Ano 8 - nº 73
Julho 2003



Luis Fernando Verissimo:
Na França, onde estive até a semana passada*, eles estavam brigando sabe por quê? Reforma da previdência. Para mostrar que pelo menos esta não é uma desarrumação endêmica brasileira.



Nei Lisboa:
O governo Lula é apenas vinte dias mais velho que a Maria Clara, minha linda rebenta, então achei que viria bem aqui fazer algumas comparações. Por exemplo, tal qual o governo, ela estabeleceu como prioridade um programa Fome Zero desde o...



Elisa Lucinda:
“É o verdureiro!.” Aqui tem ele vendendo almeirão, coentro, cebolinha, taiobas, couvezinha fresca, alface com gosto de horta e outras verduras na porta da gente. Pregão delicioso das manhãs. Eu atravesso o lago dourado que aparece no meio da travessia, quente como...





Uma batalha entre copyright e copyleft

Os programas livres são feitos em regime de copyleft, algo como “deixe copiar” ou “cópia livre”. Já os proprietários se valem das leis de copyright, dos direitos autorais, por isso têm seu código fechado, não aberto para que outros possam modificá-los. Os programas livres têm essa possibilidade e significam que deles podem ser feitos programas novos, copiados e vendidos a preços bem mais acessíveis que os softwares proprietários. Mas mais importante que a economia é a apropriação de conhecimento e de tecnologia. Ao invés de o consumidor ser um simples usuário de programa de computador, com o software livre ele tem a possibilidade de criar novos programas. É assim que tem surgido no mundo uma crescente comunidade de programadores livres que, num regime de redes, faz programas e os disponibiliza muitas vezes gratuitamente para uso e alteração de quem quiser. São programas de edição de texto, imagens, envio e recebimento de correios eletrônicos e outros, para uma infinidade de necessidades como, por exemplo, gerenciar caixas eletrônicos, fazer filmes, navegar, usar na telefonia, na indústria de alta precisão etc.

Quem trabalha com copyleft pode ter um modo de produção aberta desde o início. O resultado é que muitos programas feitos dessa forma, baseada na norma, – se você tiver um problema, pelo menos uma entre milhares de pessoas poderá resolvê-lo –, são bem menos onerosos do que os da indústria tradicional. Quem sai ganhando com isso, dizem os hackers (programadores), são as populações que hoje vivem à margem da tecnologia. No Brasil, são quase 90% dos habitantes. A solução para o problema seria copyleft. “O copyright é por si só uma excrescência, uma corruptela. Qualquer um que pense dez minutos se dá conta de que não se pode manter um sistema no mundo inteiro mandando dinheiro para o homem mais rico do mundo, o sr. Bill Gates”, comenta Cláudio Prado, articulador de políticas digitais do Ministério da Cultura, outro ministério interessado nos livres e no debate entre direitos autorais-gravadoras-produção cultural.

Unesco apóia novos programas

A Unesco quer promover a inclusão de portadores de deficiências e para isso os softwares livres são fundamentais. Um recente estudo do organismo sobre políticas de inclusão digital dessa população mostra que é possível e necessário que elas também programem computadores. Além disso, quer possibilitar que comunidades indígenas coloquem sua cultura na internet, promovendo a diversidade cultural e o multilingüismo. É o que diz Cláudio Menezes, do escritório da Unesco em Montevidéu, Uruguai. “Existem mais de oito mil línguas no mundo, mas os computadores só estão disponíveis em 20, 25. As outras estão excluídas digitalmente. Por isso a Unesco trata essa questão como importante para o acesso ao conhecimento universal”, explica. Assim, softwares livres (que também têm como bandeira fazer programas em outras línguas que não as dominantes) ajudam não apenas na inclusão digital, mas, segundo Cáudio, no acesso ao conhecimento como um todo.

Ele lembra que a Unesco tem como objetivo se empenhar na construção das sociedades do conhecimento. “Ora, falar em sociedade do conhecimento em nossa época significa falar em acesso a informações por vias digitais. E a inclusão digital de uma certa maneira mapeia as outras inclusões sociais, a educação, a cultura, o bem-estar etc. Vemos não apenas o crescimento da consciência em relação a essa inclusão, mas os softwares livres como ações concretas para a redução da chamada brecha digital”, aponta.

Visando diminuir essa distância, a Unesco tem promovido o software livre, principalmente a partir de seu escritório em Montevidéu. Menezes é o responsável pelo Programa de Comunicação e Informação da entidade, nos países do Mercosul, que ajuda o movimento software livre a organizar fóruns e seminários para disseminar o uso desses programas - recentemente a entidade apoiou a 2ª e a 3ª Jornada Nacional do Software Livre, promovidas pelo grupo de usuários Linux do Uruguai. Também organiza mesas em eventos internacionais para tratar do tema, além de iniciativas como telecentros pilotos, como é o caso de um no Paraguai.
De dois em dois anos, a Unesco faz um plano de trabalho, e Cláudio nota que cada vez mais está sendo incluída a pesquisa dos benefícios dos softwares livres. Nesse sentido, a Unesco está ultimando um grande projeto para software livre, que será incluído no orçamento da entidade para 2004. Além disso, o 10º Concurso Unesco de teses de mestrado terá este ano um prêmio especial para a melhor tese da América Latina que tenha trabalhado esses programas.

A Unesco também os apóia porque eles dão maiores oportunidades de desenvolver o conhecimento, num processo vinculado ao construtivismo. “Com esses softwares, os estudantes se envolvem, se entusiasmam, se comprometem nos processos de concepção”, afirma. O documento “32 C” dos programas de trabalho e orçamento para 2004 e 2005 da Unesco, à disposição na internet www.unesco.org), traz a proposta de um projeto mundial para disseminação desses programas. Menezes considera os softwares importantes frente à falta de recursos financeiros nos países pobres, mas principalmente como “possibilidade de permitir a criação, a alteração e inclusive de conviver com alguns equívocos, o que é vital para o processo educativo”.


 

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José Luis Fiori

Notas para um debate democrático sobre o “Plano Plurianual 2004 -2007”
Construir uma sociedade dinâmica e moderna, tirar o país da letargia, gerar empregos e riquezas e estabelecer justiça social são objetivos que só serão alcançados com um crescimento firme e duradouro e não se faz uma mudança deste porte sem planejamento.





Uma ponte sobre o Atlântico
Tratar das diferenças filosóficas entre americanos do norte e europeus é certamente uma tarefa árdua. Coube à filósofa italiana Giovanna Borradori, professora do Departamento de Filosofia do Vassar College, em Poughkeespie, Nova Iorque, a missão de...

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