Ano 8 - nº 78
Dezembro 2003



Luis Fernando Verissimo:
A invasão do Iraque foi uma aventura irresponsável de um presidente mentiroso que só aumentou o perigo do terrorismo e em que só vão ganhar os empresários amigos do governo presenteados com contratos milionários para tentar recuperar um país que, cada vez mais, se parece com o atoladouro do Vietnã.



Nei Lisboa:
Teatro lotado até às galerias. Pano fechado, rumores na platéia. Um porta-voz se aproxima do microfone instalado às pressas no proscênio e pede desculpas pelo atraso de trinta minutos.
– Um pequeno imprevisto com a orquestra. Tivemos de suprimir os metais, em função do contingenciamento. Os arranjos já foram...




Elisa Lucinda:

Andarilha de ar e terra viajo muito nesse mundão pelas poderosas mãos do verso, da palavra e do palco. E aprecio os lugares como se fossem pessoas, ocorrem-me numa inscrição afetiva que se aninha logo no departamento da amizade. De todos os lugares quando me distancio digo lá. Mas de POA não. De POA falo aqui. Esteja eu onde estiver.





Antipatriotas

A invasão do Iraque foi uma aventura irresponsável de um presidente mentiroso que só aumentou o perigo do terrorismo e em que só vão ganhar os empresários amigos do governo presenteados com contratos milionários para tentar recuperar um país que, cada vez mais, se parece com o atoladouro do Vietnã. Quem diz isto não sou eu, um perigoso bolchevique, nem qualquer outro previsível antiamericano, mas os candidatos do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, sob aplausos entusiasmados da platéia, nos sucessivos debates que têm feito. Muitos dos candidatos apoiaram a guerra no começo, mas hoje todos caem em cima de Bush, Cheney, Rumsfeld e os falcões conservadores que levaram o país a este desastre.

Como a economia americana dá sinais de estar melhorando e a maioria do público eleitor, dizem as pesquisas, ainda apóia Bush e a sua guerra, nenhum dos democratas que se apresentaram parece ter muita chance nas eleições que vêm aí. O que pintou como o mais elegível, Wesley Clarke (herói de guerra, boa-pinta), não tem se saído bem nos debates e tem um olhar paradão meio assustador. Mas a campanha presidencial esquenta a controvérsia sobre a guerra que divide democratas e republicanos, conservadores e “liberais” e a imprensa, onde analistas e colunistas de um lado e de outro se xingam mutuamente como não faziam desde - bom, desde a guerra do Vietnã.

A resposta dos republicanos às críticas dos candidatos democratas é sugerir que quem é contra Bush é a favor do terror e quem questiona o que foi feito no Iraque é antipatriota. Reação indignada dos democratas. Golpe baixo. Os republicanos batem mais. Seria divertido ver de fora se não estivesse em jogo, na paróquia americana, a saúde do planeta todo.

Trazendo o assunto para o quintal: a acusação de uma espécie de antipatriotismo também espera quem apoiou e agora questiona o governo esquizofrênico do Lula. Até que ponto a crítica decepcionada ao governo é cúmplice involuntária de quem não quer o sucesso da esquerda no Brasil, mesmo de uma esquerda que diz que nunca foi? Mas enfim, já é folclórico que a esquerda brasileira sempre se divide e por isso perde todas. E, se enquanto lá em cima decidem as nossas vidas, o que nos resta aqui na periferia é o folclore, só estamos cumprindo nosso papel histórico.



 
José Luis Fiori

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“Espero que o polemista que sou e gosto de ser não atrapalhe minhas novelas. Uma coisa é fazer jornalismo ou crônica cultural; outra é fazer ficção. Meus personagens nada têm a ver com minhas brigas e posturas intelectuais”. É com este sentimento que Juremir Machado da Silva lança simultaneamente três novelas reunidas em uma...

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