Ano 11 - nº 104
JULHO de 2006



Luis Fernando Verissimo
Agora começa a fase forense. A fase em que se examina os vestígios do desastre atrás da sua causa, se peneira as cinzas tentando identificar a origem do incêndio, se busca impressões digitais e pistas que incriminem um culpado.



Elisa Lucinda
Outra vez eu te peço meu Deus,
dai-me uma noite de sono tranqüilo,
a noite que eu preciso pra ajeitar meu caos?
Uma noite de sono liso,
não uma noite de improviso,
dá-me uma noite de sono natural?
Aquela oferecida às crianças que acabaram de mamar,



Fraga

Altivo e altaneiro, o alfabeto alojou-se nas almofadas e ali, de alpercatas, alumiou a alameda:
– Alguém aí almeja aliterar alegremente?
Palradoras e parladeiras, as palavras propuseram um porém. Pleiteavam, primeiro, as prerrogativas das provocações:



José A. F. Alonso

A primeira condição refere-se à clareza e convicção da necessidade de realizar mudanças estruturais para alcançar os resultados desejados. Não é o que tem acontecido em nosso meio, onde as propostas têm sido superficiais...





A persistência das desigualdades regionais no
Rio Grande do Sul (parte 2)

José A. F. Alonso*


esta segunda parte do debate sobre as desigualdades regionais no RS, discutiremos algumas condições que julgamos essenciais na formulação de políticas para superar o subdesenvolvimento regional.

A primeira condição refere-se à clareza e convicção da necessidade de realizar mudanças estruturais para alcançar os resultados desejados. Não é o que tem acontecido em nosso meio, onde as propostas têm sido superficiais e envoltas por pesados esquemas de marketing político. Os resultados têm gerado frustrações e desesperanças coletivas, que quase sempre acabam por reforçar aquilo que queriam combater, as desigualdades.

A segunda condição é a crença de que a construção do desenvolvimento deve ter como centro a inclusão, portanto, deve ser para todos, indistintamente. Esta condição traz implícita a idéia de que todos devem ter a oportunidade de participar dessa construção, ainda que com diferentes papéis.

A terceira condição refere-se aos diferentes tempos de discussão, planejamento, execução e obtenção dos resultados do desenvolvimento. Na verdade, modificações profundas nas estruturas econômicas e sociais são obtidas em prazos longos, que muitas vezes ultrapassam os horizontes de tempo de gestão política e até da existência das pessoas. Portanto, a superação do subdesenvolvimento, definitivamente, não é tarefa para imediatistas.

A quarta condição é evitar posicio-namentos ingênuos ao tratar das questões próprias do subdesenvolvimento. Uma ingenuidade muito comum é pensar que seja possível reduzir as desigualdades somente com políticas públicas. Outra ingenuidade mais sedutora, e ao mesmo tempo mais perigosa, é imaginar que o livre funcionamento das forças do mercado seja suficiente para atingir os padrões desejados de desenvolvimento.

A quinta condição refere-se à controvérsia “endogenia” versus “exogenia” muito comum entre os formuladores de políticas do RS nas últimas décadas. A ortodoxia adotada tanto em relação aos aspectos endógenos quanto aos exógenos do desenvolvimento regional pode levar a equívocos que produzam resultados inferiores aos esperados. Não é razoável crer que possa haver regiões que tenham capacidade endógena absoluta ou que dependam somente de fatores exógenos para se dinamizar. Na verdade, é a realidade de cada recorte regional e as opções coletivas da sociedade que definirão a combinação ideal de elementos endógenos e exógenos a ser adotada. A inobservância de uma ou mais dessas cinco condições pode levar ao fracasso dos esforços pela superação do subdesenvolvimento nas regiões mais pobres do Estado.

* Economista da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE) e-mail: alonso@fee.tche.br









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