Ano 11 - nº 104
JULHO de 2006



Luis Fernando Verissimo
Agora começa a fase forense. A fase em que se examina os vestígios do desastre atrás da sua causa, se peneira as cinzas tentando identificar a origem do incêndio, se busca impressões digitais e pistas que incriminem um culpado.



Elisa Lucinda
Outra vez eu te peço meu Deus,
dai-me uma noite de sono tranqüilo,
a noite que eu preciso pra ajeitar meu caos?
Uma noite de sono liso,
não uma noite de improviso,
dá-me uma noite de sono natural?
Aquela oferecida às crianças que acabaram de mamar,



Fraga

Altivo e altaneiro, o alfabeto alojou-se nas almofadas e ali, de alpercatas, alumiou a alameda:
– Alguém aí almeja aliterar alegremente?
Palradoras e parladeiras, as palavras propuseram um porém. Pleiteavam, primeiro, as prerrogativas das provocações:



José A. F. Alonso

A primeira condição refere-se à clareza e convicção da necessidade de realizar mudanças estruturais para alcançar os resultados desejados. Não é o que tem acontecido em nosso meio, onde as propostas têm sido superficiais...





O mistério do interregno

gora começa a fase forense. A fase em que se examina os vestígios do desastre atrás da sua causa, se peneira as cinzas tentando identificar a origem do incêndio, se busca impressões digitais e pistas que incriminem um culpado. Enfim, se procura uma explicação e se prepara um julgamento.

Se fosse uma história policial, um bom título seria “O mistério do interregno”. Pois o que está exigindo elucidação, acima de qualquer outra coisa, é o que aconteceu no período entre a vitória brasileira na Copa das Confederações e a derrota brasileira na Copa do Mundo. Entre o evento que criou todas as expectativas de um sucesso brasileiro na Copa e o evento que frustrou estas expectativas e deprimiu uma nação inteira. O que foi que aconteceu?

Os times de um evento e do outro eram mais ou menos os mesmos. Ninguém envelheceu mais do que os poucos meses que se passaram entre um torneio e outro. Ninguém teve problemas físicos ou psíquicos, que se saiba, que justificasse a mudança entre os que jogaram então e jogaram agora. O técnico e a comissão técnica eram os mesmos. Não há notícia de uma reversão do pólo magnético da Terra no período, o que poderia explicar o desaparecimento do futebol de uma hora para outra. O que foi então?

As investigações devem se concentrar no interregno. O que aconteceu, aconteceu no interregno. Foi no interregno que os brilhantes perderam o brilho e o quadrado perdeu a mágica. A derrota na Copa nasceu e se criou no interregno – é preciso agora destrinchar o seu DNA.

O interregno, de certa forma, absolve o Parreira. Depois do que jogou na Copa das Confederações, ele seria louco de mudar o time? Como ele iria adivinhar que algo sombrio e indefinível aconteceria com o time no interregno, e o time não era mais o mesmo? Mas, outro mistério: se Parreira reconheceu os estragos feitos pelo interregno e mudou o time, por que voltou atrás depois da vitória sobre o Japão e escalou o time amaldiçoado pelo interregno? Talvez o interregno o tenha amaldiçoado também.

Investigue-se o interregno. A própria palavra já é intrincada e feia, sugerindo coisas subterrâneas e obscuras. A solução do mistério está no interregno.







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