| Respostas que estão
no vento |
Artes
de Claudete Sieber
sobre fotos divulgação
da Sec. Minas, Energia
e
Comunicação
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A substituição gradativa da geração
de energia das usinas termoelétricas e hidrelétricas
por fontes renováveis e de baixo impacto ambiental, como
os parques eólicos, vai transformar a paisagem e o mercado
energético do Rio Grande do Sul até o final desta
década. Pelo menos 30 projetos de parques de geração
desse tipo de energia estão em estudo ou em implantação
no Estado. Desses, quinze receberam licença prévia
e oito já obtiveram licenças de instalação
pelos órgãos ambientais. Impulsionada por contratos
de compra firmados com o Programa de Incentivo às Fontes
Alternativas de Energia (Proinfa), do Ministério de Minas
e Energia, a geração de eletricidade a partir da
força dos ventos terá o seu primeiro parque concluído
em Osório até dezembro deste ano. O custo de instalação
dos aerogeradores torna a energia eólica um negócio
inviável do ponto de vista comercial no curto prazo, e a
capacidade de produção dos cinco projetos prioritários
não deverá gerar mais do que 10% de toda a energia
que é consumida no Estado. Mas essas são preocupações
que os investidores preferem deixar para o futuro, já que
os projetos recebem incentivos como a garantia de preços
e compra assegurada da energia gerada pelo prazo de 20 anos.
Gilson Camargo


ais
alta que a chaminé da usina do Gasômetro,
que tem 104 metros acima do chão (vide simulação), e equipada
com pás que totalizam 70 metros de diâmetro, a torre eólica
chega a 107 metros e exige uma fundação de até 30 metros
para sua fixação. Quando os primeiros projetos estiverem implantados,
esses equipamentos semelhantes em tamanho a um boeing, terão alterado
completamente a paisagem do Estado, do Litoral às Missões.
O impacto ambiental, argumentam os defensores da energia eólica – de
empreendedores e analistas do mercado ener-gético a ecologistas –, é insignificante
se comparado com o estrago feito pelas inundações e des-matamentos
necessários para a implantação de uma usina hidrelétrica,
a chuva ácida pro-vocada pelo carvão ou o potencial de risco de
uma usina nuclear.
Até o problema das rotas migratórias de aves, que poderiam se chocar
com as hélices, foi minimizado com a redução da velocidade
de rotação das pás e por um estudo do comportamento das
espécies que determina o traçado das torres fora dos hábitats
das espécies mais comuns no Estado.
Rota de colisão
O Plano de Monitoramento de Fauna instituído pela Fepam deverá ser
aplicado pelas próprias empresas de geração de energia
renovável. Ao expedir a Licença de Instalação,
a Fepam condiciona que o empreendedor faça o monitoramento durante um
ano antes do início da operação e também depois
do parque instalado.
“Para os parques eólicos, os potenciais impactos à fauna podem
ser facilmente evitados pela escolha certa do local para sua implantação.
O afastamento de apenas alguns quilômetros de distância de ambientes
importantes para as espécies ameaçadas e de rotas de aves e morcegos
migratórios pode ser suficiente para evitar impactos”, ressalta
a bióloga Mônica Brick Peres, que coordenou a elaboração
do plano.
Outro estudo, coordenado pelo geógrafo Roberto Verdum, avalia o impacto
das torres na paisagem. “Elaboramos uma metodologia de avaliação
de percepção dos indicadores da paisagem a partir de entrevistas
com os moradores das regiões onde serão instalados os projetos.
O objetivo é estabelecer em conjunto com os moradores quais são
os elementos que definem a identidade de cada localidade para que eles sejam
preservados na implantação dos aerogeradores”, explica
Verdum.
Energia conceitual
Para o engenheiro especia-lizado em energias alternativas, Paulo Milano, da
Siclo Con-sultoria, a operação de um parque eólico no
Estado representa a abertura do mercado para soluções alternativas
na geração de energia. “Em termos de custo e potência
gerada, a energia eólica é pouco significativa e também
não representa uma solução diante do elevado custo da
energia elétrica, que tende a subir cada vez mais, nem à escassez
de energia. Mas representa um dos caminhos mais prováveis na busca
de alternativas de energia limpa. Grande parte dos equipamentos dos parques
eólicos é de produção nacional e nosso mercado
vai aprender com isso e desenvolver novas tecnologias”, projeta Milano.
“O litoral gaúcho tem o maior potencial eólico do país
e é supe-rior ao europeu”, acrescenta o engenheiro mecânico
Alexandre Vagtinski de Paula, integrante da equipe de pesquisas de energias
renováveis e limpas coordenada pelo engenheiro Jorge Alea, do Núcleo
Tecnológico de Energia e Meio Ambiente (Nutema) da PUCRS. “A energia
eólica deve ser estudada como a alternativa mais viável e compensadora
devido ao baixo custo ambiental”, opina Vag-tinski.
Negócio lucrativo
A pesquisa e o desenvolvimento de fontes alternativas de energia conta com
subsídios e incentivos do governo federal. Em alguns casos, como o da
energia eólica ou de biomassa, a venda da produção é extra-leilão,
quer dizer, o empreendedor não fica sujeito às oscilações
do mercado, pois tem a compra e o preço assegurados por contratos prévios
com a Eletrobrás.
O Proinfra destinou 1,4 mil MW para viabilizar a energia eólica no país.
A cota foi inicialmente fixada em 1,1 mil MW, mas aumentou com a sobra de 300
MW da cota de energia de biomassa. De acordo com o secretário estadual
de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres, o Rio Grande
do Sul tem no Proinfa direito a 227,5 MW de produção de energia
eólica numa primeira fase. Os projetos aprovados totalizam 330 milhões
de dólares. Segundo Andres, o Proinfa deverá pagar cerca de R$
202,00 por megawatt/hora (MWh).
| Foto: René
Cabrales |
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Expedição
da Fepam mapeia área
de geração eólica no Rio Grande do Sul |
O primeiro sítio eólico, com 25 aerogeradores, deverá estar
em condições de operar comercialmente em maio de 2006. O segundo
estará pronto em agosto e o último até dezembro de 2006,
completando o complexo de Osório. O total de investimentos nos cinco
projetos prioritários de geração eólica e oito
pequenas centrais hidrelétricas no Proinfa deve chegar a R$ 1 bilhão,
com a geração de 2,5 mil empregos diretos. Serão gerados
405 MW de potência, cerca de 10% da demanda total do Estado.
“O Ministério de Minas e Energia incentiva o desenvolvimento de projetos
de fontes alternativas de energia direcionados à diversificação
da matriz energética brasileira por meio de iniciativas como o Proinfa.
Essas iniciativas são um importante mecanismo de incentivo para o desenvolvimento
de novas tecnologias para a geração de energia, entre as quais
estão incluídas as fontes eólicas”, enfatiza o ministro
interino de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim.
De acordo com o calendário divulgado pelo Ministério, um dos
primeiros cinco parques a ser instalado no Estado será o de Giruá,
município de 18 mil habitantes localizado na região das Missões.
A mais de um ano do início das obras de fundação dos aeroge-radores
pela empresa Ecoprojeto, o parque de geração independente de
11 mil kW já é visto como uma alternativa de geração
de renda com a atração de turistas e valorização
de propriedades rurais. O traçado das torres atravessa parte da propriedade
de 312 hectares do agropecuarista Ivan Haas, que já vislumbra suas 240
cabeças de gado leiteiro e de corte pastando sob os cata-ventos.
“Nosso município não tem indústrias, não arrecada
ICMS e os agricultores vivem uma situação de penúria com
a seca. A construção do parque eólico, que já está com
a licença de instalação aprovada pela Fepam, representa
uma fonte de receitas para o município. Além de gerar energia
de baixo custo, o empreendimento vai atrair indústrias e transformar
a zona rural em atração turística. Os proprietários
das terras onde serão instalados os aerogeradores serão remunerados
e podem seguir produzindo trigo, soja e pastagens para o gado”, argumenta
Haas.
Roteiro dos cata-ventos
O terceiro maior parque eólico do mundo, projetado para ser o modelo
dessa tecnologia no país, está em construção nas
proximidades da Lagoa dos Barros, em Osório. Deverá começar
a operar em dezembro do ano que vem, com 75 aerogeradores que irão jogar
150 megawatts (MW) no sistema elétrico. O investimento totaliza R$ 662
milhões.
| Foto: Divulgação
UFP |
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Parques
eólicos deverão mudar a
paisagem de vários locais do Estado |
A Enerfín do Brasil, controlada pelo grupo espanhol Elecnor, detém
91% do empreendimento, com participação minoritária da
Wobben Wind-power, subsidiária do grupo alemão Enercon. As duas
empresas se associaram à Intercom e criaram a Ventos do Sul Energia,
que fará a operação da usina de Osório. O parque
terá três sítios, cada um com 25 aerogeradores. Cada equipamento
tem capacidade para produzir 2 MW e vida útil média de 20 anos,
prazo em que expira o contrato com o Proinfa. A energia gerada será comprada
pela Eletrobrás.
“No Rio Grande do Sul, há infra-estrutura e uma enorme capacidade empreendedora
do mercado local”, avalia o presidente da Enerfín no Brasil, Telmo
Borba Magadan, ao ressaltar que todos os insumos para a implantação
do parque serão produzidos no Estado. “Será uma energia
complementar com produção durante 35% do ano.” Ao relacionar
as vantagens da energia eólica, como o ganho ambiental e a possibilidade
de venda da energia sem entrar no leilão da Eletrobrás, além
de prazo para amortização dos investimentos, Magadan também
ressalta o potencial turístico do empreendimento. Segundo ele, empresários
e a prefeitura de Torres já pensam em implantar um programa para incentivar
a visitação de turistas à região onde estarão
os aerogera-dores. “Em breve, o litoral gaúcho poderá ter
a Rota dos Cata-ventos, uma atração turística proporcionada
pela geração de energia eólica”, projeta o empresário.
Clique na tabela para ampliar |
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| Turbinas de segunda mão |
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A Alemanha
está entrando numa nova era da energia eólica. Os
empresários pioneiros do ramo ainda continuam na ativa,
mas a primeira geração de turbinas já virou
sucata. A tecnologia evoluiu tanto que os atuais equipamentos têm
potência 30 vezes superior às turbinas de duas décadas.
Como são cada vez mais raras as áreas livres para
instalação de novos cata-ventos, a saída é modernizar
os parques eólicos existentes. A troca das velhas máquinas
por novas começa a gerar um mercado de turbinas usadas que
estão sendo exportadas para o terceiro mundo. O novo mercado
nasceu em 2003 na Alemanha, quando as primeiras turbinas eólicas
usadas foram colocadas à venda no site www.windmesse.de. “Das
primeiras ofertas feitas ali de modo informal, surgiu uma praça
de mercado onde hoje as turbinas usadas são vendidas profissionalmente,
com indicação de todos os dados técnicos e
inclusive fotografias que mostram o estado das máquinas”,
declarou ao site www.dw-world.de a interme-diadora das negociações,
Andréa Kröger. O presidente da Associação
Alemã de Energia Eólica, Peter Ahmels, reconhece
o potencial do novo mercado, mas adverte: “Se as turbinas
usadas forem exportadas, é preciso também garantir
um serviço de assistência técnica in loco.
Alguns fabricantes já estabeleceram bases nos países
de destino de seus produtos. Mas há também máquinas
que não foram fabricadas em grande quantidade, cuja manutenção
no exterior se torna complicada”. A Enercon, líder
do mercado de energia eólica na Alemanha, considera as turbinas
desligadas e amortizadas no país impróprias para
a exportação porque as máquinas apresentam
freqüentes sinais de desgaste.
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