A 10ª Marcha dos Sem reuniu no último dia 25, em Porto Alegre,
cerca de oito mil pessoas e marcou os 10 anos no movimento. Várias colunas
partiram de diferentes pontos da cidade para encontrarem-se em frente ao Banco
Central e seguir para a Praça da Matriz. As muitas bandeiras de luta unificavam
as aspirações dos movimentos sociais. A coluna da Farrapos reivindicou
mudanças na política econômica, valorização
do salário mínimo e redução da jornada de trabalho.
O grupo que saiu da ponte defendeu acesso à terra, moradia e trabalho.
Já o grupo que percorreu as avenidas Benjamin e Cristóvão
pediu investimentos na segurança, saúde e educação.
Os estudantes reivindicaram mais recursos para a educação pública
e o fim do desmonte da Uergs provocado pelo governo Rigotto. Protestos se sucederam
durante as caminhadas. Em frente à Bunge, uma multinacional, trabalhadores
sem-terra protestaram contra a entrada ilegal de milho transgênico no Estado.
Já na frente da Secretaria de Justiça e Segurança foi pedida
a punição dos policiais que assassinaram, em 30 de setembro, na
cidade de Sapiranga, o sindicalista Jair Antônio da Costa, dirigente do
Sindicato dos Sapateiros de Igrejinha. Em frente ao Banco Central, os discursos
enfatizaram a necessidade de o governo federal mudar a sua política econômica,
baixando os juros e transformando o superávit primário em investimentos
sociais. Agricultores familiares, organizados na Fetraf-CUT, protestaram contra
o baixo valor pago pelo leite e pelo trigo. Cerca de 30 litros de leite foram
despejados no asfalto em frente ao banco. Do Banco Central, os milhares de manifestantes
se dirigiram à Praça da Matriz, onde se localiza o Palácio
Piratini, sede do governo gaúcho. No carro de som, dirigentes de partidos
políticos de esquerda – PT, PSB e PCdoB – revezaram-se nas
críticas ao modelo econômico do governo federal e à política
de socialização do déficit fiscal do Estado feito pelo governo
Rigotto, ao mesmo tempo em que libera incentivos fiscais às grandes empresas.
Trabalhadores das Fundações protestam
Os trabalhadores das Fundações estaduais e autarquias lançaram
em novembro uma campanha de mídia (rádio, TV, outdoors, camisetas,
adesivos, etc.) com o objetivo de mobilizar a categoria e pressionar o governo
do Estado a atender as reivindicações dos trabalhadores das Fundações
e autarquias. O objetivo é chamar a atenção da população
gaúcha para o descaso do governo com o serviço público.
Há quase dois meses, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento,
Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações
Estaduais do RS (Semapi) deixou uma proposta na mesa de negociação
de uma reposição de 9,96%, que corresponde à inflação
acumulada dos últimos 18 meses. A contraproposta do Palácio Piratini
de 4% de reajuste pelas duas datas-bases, sendo 2% em maio e 2% em julho de 2006,
não atinge nem a metade deste percentual, sendo que seria para zerar 24
meses. Esta proposta foi rejeitada por mais de 800 trabalhadores em Assembléia
Geral de Mobilização realizada no dia 26 de outubro. A Assembléia
Geral também aprovou um dia de paralisação com o objetivo
de construir uma greve por tempo indeterminado, que iniciará no dia 6
de dezembro. Haverá mobilização em todas as Fundações
e autarquias, e uma nova assembléia definirá a realização
ou não da greve por tempo indeterminado.
FUNDAÇÃO LIBERATO – Os professores e funcionários
em Assembléia Geral rejeitaram a proposta do governo, aprovaram participar
das atividades do próximo dia 6 e indicaram a possibilidade de não-retorno
do ano letivo de 2006 caso o governo não apresente proposta que contemple
a expectativa dos docentes.
Metade sul – Os reitores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel),
César Borges, e de Santa Maria (UFSM), Paulo Sarkis, assinaram, em reunião
com o ministro da Educação, Fernando Haddad, convênio que
dá início à criação de dez novos campi universitários
na Metade Sul do Estado. Bagé, Jaguarão, Caçapava do Sul,
Dom Pedrito e Santana do Livramento sediarão novos campi da UFPel, e
Uruguaiana, São Gabriel, São Borja, Alegrete e Itaqui sediarão
outros da UFSM. Serão investidos R$ 30 milhões de reais para
o início das obras de instalação dos cursos superiores
na região.
Greves, protestos
e até mesmo conflitos armados marcavam os movimentos reivindicatórios
das polícias civis e militares em todo o país,
nos meses de junho e julho de 1997. O quadro que adquiriu a proporção
de uma crise em âmbito nacional e colocou o Exército
de prontidão, suscitou o debate sobre a função
e o caráter das forças de segurança, marcadas
por uma tradição militarista de abuso e violência.
Vítimas da batuta neoliberal e do conseqüente desmonte
do Estado Brasileiro, em todas as suas esferas, os agentes da
segurança se descobriram como trabalhadores. Porém,
inexperientes no exercício da cidadania, que tantas vezes
são chamados a reprimir, aproximam-se do movimento sindical
com timidez e reservas. Parte das entidades das categorias das
forças policiais rejeitava os mecanismos de pressão
consagrados pelas centrais sindicais e pelo Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra. Clássico instrumento de dominação,
a polícia começou a se aproximar das lutas sociais,
mas sua transformação em uma instituição
democrática dependia de mudanças políticas,
conceituais e constitucionais. Será que houve alguma transformação
de lá para cá?
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