Um paradoxo
chamado Brasil

Brasil
que literalmente meteu os pés pelas mãos
e se impôs pacificamente aos impérios bélicos
e
econômicos como o verdadeiro dono da bola
vive a contradição da democracia social e racial
dentro dos campos e uma das maiores desigualdades
fora deles. Em entrevista exclusiva com o professor
da USP, José Miguel Winsik, sobre seu novo
livro, Veneno remédio – o futebol e o Brasil, buscamos
algumas respostas e levantamos tantas outras perguntas
no sentido de desatar os nós-cegos, que ao
mesmo tempo amarram e separam a cultura de massa
da escola formal. Outro aspecto abordado é o da
pequenez das instituições diante da imensidão
da
complexa realidade brasileira e da incapacidade da
sociedade organizada em dar conta dos grandes problemas
da nação.
Um exemplo disso é a tentativa de modificar o
cenário do trânsito porto-alegrense abarrotado de
carroças
de coleta de lixo reciclável por meio de uma
velha prática legislativa: o canetaço. Só que
por trás
das carroças que atrapalham o trânsito – já abarrotado
de automóveis além da capacidade das ruas – existem
pessoas. São famílias inteiras que tiram
seu
sustento do papel, das latas e outras sucatas, vivendo à
mercê das máfias do lixo e da falta de políticas
que as incluam na sociedade que tanto critica sua
presença nas avenidas.
Paralelo a tudo isso, a governadora Yeda Crusius
amargou seu pior abalo até agora, ainda em decorrência
da fraude do Detran e das divergências internas
com seu vice, Paulo Feijó, que quebrou o protocolo
informal da política ao revelar seu diálogo com
o agora ex-chefe da Casa Civil do Governo, Cézar
Busatto. Certamente ainda haverá muitos capítulos
nessa história e repercussões nas eleições
municipais
deste ano e majoritárias em 2010. Boa Leitura.