Região
Sul supera metas
de avaliação do Ideb
As redes públicas da região Sul se destacaram nos índices
de desenvolvimento da Educação Básica (Idebs)
de 2007
relativos à oitava série do Ensino Fundamental. Os
estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm 22 redes
municipais com desempenho superior a cinco pontos no Ideb, superando
as metas fixadas pelo Ministério da Educação
para 2007. Na quarta série do Ensino Fundamental, 13 redes
também alcançaram mais de seis pontos, ultrapassando
as metas de 2007 e 2009. Os dados da região Sul integram
os índices de desenvolvimento da Educação
Básica pública do Brasil, por município e
por escola, divulgados em junho pelo MEC.
Da Redação

s
redes públicas da Educação Básica que
alcançaram índices acima de seis pontos
estão no patamar dos países mais desenvolvidos
e industrializados do mundo, segundo
a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE). A meta do Ministério
da Educação é que todas as redes alcancem
seis pontos em 2022, ano do
bicentenário da independência do Brasil.
Dos 956 municípios da região Sul que participaram
do Ideb em 2005 e 2007, na quarta
série do Ensino Fundamental, 855 alcançaram
as metas em 2007, o que representa 89,4% de
todos os alunos dessa série nos três estados. O
Paraná obteve 90,8%; Santa Catarina, 90,9%;
Rio Grande do Sul, 86,6%.
Na oitava série, a região teve 1.061 municípios
com Idebs pesquisados nos anos de 2005 e
2007. Destes, 812 (76,5%) alcançaram a meta
em 2007: Paraná, 86,3%; Santa Catarina,
70,04%; e Rio Grande do Sul, 71%. O Ideb do
Ensino Médio nacional passou de 3,4 pontos
em 2005 para 3,5 pontos em 2007.
O cálculo do Índice da Educação Básica
combina o desempenho dos alunos dos sistemas
estaduais e municipais na Prova Brasil com
dados do Sistema de Avaliação da Educação
Básica (Saeb). As provas são aplicadas a cada
dois anos. A Prova Brasil é um teste de leitura
e Matemática para turmas de quarta e oitava
séries do Ensino Fundamental (ou quinto e
nono anos, nos sistemas de nove anos). Os alunos
do Ensino Médio fazem o Saeb, que também
avalia habilidades em Língua Portuguesa,
com foco na leitura, e Matemática, através da
resolução de problemas. O Saeb é uma avaliação
por amostra.
SÍNDROME DO RANKING – Na opinião
do presidente do Conselho Estadual de
Educação do RS (CEED/RS), Jorge Renato
Johann, a avaliação do Ideb representa um
avanço para o RS. “Ainda se percebe grandes
diferenças entre as regiões Norte e Sul do estado,
mas considero plenamente possível alcançarmos
os índices desejados até 2022, conforme
previsão do MEC”, projeta.
A Professora Helena Côrtes,
coordenadora do curso de Pedagogia Multimeios da PUCRS, é
mais crítica em relação à evolução
dos números
do Ideb. “Sempre há um crescimento,
mas não considero os índices bons para o RS.
Temos condições de melhorar”, ressalva. Ela
lembra que pesquisas como o Ideb, Enade e
Enem são ótimas e necessárias, pois definem
aporte de recursos financeiros. No entanto, não
podem ser vistas de forma isolada. “No Brasil,
temos uma ‘síndrome do ranqueamento’ e os índices
acabam sendo usados apenas como propaganda. É
preciso um processo de acompanhamento
desses dados, que devem ser analisados
e interpretados corretamente, pois eles devem
gerar políticas públicas para a Educação. É isso
que ainda falta”, sinaliza. Para Helena Côrtez,
as diferenças apresentadas pelas regiões Norte
e Sul do estado são geográfica e economicamente
explicáveis, porém, ainda existem desafios
básicos, como a informatização de toda a
rede pública, que, segundo previsão do MEC,
será alcançada em 2011.
Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS, considera
que a avaliação é um importante indicador,
seja na constatação da correção no
desenvolvimento
de projetos pedagógicos, seja
como sinalizador da necessidade de mudanças. “Devemos
ter cuidado, porém, para que a avaliação
do índice de desenvolvimento não
minimize as grandes diferenças de recursos
entre as escolas públicas. Há redes que têm
uma vocação maior para o atendimento nessa área
e investem de forma significativa na Educação.
Já outras, não. O importante é que sejam
oferecidas a alunos e professores as condições
necessárias para que durante o processo
haja, de fato, aprendizagem”, pondera Cecília.
AMÉRICA LATINA – Uma pesquisa do
Laboratório Latino-Americano de Avaliação
da
Qualidade da Educação, ligado à Organização
das Nações Unidas para Educação, Ciência
e Cultura (Unesco), feita em 16 países da
América Latina, por sua vez, revela que os alunos
da terceira série do Ensino Fundamental
do Brasil não conseguem demonstrar o conhecimento
esperado em leitura e Matemática. Na
sexta série, há avanços em leitura: metade
dos
estudantes pesquisados está dentro da meta.
Já em Matemática, a avaliação é negativa.
O único país latino-americano em que
a maioria dos estudantes, em ambas as séries e em todas
as disciplinas, aparece no nível mais alto de
aprendizagem é Cuba. Chile, Costa Rica, México
e Uruguai tiveram avaliações melhores que
a brasileira, mas mantêm muitos alunos nos níveis
mais baixos de aprendizagem. O estudo foi
feito com provas em turmas de terceira e sexta
séries do Ensino Básico em leitura, Matemática
e Ciências com mais de 200 mil alunos de
16 países. O Brasil não participou do exame de
Ciências.

Mais Educação:
Notas
Sinpro/RS
consolida política de
negociação e formalização dos
planos de carreira docente