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recente pesquisa publicada na imprensa, a população
ficou
chocada com a notícia de que o Brasil aparece em segundo
lugar em termos de má distribuição de renda, perdendo o
posto humilhante de primeiro lugar para Serra Leoa, na África, um país
miserável e sucumbido pela fome e pela disputa do poder por grupos armados.
Nosso país tem índices realmente surpreendentes, à medida
que menos de 2% da população detêm uma renda per capita igual
ou superior a 50% da população economicamente ativa, não é de
se surpreender que, no Brasil, poucos têm moradia digna, poucos têm
uma alimentação adequada; raros são aqueles que trabalham
e ganham um salário condizente para satisfazer suas necessidades mais
básicas e poucos são os que possuem acesso ao ensino de qualidade.
Hoje o Brasil detém apenas 18% de seus jovens na faculdade enquanto países
como a Coréia do Sul apresenta 82%. Isso representa muito mais do que
um simples dado estatístico, representa uma das faces do atraso socioeconômico
que o país atravessa, sem acesso à educação e sem
um plano político-pedagógico adequado para as reais demandas. O
país está ancorado no rumo do pretendido progresso social, criando
um ciclo vicioso onde o déficit educacional leva a mais desigualdade social
e maior abismo econômico entre as classes sociais.
Em diversos países a educação é vista como um dos
pilares para o desenvolvimento e, sem dúvida, o motor de geração
de riquezas e maior coesão das classes. O conhecimento epistemológico
do aprender a aprender renasce nas idéias de Paulo Freire, em que a educação
começa nas pequenas ações do dia-a-dia, no pensar e agir,
no fazer e refletir. Será que no Brasil não está faltando
justamente esse novo olhar, esse novo caminhar? Será que realmente damos à educação
o valor que ela merece? A quem estamos satisfazendo: ao mercado externo ou à população
brasileira? São questionamentos pertinentes à situação
atual onde as respostas nós já sabemos. E quem sabe, daqui a alguns
anos, uma nova pesquisa será realizada e constataremos, mais uma vez surpreendidos: “...
Serra Leoa alcança maior renda per capita do mundo. Brasil aparece em...”.
São apenas números, índices, somos a nação
do futuro, de um futuro não tão distante.
* Professor da Fisioterapia da UPF/RS
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