Ano 8 - nº 73
Julho 2003



Luis Fernando Verissimo:
Na França, onde estive até a semana passada*, eles estavam brigando sabe por quê? Reforma da previdência. Para mostrar que pelo menos esta não é uma desarrumação endêmica brasileira.



Nei Lisboa:
O governo Lula é apenas vinte dias mais velho que a Maria Clara, minha linda rebenta, então achei que viria bem aqui fazer algumas comparações. Por exemplo, tal qual o governo, ela estabeleceu como prioridade um programa Fome Zero desde o...



Elisa Lucinda:
“É o verdureiro!.” Aqui tem ele vendendo almeirão, coentro, cebolinha, taiobas, couvezinha fresca, alface com gosto de horta e outras verduras na porta da gente. Pregão delicioso das manhãs. Eu atravesso o lago dourado que aparece no meio da travessia, quente como...





Os estilos e as ruas

Na França, onde estive até a semana passada*, eles estavam brigando sabe por quê? Reforma da previdência. Para mostrar que pelo menos esta não é uma desarrumação endêmica brasileira. A crise da previdência é geral. É, mesmo, a grande crise niveladora do capitalismo mundial, afligindo desde sociais-democracias de verdade até seus arremedos aqui embaixo. Junte-se à falência universal da seguridade social como existe hoje o fato de que a previdência privada é o maior negócio ainda subexplorado do planeta, uma espécie de gigantesco lençol de lucro fácil só esperando que liberem a prospecção, e está explicada a confusão.

A crise só muda de estilo, de país para país. Na França, uma tradição antiga de ativismo sindical e política de rua, atiçada pela atual ameaça a direitos conquistados em outras lutas, teve uma razão a mais para reflorescer com força: a reação dos sindicatos ao projeto do primeiro-ministro Raffarin é o primeiro enfrentamento real entre esquerda e governo desde a derrota dos socialistas nas últimas eleições. Raffarin tem uma confortável maioria parlamentar para aprovar suas reformas - inclusive uma reforma do ensino, que também está sendo combatida - mas a rua francesa n´est pas mole não. As manifestações contra o governo se repetiam, o lixo não recolhido por funcionários em greve se amontoava e o calor não ajudava, as “perturbations” nas linhas de ônibus e metrô eram devidamente anunciadas, inclusive com hora marcada para começar e terminar, mas perturbavam assim mesmo, e todo mundo se lembrava que o último grande movimento popular parecido tinha derrubado outro ministro do monsieur Chirac. Já no Brasil, como se sabe - ou como se sabia quando eu saí de férias, a perplexidade pode ter tomado conta desde então e ninguém sabe mais nada - o maior problema que um governo de esquerda encontra para aprovar suas reformas é com seu próprio partido e, de certa maneira, com a sua própria rua. Nosso estilo não apenas é outro. É inédito.

* * *
A caminho de Paris paramos em Roma para uma visita ao amigo Araujo Netto. Que acabou sendo uma visita de despedida. O Araujo morreu poucos dias depois, cercado pelo carinho das filhas. Foi um dos melhores jornalistas, e uma das melhores pessoas, que conheci.

(*o autor refere-se a fatos ocorridos na primeira quinzena de junho).




José Luis Fiori

Notas para um debate democrático sobre o “Plano Plurianual 2004 -2007”
Construir uma sociedade dinâmica e moderna, tirar o país da letargia, gerar empregos e riquezas e estabelecer justiça social são objetivos que só serão alcançados com um crescimento firme e duradouro e não se faz uma mudança deste porte sem planejamento.





Uma ponte sobre o Atlântico
Tratar das diferenças filosóficas entre americanos do norte e europeus é certamente uma tarefa árdua. Coube à filósofa italiana Giovanna Borradori, professora do Departamento de Filosofia do Vassar College, em Poughkeespie, Nova Iorque, a missão de...

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