram os únicos que tinham sua realização garantida”, compara Aletéia Celonk.

Criado na gestão de Jair Soares (PDS, hoje PP) em 1985, o Prêmio Iecine já foi responsável pela realização de 44 curtas-metragens em 25 anos de existência. Os governos estaduais que mais investiram foram de Antonio Britto e Olívio Dutra, com 14 e 15 curtas a cada período de governo graças ao Prêmio. Mas nos últimos oito anos foram realizadas apenas duas edições. O 10º edital, lançado no governo Germano Rigotto (PMDB), foi pago pela gestão de Yeda Crusius (PSDB).

E o Prêmio RGE do Governo do Estado, que entre os anos de 1998 e 2005 financiou a realização de nove longas-metragens com uma verba de R$ 11,7 milhões, está extinto na prática. Há cinco anos não se lança um edital.

“O cinema surge de um esforço entre a iniciativa privada e o Estado, e nesse último item, o Rio Grande do Sul está paralisado”, critica Aletéia.


 


Apesar de você

Mesmo nessa condição, a Fundação Cinema (Fundacine-RS) contabiliza 30 filmes finalizados ou em produção no ano de 2009 no estado. A maioria recorreu aos editais do Ministério da Cultura e da Petrobras para se pagar. Também há casos de financiamentos conquistados junto às prefeituras municipais.

“O que chama a atenção é que nesse período a produção não parou. Se sem o apoio do governo temos uma produção dessa qualidade e quantidade, imagina como seria se pudéssemos contar com políticas públicas de apoio ao setor”, questiona Aletéia.















EXTRAPAUTA

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