UCS
Comunidade acadêmica
pressiona por eleições diretas
A Reitoria da Universidade de Caxias do Sul ainda é escolhida pelo Conselho Diretor por via indireta na contramão
da maioria das IES comunitárias no estado. O
mandato atual termina em maio de 2010
Por Naira Hofmeister

té o final de dezembro estará definida a forma de escolha
do próximo reitor da Universidade
de Caxias do Sul (UCS).
A decisão está nas mãos dos dez
integrantes do Conselho Diretor
da Fundação Universidade
Caxias do Sul, a mantenedora,
que conforme o atual estatuto é a
instância deliberativa da instituição.
A UCS é uma das poucas
universidades comunitárias do Rio
Grande do Sul que ainda não possui
eleições diretas para Reitoria.
“Caxias é uma cidade com tradição
na luta democrática. Não é aceitável que a Universidade não
tenha acompanhado o processo de
redemocratização”, destaca o diretor
do Sinpro/RS, Marcos Führ.
Unidos em um fórum, representantes
dos professores, funcionários
e alunos pressionam para
garantir que, ao menos, se repita
o processo de escolha de 2006, que
levou à Reitoria o professor Isidoro
Zorzi. Naquele ano, mais de 8,5
mil pessoas puderam expressar sua
preferência entre os candidatos.
A consulta, no entanto, não tinha
caráter deliberativo.
“A sorte foi que o atual reitor
venceu entre todas as categorias
e era também o preferido pelo
Conselho Diretor. Se houvesse
discordância, não temos certeza
do desfecho”, avalia a presidente
da Associação dos Docentes da
UCS, Maria Elisa Fontana
Carpena.
Justamente por esse histórico – a consulta representou um
avanço no processo – há otimismo
entre as categorias. “Acredito
que chegou o momento de um
debate direto”, avalia o coordenador
de patrimônio e finanças do
DCE Gabriel Ferreira Neves.
O problema é que até agora os
diretores da mantenedora não sinalizaram
claramente qual a tendência
do órgão. “Só o que ouvimos
são reticências”, reclama
Maria Elisa.
SILÊNCIO – A reportagem
do Extra Classe procurou os representantes
do Conselho Diretor da
Fundação Universidade Caxias do
Sul, que se negaram a dar entrevista. “Não há uma definição”, limitou-se a informar o vice presidente
e membro do Ministério da
Educação, padre Roque Grazziotin.
Ele acredita que há possibilidades
de avanço na participação
democrática. “Mas para isso
precisaremos mudar o estatuto”,
observa.
A maior preocupação dos professores é que a abertura caminhe
a passos lentos e ceda espaço a
vontades partidárias. Como os representantes das três esferas do
governo têm assento no Conselho
Diretor, que conta também com a
participação de entidades da sociedade
civil, há temor de que os
interesses das siglas prevaleçam
aos da comunidade acadêmica.
“A discussão é porque não podemos
exercitar democraticamente
nosso voto”, alfineta a professora
Maria Elisa.
O Conselho Diretor afirma que
a definição do “processo de transição” será anunciada ainda em
dezembro. A escolha do próximo
reitor não pode acontecer depois
de abril, já que o mandato de
Zorzi termina em maio de 2010.
Ação Civil Pública contesta filantropia
No dia 17 de novembro, a Justiça Federal acatou uma Ação Civil
Pública encaminhada pelo Ministério Público Federal questionando a
filantropia da Universidade de Caxias do Sul.
Uma das irregularidades apontadas é que o ex-reitor e hoje deputado
federal pelo PSDB Ruy Pauletti recebia dividendos como presidente
da Fundação Universidade Caxias do Sul, o que seria um impedimento
para a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de
Assistência Social (Cebas). “Verificamos também o pagamento de despesas
pessoais com viagens suas e de familiares”, revela Moraes.
Também não foram comprovados 20% mínimos de gratuidade de
serviços. “É uma instituição de educação e saúde. Não de assistência
social”, contesta o procurador.
Segundo Moraes, a UCS lista entre as atividades filantrópicas o
uso da biblioteca pela comunidade, o atendimento que graduandos
em Direito e Medicina prestam e até visitas ao zoológico. “São complementos
dos cursos e não serviços para a comunidade”, avalia.
O Cebas contestado pelo MPF de Caxias é referente ao período entre
2003 e 2006. “O certificado anterior, que valeu entre 2000 e 2003 será questionado pela Procuradoria de Brasília”, antecipa Moraes.
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