Ano 10 - nº 93
Julho 2005



Luis Fernando Verissimo:
Uma vez perguntaram ao James Joyce por que estava escrevendo Finnegans Wake e ele respondeu: “Para manter os críticos ocupados por trezentos anos”. Poderia ter dito o mesmo de Ulisses, que nos 83 anos desde sua publicação tem mantido ocupados críticos, acadêmicos, explicadores – e tradutores.




Nei Lisboa:
Agora também ando malhando, pra não deixar que a adiposidade tome conta, e bem entusiasmado, aliás, entre esteira, musculação e alongamentos, aprendendo tudo sobre tríceps e tibiais. Nada como um banho restaurador depois da academia, a alma da gente fica nova e perfumada. Por outro lado...



Elisa Lucinda:

Era um programa bonito sobre esse Dorival.
Eu almoçava vendo televisão.
Fascinada.
Aqueles versos, aquelas redes
aquele cardumes de liras,
aquela música amorosa limpa
apimentada e mágica
brotando daqueles lábios carnudos daquela boca coração dele...





CINEMA EM BAGÉ
Campanha foi bem recebida pela comunidade em sessão lotada

Mais de 250 pessoas foram ao Teatro Justino Quintana, no dia 16 de junho, para assistir ao filme Meu tio matou um cara, de Jorge Furtado. A iniciativa marcou o lançamento da campanha “Eu Quero Cinema em Bagé”, promovida pela Fundação Cultural e Assistencial Ecarta, com apoio do Sinpro/RS. Esteve presente também o ator Artur Pinto, que no filme fez o papel do agente penitenciário. Ao final da exibição, o público aplaudiu em pé. “Tinha preconceito com filme brasileiro, mas este é muito bom”, revelou Marcel Perez, 18 anos, artista plástico. Ele se diz entusiasmado com a campanha e aproveita para reivindicar também um espaço para as artes plásticas. “Em Bagé a gente não faz nada. Aqui não temos nem barzinho com música ao vivo com entrada gratuita”, desabafou Tiago Jardim, 20 anos, estudante de publicidade. Tiago assistiu ao filme e gostou. Diz que acha a campanha importante e que está na torcida para que seja inaugurada uma sala o mais rápido possível. A advogada Magda de Leon, 26 anos, também está animada com a possibilidade de instalação de um cinema na cidade. “O último filme que vi foi em Porto Alegre, Netto perde sua alma”, conta.

A campanha “Eu Quero Cinema em Bagé” busca mobilizar empresários, políticos e comunidade em geral para a efetivação de um cinema no município. “Fomos informados de que já está em construção uma sala”, expõe Cecília Bujes, diretora do Sinpro/RS. “E já estamos apoiando a iniciativa. É impossível que uma cidade do porte de Bagé, com mais de 120 mil habitantes, não tenha cinema.” Ela lembra que o município chegou a contar, no passado, com sete salas. O presidente da Fundação Ecarta, Marcos Fuhr, lembra que Bagé é uma cidade universitária. “A Fundação Ecarta foi criada para potencializar a política cultural do Sindicato dos Professores e se sente comprometida com o desenvolvimento cultural de todas as comunidades de nosso Estado”, destaca. Ele lembra que não basta ter sala de cinema. “A oferta de programação de filmes de qualidade é muito importante.”A diretora do Sinpro/RS, Regional Bagé, Margarete Provenzano, acentua que o resgate cinematográfico na cidade passa pela ação conjunta da comunidade.

DOAÇÃO – O ingresso para a sessão do filme foi um alimento não-perecível ou um agasalho. Foram arrecadados 140 quilos de alimentos e 200 agasalhos, doados para os programas Repartir o Pão e Calor para Todos, da prefeitura municipal de Bagé, no dia 20 de junho. A assistente social Mônica Vieira recebeu as doações.

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