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Ano 14 - nº 140
DEZEMBRO de 2009



Luis Fernando Verissimo
Uma das eventuais missões de avô, Zuenir, é acompanhar a neta a playgrounds e ficar de olho enquanto ela se mistura com outras crianças, sobe e desce de brinquedos, corre, cai, chora, se levanta.



Elisa Lucinda
Quero dormir com meu
amor que lá no calor
dele no abacateiro
de seu tronco
não há dívidas,
dúvidas,
espantos
Lá parece
domingo
na copa do sovaco
cheiroso dele



Fraga
Num mundo em que não faltam romeus e julietas de todos os tipos, um par tipográfico é até previsível. Uma historinha que qualquer menestrel pouco inspirado tira de letra, até eu.



Marco Aurélio Weissheimer

A capital gaúcha e sete cidades da Região Metropolitana receberão, entre 25 e 29 de janeiro de 2010, o Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre.

 




Fórum Social Mundial
faz balanço de uma década

Por Marco Aurélio Weissheimer


capital gaúcha e sete cidades da Região Metropolitana receberão, entre 25 e 29 de janeiro de 2010, o Fórum Social 10 Anos Grande Porto Alegre. Além de celebrar os dez anos de atividades do FSM, o encontro fará um balanço deste período de lutas em defesa de um modelo de globalização alternativo ao construído nas últimas décadas. O Fórum Grande Porto Alegre será o primeiro de outros eventos programados em vários países ao longo de 2010, quando o FSM terá, mais uma vez, um formato descentralizado. Entre as atividades já definidas para o encontro no Rio Grande do Sul, está o Seminário FSM 10 Anos, promovido pelo Grupo de Apoio ao Fórum Social Mundial. A ideia é debater não só a experiência passada, mas principalmente seu futuro.

O evento está sendo organizado por entidades gaúchas com o apoio dos governos dos sete municípios onde ocorrerão as atividades (Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga). Além do seminário de avaliação do FSM, que ocorrerá em Porto Alegre, também estão confirmados o Acampamento Intercontinental da Juventude, entre 18 e 28 de janeiro, em Novo Hamburgo, o I Fórum Mundial de Economia Solidária e a I Feira Mundial de Economia Solidária, de 22 a 24 de janeiro, em Santa Maria. Ainda em Porto Alegre, de 25 a 29 de janeiro de 2010, será realizada uma grande oficina sobre o mundo do trabalho. Esse encontro debaterá o impacto da crise econômica internacional sobre o trabalho e a qualidade dos empregos e dos ambientes de trabalho hoje em dia.

Logo após o encontro no RS, ocorrerá em Salvador, entre 29 e 31 de janeiro, o Fórum Social da Bahia. O tema central do evento, construído em conjunto com o FSM 10 Anos, será Da Bahia a Dakar: enfrentar a crise com integração, desenvolvimento e soberania. “Esta passagem do FSM por Salvador será uma contribuição muito preciosa para o Fórum de Dakar, no Senegal, em 2011, pois esta foi a principal porta de entrada de africanos, vítimas da escravidão. A ideia é estabelecer um diálogo entre cidades com culturas semelhantes”, explica José Luiz Del Roio, representante do Fórum Mundial de Alternativas à Crise. Representantes de governos e movimentos sociais da América Latina e da África participarão, em Salvador, Fórum de Diálogos e Controvérsias, que discutiráíticas econômicas, sociais e ambientais.

Crise civilizatória: o que fazer?

Esse será um dos temas centrais em debate no encontro de janeiro em Porto Alegre. O diagnóstico é que estamos vivendo uma crise profunda do modelo de desenvolvimento capitalista, que se manifesta nas crises econômicas, ambiental, dos sistemas políticos e da democracia. Uma crise civilizatória, em resumo. “Se nós concordarmos que nosso modo de vida está acabando com a natureza e o ambiente, então nós não podemos deixar essa questão somente nas mãos dos ambientalistas. É um tema que todos devem tomar como luta comum”, afirma ainda o relatório de Montreal.

O diagnóstico não é exatamente novo. Nas últimas edições do FSM, esse tema já ocupou boa parte dos debates. Mas, agora, diante da ameaça de enfraquecimento do movimento, justamente com o agravamento da crise econômica mundial, ele se coloca como um desafio renovado para todas as organizações e ativistas que participam do Fórum. Um desafio que se apresenta também sob a forma de um ultimato: é urgente dar uma consequência prática ao diagnóstico de Montreal: “a resistência é um ponto de vista defensivo”. Porto Alegre terá o privilégio de sediar esse debate.


  "Resistência é um ponto de vista defensivo"
Após dez anos, o Fórum Social Mundial chega a uma encruzilhada. Entre as organizações que participam deste processo deste 2001 há uma clara percepção de que o movimento precisa dar um salto qualitativo, sob risco de enfraquecimento. Essa percepção foi explicitada na última reunião do Conselho Internacional do FSM, realizada entre os dias 6 e 8 de outubro, em Montreal, no Canadá. O relatório do encontro relata uma das conclusões principais: “resistência é um ponto de vista defensivo”. É importante que conectemos e integremos as lutas em um modelo global coerente. O que o movimento antiglobalização quer e propõe como modelo? Os movimentos sociais são a solução? O FSM 2011 deverá radicalizar as lutas: marcha de mulheres, violência, desmilitarização e solidariedade das mulheres. Há uma participação forte dos cidadãos na América Latina, mas poucas coisas foram feitas concretamente. “Nós devemos rever a legitimidade dessas práticas”, diz o relatório final.

A reunião de Montreal detectou uma crise de credibilidade do movimento antiglobalização que, em vários países, vem sendo percebido como parte do sistema, e não como um movimento exterior a este sistema. “É preciso sair desse modelo para sair do sistema. Sente-se um pessimismo generalizado no grupo, mas o altermundialismo não deve ser depreciado: se não houvesse todas essas resistências ao redor do mundo, este já teria se desmoronado. Nós somos parte ativa da mudança. O capitalismo está doente, mas ele não vai necessariamente se destruir. Não devemos cair no pessimismo, posto que este é desmobilizador”.

E-mail para contato: marcoweiss@uol.com.br
Blog: http://www.rsurgente.org






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