Ano 11 - Março 2006
Especial 10 anos




DEPOIMENTOS


Os dez anos do Extra Classe
A história contada por quem fez parte de uma trajetória de desafios constantes e crescimento pautado por muito trabalho.





DEPOIMENTOS

Os dez anos do Extra Classe
A história contada por quem fez parte de uma trajetória de desafios constantes e crescimento pautado por muito trabalho



Marcelo Menna Barreto –
Jornalista
Assessor de Comunicação do Sinpro/RS de 1991a 1999. Coordenador e implementador do projeto do EC – Editor-chefe de 1996 a 1999

Sei que iniciar assim certamente me coloca no lugar comum, mas vá lá: parece que foi ontem. Fruto do amadurecimento de uma entidade que passou a ver que a comunicação não era um mero instrumento de agitação política, mas, sim, também um forte instrumento de integração e transformação social, o Extra Classe foi um veículo pioneiro na, digamos, moderna comunicação sindical brasileira. Sem dúvida, no início ele foi muito questionado. Não faltaram aqueles que diziam que a imprensa dos trabalhadores não poderia se dar ao luxo de abrir espaço para o contraditório, uma vez que a chamada “imprensa burguesa” nunca valorizava os movimentos sociais. Mas, em resposta a este movimento, surge o que chamo de um dos elementos fundamentais para o sucesso desta iniciativa que completa 10 anos: a coragem e o apoio de uma diretoria que percebeu que os modelos antigos de comunicação sindical, cheios de jargões e palavras de ordem, não acrescentavam nada a seus associados e – o que era pior – além de os tratar como crianças, desrespeitava a sua inteligência.



Cláudio Santana - Publicitário
Autor do projeto gráfico – 2000

É voz corrente que presenciamos uma crise ética nos meios de comunicação brasileiros. O primeiro bordão que se saca é a puída defesa oral da liberdade de imprensa. É uma frágil utopia pensar em imprensa livre sem resolver a questão da independência do jornalista e do compromisso do veículo em adotar uma atitude crítica e autônoma. Infelizmente, parece que crítica e autonomia são incompatíveis com o atual estágio da imprensa. Para modificar essa modorra, é necessária a gestação de uma nova mentalidade jornalística, capaz de assumir o risco de repensar permanentemente a forma e a substância de sua produção. Ainda bem que existem veículos que comprovam que esta postura é viável, resgatando assim um dos mais caros atributos da história do jornalismo: a coragem. O Extra Classe está de parabéns. É um desses raros exemplos.



Luiz Carlos Barbosa - Jornalista
Autor do projeto editorial e editor-executivo de 1996 a 1999

Na primavera de 1995 começa o projeto; no verão de 1996 sai a primeira edição. Surgia um veículo sindical com um corte de classe, mas mais amplo, cidadão. O jornal é expressão de desafios complexos para o sindicalismo gestado a partir do período final da luta pela redemocratização do país. Neste quadro, o EC foi concebido para interrogar protagonistas sociais, interpretar o movimento da sociedade e identificar tendências. Esta foi a síntese conceitual das pautas. Foi isso que escrevi no primeiro editorial e reiterei, de distintos pontos de vista, nos mais de 40 que redigi com o mesmo entusiasmo da primeira manchete, “Sindicato, pra quê?”. Aos 25 anos de profissão, orgulho-me de ter parido este jornal junto com uma equipe criativa e ao abrigo de uma entidade sindical ousada a ponto de assegurar longa vida ao Extra Classe.


Celso Augusto Schröder - Jornalista
Chargista e ilustrador de 1996 a 2001

O jornal Extra Classe ajudou a consolidar um tipo novo de fazer a imprensa sindical, e que denotava já uma nova forma de fazer sindicalismo preocupado com a objetividade, ao mesmo tempo em que induzia à reflexão e à interpretação, o Extra Classe serviu como contraponto ao tipo de jornalismo declaratório praticado em boa parte dos sindicatos de trabalhadores. Sem abrir mão da defesa de princípios como liberdade e direito trabalhista, o Extra sempre privilegiou a informação e a precisão. Ainda é um exemplo do bom jornalismo. Sindical ou não.



Nei Lisboa - Músico e compositor
Colunista de 1999 a 2005

Sou admirador suspeito por tudo de bom que o Extra me trouxe como colaborador ao longo de vários anos. É uma alegria vê-lo caminhar até aqui e reconhecer a categoria exuberante e a vitalidade de sua proposta, de importância realçada em um momento em que a informação se define, no rés da mais mediana mídia, como a vociferação pública de versões de interesse privado. Se ao EC ainda faltasse ser legitimado por algo ou por alguém, agora é o tempo, senhor de todos nós, quem estampa na capa desta edição a nota que o jornal sempre mereceu, com todo o louvor.



Abnel Lima - Publicitário
Autor do projeto gráfico original - 1995

Escrever sobre o Extra Classe é como falar sobre um filho querido. Mas o nascimento desse filho foi um parto bem complicado. Muito do que havia sido planejado teve de ser deixado de lado (um número zero para os acertos finais, por exemplo). Uma estratégia de marketing ousada surgiu para que se atingissem os prazos. No desespero do tempo acabando, noites sem dormir, olhei para a calçada lá embaixo (estava no 8º andar) e pensei: salto agora e não sofro mais, não vai dar certo. Mas deu. Não saltei. O único salto que aconteceu foi de qualidade. Hoje, 10 anos depois, ele está lindo, crescido. O milagre de um filho que já nasceu adulto e com muitas histórias para contar.



Flávio Ilha - Jornalista
Editor entre 1999 a 2000

Estávamos no ano 2000 e, antes dos escândalos de corrupção nos Correios e do Caixa 2 nas campanhas eleitorais, o Extra Classe 39 trazia na sua reportagem de capa uma ampla cobertura do que, então, não se constituía nem como um fantasma: o funcionamento dos bingos. O repórter César Fraga foi a campo e recolheu uma série de informações estarrecedoras sobre corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e outras falcatruas perpetradas pelos donos desses estabelecimentos, que proliferavam pelas ruas das grandes cidades propalando a tese de um lazer seguro e inofensivo. Não por acaso, o então procurador federal Luiz Francisco de Souza definia o funcionamento dessas casas de jogo como uma atividade parasitária e sanguessuga. Seis anos depois, uma CPI na Câmara dos Deputados procura desvendar conexões entre a máfia do jogo e o financiamento ilegal de campanhas políticas, corrupção e remessas ilegais de dinheiro ao exterior. Eu recomendo que os parlamentares leiam essa edição do Extra Classe: os mecanismos de funcionamento da máquina de comprar funcionários públicos estão todos ali.



RETROSPECTIVA

Retrospectivas, em geral, são o resumo do resumo de algo...


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