A persistência das desigualdades regionais no
Rio Grande
do Sul
(parte 2)
José A. F. Alonso*

esta
segunda parte do debate sobre as desigualdades regionais no RS,
discutiremos algumas condições que julgamos essenciais
na formulação de políticas para superar o
subdesenvolvimento regional.
A primeira condição refere-se à clareza e
convicção da necessidade de realizar mudanças
estruturais para alcançar os resultados desejados. Não é o
que tem acontecido em nosso meio, onde as propostas têm sido
superficiais e envoltas por pesados esquemas de marketing político.
Os resultados têm gerado frustrações e desesperanças
coletivas, que quase sempre acabam por reforçar aquilo que
queriam combater, as desigualdades.
A segunda condição é a crença de que
a construção do desenvolvimento deve ter como centro
a inclusão, portanto, deve ser para todos, indistintamente.
Esta condição traz implícita a idéia
de que todos devem ter a oportunidade de participar dessa construção,
ainda que com diferentes papéis.
A terceira condição refere-se aos diferentes tempos
de discussão, planejamento, execução e obtenção
dos resultados do desenvolvimento. Na verdade, modificações
profundas nas estruturas econômicas e sociais são
obtidas em prazos longos, que muitas vezes ultrapassam os horizontes
de tempo de gestão política e até da existência
das pessoas. Portanto, a superação do subdesenvolvimento,
definitivamente, não é tarefa para imediatistas.
A quarta condição é evitar posicio-namentos
ingênuos ao tratar das questões próprias do
subdesenvolvimento. Uma ingenuidade muito comum é pensar
que seja possível reduzir as desigualdades somente com políticas
públicas. Outra ingenuidade mais sedutora, e ao mesmo tempo
mais perigosa, é imaginar que o livre funcionamento das
forças do mercado seja suficiente para atingir os padrões
desejados de desenvolvimento.
A quinta condição refere-se à controvérsia “endogenia” versus “exogenia” muito
comum entre os formuladores de políticas do RS nas últimas
décadas. A ortodoxia adotada tanto em relação
aos aspectos endógenos quanto aos exógenos do desenvolvimento
regional pode levar a equívocos que produzam resultados
inferiores aos esperados. Não é razoável crer
que possa haver regiões que tenham capacidade endógena
absoluta ou que dependam somente de fatores exógenos para
se dinamizar. Na verdade, é a realidade de cada recorte
regional e as opções coletivas da sociedade que definirão
a combinação ideal de elementos endógenos
e exógenos a ser adotada. A inobservância de uma
ou mais dessas cinco condições pode levar ao fracasso
dos esforços pela superação do subdesenvolvimento
nas regiões mais pobres do Estado.
*
Economista da Fundação de Economia e Estatística
do Rio Grande do Sul (FEE) e-mail:
alonso@fee.tche.br