Nas últimas décadas,
o cenário
internacional tem sido palco
de crises que vão desde os conflitos
bélicos até os problemas de
ordem econômica. No campo da
ordem econômica nada preocupa
mais do que a elevação consistente
da inflação internacional,
puxada pelos preços de commodities
minerais tendo, à frente, o petróleo,
e agrícolas, caso de grãos estratégicos
como a soja e o milho.
Na verdade, a subida dos preços
difunde-se por toda a cadeia de
produtos alimentares. Todo este
conjunto de produção e formação
de preços opera de forma articulada
tendo como centro de tudo
a escassez energética e o aumento
substantivo do consumo de alimentos
no mundo. Com efeito, há um
tenso debate internacional sobre o uso das terras
para produzir
alimentos ou energia renovável
(etanol), esta última como alternativa
ao petróleo. Queremos discutir
quais são as possibilidades
de uma inserção favorável da
economia
gaúcha neste contexto.
O Rio Grande do Sul tem uma
longa e bem-sucedida história de
produção alimentar. Sempre ocupou
lugar de destaque não só no
Brasil, mas também no competitivo
mercado internacional. Há amplas
possibilidades para as carnes bovinas, suínas
e de aves, desde que seja dada atenção
especial às
exigências sanitárias,
utilizadas, muitas vezes, como
barreiras protecionistas por países
e blocos econômicos. Produtores
e governo devem exercer vigilância
rigorosa sobre esses aspectos
da produção. Ainda no âmbito
da produção animal, amplia-se
o espaço para a exportação
de
leite e sua ampla gama de derivados.
O estado tem, igualmente,
expertise na produção de grãos,
em especial, em arroz, em soja,
em trigo e em milho, este último, é
parte da cadeia produtora
de suínos e aves. No caso da soja,
desenham-se amplas possibilidades
de expansão da demanda externa,
não só com finalidade alimentar,
como também energética.
No caso do trigo, espera-se uma
elevação dos preços internacionais,
o que tende a viabilizar a
substituição de importações
deste
cereal.
Todavia, o aproveitamento dessas
oportunidades de expansão da
renda e do emprego depende de
cuidados especiais com os gargalos
existentes na infra-estrutura
de transportes, armazenagem e portos,
bem como com as dificuldades
impostas pela excessiva
burocratização das operações
de
comércio internacional. Além disso,
nossos produtores devem estar
convencidos de que necessitam buscar,
obsessivamente, a melhoria da
qualidade da produção, como elemento-
chave para a manutenção
desses mercados por longo tempo.
* Economista