O deputado estadual Ivar Pavan, ao defender albergues públicos, aproveitou
para lembrar que o governo do RS está sendo processado por negar recursos
para a Saúde, ao mesmo tempo que alguns pacientes furam a fila do SUS
e são forçados a pagar por cirurgias. Todos os deputados que têm
albergues são de partidos da base governista. O nexo estabelecido pelo
deputado dá o que pensar. Ele diz que o governo nega mais de R$ 660 milhões
para a Saúde, e que, se a base governista quer fazer bem à Saúde
do Estado, precisa votar por ela, e não retirar recursos. O parlamentar
diz que os cortes não demonstram compromisso com a população
doente, mas interesse pelos votos. “Colocá-los em albergues é a
forma mais barata de conquistar votos”, destaca.
Lavanderia
O promotor de Justiça Ivan Melgaré denunciou por crimes de estelionato
e formação de quadrilha dois ex-dirigentes do Grêmio, José Alberto
Machado Guerreiro e Martinho Clóvis Camelo de Faria; dois diretores
da filial da ISL no Brasil, Wesley Callegari Cardia e Nilton Maia Leão;
doleiros e laranjas, Valmor Schaefer, Jamel Nasser, Cesar Augusto da Costa
Roweder, Celso José da Costa Roweder, Emerson Borges de Jesus, Tcharles
de Abreu; e o empresário gaúcho Jorge Sirena Pereira, conhecido
nos meios sociais como Dody Sirena, que já esteve ligado à produção
de eventos como o Rock in Rio. Para o promotor de Justiça Ivan Melgaré,
a associação ficou perfeitamente caracterizada. O bando agiu
de maneira organizada e usou o nome e imagem do clube, valendo-se do intercâmbio
de ações e informações entre os próprios
agentes e grupos distintos (doleiros), com ramificações em diversos
estados-membros da Federação.
Legalização do lobby
A campanha de legalização do lobby respeita os mesmos paralelos
que os da legalização da maconha. Segue o princípio da
descriminalização, na lógica de regular para evitar o
ilícito, que é favorecido pela clandestinidade. O senador Marco
Maciel, assim como especialistas e políticos, defendem a tese de que
a prática do lobby é necessária para que se criem canais
de comunicação entre a sociedade civil e o governo. Necessário
ou não, o fato é que o lobby é prática já inserida
no contexto político nacional e sua regulamentação é discutida
desde 1983, quando o senador apresentou projeto de lei com essa finalidade.
A proposta é de ampliar e aperfeiçoar a disciplina legal dos
grupos de pressão ou de interesse com atuação junto ao
Congresso Nacional. O jornal Valor Econômico, de 24 de junho, retomou
o debate e lembrou a declaração do ex-ministro Cristóvão
Buarque: “O lobby no Brasil usa gravata, calça, sapato engraxado
e tem dentição completa. Não tem lobby de pé descalço
e banguela”, quando ainda era ministro. E arrematou: “A discussão
do orçamento passa por aí: temos de ter superávit, pagar
dívida, cumprir os acordos, manter a estabilidade e atender os lobbies
que se expressam no Parlamento”. Por um lado, a declaração
de Buarque sugere que a atividade de “lobista” não é legítima,
uma vez que não dá chances aos sem-gravata. Por outro lado conclui,
con-formadamente, que a atividade de grupos de pressão – formados
essencialmente por lobistas engravatados – já é intrínseca
ao processo político brasileiro. Mas, como distinguir o lobby legítimo
do tráfico de influência? E como saber se os instrumentos de pressão
utilizados passaram ao largo da corrupção? “Este é o
problema”, levantado por Andréa de Jesus Oliveira, socióloga,
que defendeu tese de doutorado sobre o assunto. “A mídia é a
grande vilã por isso, por não saber identificar a atuação
do lobista. Todo escândalo é noticiado como lobby. A imprensa
começou a utilizar o termo de forma pejorativa, contribuindo para o
estigma que o lobby tem hoje.” A socióloga afirma que os próprios
lobistas brasileiros não aceitam ser chamados por esse nome. Por isso
mesmo, é simplesmente impossível encontrar lobistas em Brasília.
Para não viverem na clandestinidade, eles se apresentam como consultores
políticos, analistas parlamentares ou empresas especializadas em relações
governamentais.
Verba para clientelismo
Aprovado em 22 de junho o Projeto de Decreto Legislativo que autoriza a concessão
de auxílios e subvenções pelos deputados a entidades,
prefeituras e pessoas físicas. A bancada petista votou contra a proposta,
argumentando que a distribuição de recursos pecuniários
não é papel dos parlamentares. Para o deputado Raul Pont, a resolução
aprovada não estabelece critérios objetivos para as doações
e estimula o clientelismo. Cada parlamentar gaúcho tem direito a R$
25 mil por ano, que podem ser repassados para municípios, entidades
ou estudantes de sua escolha. Historicamente, a bancada do PT combate as subvenções
parlamentares, já tendo apresentado propostas para acabar com o mecanismo
ou transferir os recursos para o Fundo da Criança e do Adolescente e
para o combate aos efeitos da seca. Mas as tentativas de transferir os recursos
para fundos foram barradas até agora, pois vão contra os interesses
dos deputados que se beneficiam com elas.
Abertura do mercado da educação
O ministro da Educação, Tarso Genro, defendeu a idéia
de que o Brasil não deve apresentar nenhuma proposta de abertura de
seu mercado da educação, sob pena de perder seu poder regulatório.
Ao regulamentar e supervisionar a educação, pública ou
privada, o Estado fortalece a identidade cultural do seu povo, seu compromisso ético
e cívico com o país e com a elevação dos níveis
de bem-estar social. A declaração foi dada em audiência
pública na Comissão de Educação da Câmara
dos Deputados para debater a inclusão da Educação no Acordo
Geral de Tarifas e Comércio da Organização Mundial do
Comércio (OMC) no início de junho.
Justiça
parcial
Em matéria publicada no Extra Classe de número 7,
em outubro de 1996, intitulada A impunidade do Capital, o repórter
Ulisses Nenê chamava a atenção para a degradação
da Justiça do Trabalho, que passara a julgar parcialmente,
em escala sem precedentes, de forma favorável as empresas
e os interesses econômicos. Hoje, principalmente no interior
do Estado, muitos juízes do Trabalho ainda decidem conforme
a cara do patrão, e não são incomuns decisões
que preterem os direitos de trabalhadores em favor de interesses
políticos de oligarquias e corporações locais.
Na época, advogados trabalhistas rebelaram-se contra o Judiciário.
Hoje, a crise ética de que falava a matéria permanece,
mas aparece muito pouco. Vale a pena reler e comparar com o presente.
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