Ano 10 - nº 93
Julho 2005



Luis Fernando Verissimo:
Uma vez perguntaram ao James Joyce por que estava escrevendo Finnegans Wake e ele respondeu: “Para manter os críticos ocupados por trezentos anos”. Poderia ter dito o mesmo de Ulisses, que nos 83 anos desde sua publicação tem mantido ocupados críticos, acadêmicos, explicadores – e tradutores.




Nei Lisboa:
Agora também ando malhando, pra não deixar que a adiposidade tome conta, e bem entusiasmado, aliás, entre esteira, musculação e alongamentos, aprendendo tudo sobre tríceps e tibiais. Nada como um banho restaurador depois da academia, a alma da gente fica nova e perfumada. Por outro lado...



Elisa Lucinda:

Era um programa bonito sobre esse Dorival.
Eu almoçava vendo televisão.
Fascinada.
Aqueles versos, aquelas redes
aquele cardumes de liras,
aquela música amorosa limpa
apimentada e mágica
brotando daqueles lábios carnudos daquela boca coração dele...





Índices...
Prof. Anderson V. Cattelan*

m recente pesquisa publicada na imprensa, a população ficou chocada com a notícia de que o Brasil aparece em segundo lugar em termos de má distribuição de renda, perdendo o posto humilhante de primeiro lugar para Serra Leoa, na África, um país miserável e sucumbido pela fome e pela disputa do poder por grupos armados.

Nosso país tem índices realmente surpreendentes, à medida que menos de 2% da população detêm uma renda per capita igual ou superior a 50% da população economicamente ativa, não é de se surpreender que, no Brasil, poucos têm moradia digna, poucos têm uma alimentação adequada; raros são aqueles que trabalham e ganham um salário condizente para satisfazer suas necessidades mais básicas e poucos são os que possuem acesso ao ensino de qualidade. Hoje o Brasil detém apenas 18% de seus jovens na faculdade enquanto países como a Coréia do Sul apresenta 82%. Isso representa muito mais do que um simples dado estatístico, representa uma das faces do atraso socioeconômico que o país atravessa, sem acesso à educação e sem um plano político-pedagógico adequado para as reais demandas. O país está ancorado no rumo do pretendido progresso social, criando um ciclo vicioso onde o déficit educacional leva a mais desigualdade social e maior abismo econômico entre as classes sociais.

Em diversos países a educação é vista como um dos pilares para o desenvolvimento e, sem dúvida, o motor de geração de riquezas e maior coesão das classes. O conhecimento epistemológico do aprender a aprender renasce nas idéias de Paulo Freire, em que a educação começa nas pequenas ações do dia-a-dia, no pensar e agir, no fazer e refletir. Será que no Brasil não está faltando justamente esse novo olhar, esse novo caminhar? Será que realmente damos à educação o valor que ela merece? A quem estamos satisfazendo: ao mercado externo ou à população brasileira? São questionamentos pertinentes à situação atual onde as respostas nós já sabemos. E quem sabe, daqui a alguns anos, uma nova pesquisa será realizada e constataremos, mais uma vez surpreendidos: “... Serra Leoa alcança maior renda per capita do mundo. Brasil aparece em...”. São apenas números, índices, somos a nação do futuro, de um futuro não tão distante.

* Professor da Fisioterapia da UPF/RS

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