Cooperativa habitacional de professores completa
10 anos
Completa 10 anos o início do projeto de cooperativa habitacional
Comprometa, originalmente criada por professores do ensino privado.
Um terreno foi comprado no bairro Belém Velho de forma cooperativada
por 20 famílias, em Porto Alegre, dando começo à realização
do sonho da casa própria. Atualmente, uma parte do projeto
já está concluída: as propriedades já contam
com rede elétrica, pluvial e de esgoto, além da pavimentação.
As casas ainda não foram construídas, mas o envolvimento
de todos tem sido fundamental para a continuidade do plano original,
demonstrando que há vias alternativas para aquisição
de moradia.
Luis Gustavo Van Ondheusden

á uma década começava,
ainda que embrionariamente, a ser discutida a criação de uma cooperativa
de moradia para os professores da rede privada do Estado. Foi com o objetivo
de reunir professores
interessados em formar grupos independentes que o Sinpro/RS incentivou esse projeto.
A criação da cooperativa foi uma alternativa para a aquisição
da casa própria, que chega a reduzir em 50% o custo da obra. Os trabalhos
começaram com a conscientização dos docentes de que é acessível
adquirir casa própria a partir da organização de cooperativas.
Num segundo momento, professores passaram a se reunir em grupos para discutir
a poupança para a aquisição do terreno, definindo também
os interesses comuns dos associados.
A presidente da cooperativa, Ingrid Schneider, que já está há oito
anos no projeto, afirma que a intenção, inicialmente, era reunir
apenas docentes, mas com a desistência de alguns passou-se a abrir o projeto
para outros interessados. “Aquelas pessoas que precisavam de uma solução
urgente para a questão da moradia acabaram desistindo de participar, pois
o trabalho da cooperativa é diferenciado das demais. Isso gerou uma mudança
nos planos”, explica. Uma lista de espera foi criada com pessoas interessadas
em entrar no projeto. De acordo com Ingrid, a cooperativa se diferencia das demais
justamente pelo fato de não se preocupar muito com o tempo, ou seja, não
há pressa para a construção das casas.
No momento, são 20 os cooperativados. A área, situada na rua Costa
Gama, no bairro Belém Velho, em Porto Alegre, tem sete hectares, o que
significa cerca de 70 mil metros quadrados de área. Estão reservados
dois mil metros quadrados para cada morador, sendo obrigatório que em
cada território seja preservado ao menos 50% da área. A medida é uma
exigência da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre (SMAM). “Cada
território é delimitado por um pedaço de pedra”, explica
o caseiro da cooperativa, Adão Arancibio de Medeiros Soleti, que está acompanhando
as obras desde o início, em 1998, quando foi adquirida a primeira área.
Logo que o terreno foi adquirido, os cooperativados já fizeram os investimentos.
Parcelas mensais garantiram a construção e instalação
de água, luz, pavimentação, cercamento e toda a infra-estrutura
que hoje está pronta. O total de recursos investidos até agora
soma mais de R$ 560 mil. O investimento para alguém entrar na cooperativa é,
hoje, de R$ 44 mil.
Um estatuto deverá reger leis e normas dentro da área. Algumas
já estão sendo definidas, como a proibição de muros
e cercas nas propriedades. “Deverá haver no máximo algum
muro mais baixo, que não impeça a visão da casa”,
comenta Soleti.
O terreno já está com infra-estrutura pronta. Possui rede elétrica
e de esgoto, caixa d’água e pavimentação ecológica.
Uma guarita deverá, ainda, ser instalada próximo ao portão
de acesso ao terreno. Quem arcou com todos os custos das obras foram os próprios
proprietários. “Em alguns momentos difíceis o Sindicato nos
ajudou, e isso foi determinante para a continuidade do projeto”, comenta
Ingrid. Atualmente, com parte do terreno já preparado, a lista de espera é maior;
no entanto o índice de pessoas que deixam a cooperativa é muito
pequeno.
Iniciou-se a fase de construção das casas. Cada cooperativado está apresentando
seu projeto para viabilizar o encaminhamento deste junto aos órgãos
oficiais. Até o final de 2006, alguns membros já deverão
estar morando no local.
Pedro Longi e Jorge Mario Comandulli, dois dos coope-rativados, elogiam a iniciativa
do Sindicato ao promover a criação da Comprometa e apoiá-la. “A
importância foi total. Sem esse apoio a cooperativa não existiria.
A idéia foi sensacional”, afirma Longi. Ingrid também ressalta
a importância do apoio da entidade sindical. “A ajuda foi muito importante,
pois permitiu a concretização de uma idéia, de um objetivo”,
explica. A noção de cooperativa abrange pessoas que tenham uma
identidade ou algo em comum. Ingrid aponta que o Sinpro/RS é um lugar
onde as pessoas estão reunidas, também, justamente por ter algo
em comum.
Um dos momentos que mais surpreendeu a presidente da cooperativa foi o da distribuição
de lotes. Os cooperativados decidiram, em assembléia, sem nenhum atrito
ou problema, a distribuição dos terrenos. “Sabemos que as
pessoas têm preferências por terrenos mais altos ou baixos, próximos
ou longe da saída, enfim, vários fatores; entretanto, em nenhum
instante houve problema para determinar a quem pertencia cada lote. Apenas um
lote foi levado para discussão. Esse foi um momento muito legal”,
contou.
INTERESSADOS – Na última assembléia dos coopera-tivados,
ficou decidido renovar o cadastro dos interessados em aderir. O objetivo é manter
a lista atualizada para o caso de algum cooperativado sair da cooperativa e assim
poder ser substituído em curto espaço de tempo. Os que desejarem
ingressar no projeto deverão marcar um horário com o professor
Amarildo Cenci, do Sinpro/RS, para tratar do assunto. O telefone é (51)
4009.2990.