Sinpro/RS
consolida política de
negociação e formalização dos
planos de carreira
docente
Da Redação

ormado
por professores, dirigentes do
Sindicato e assessores jurídicos, o Núcleo
de Planos de Carreira (NPC), instituído
no dia 21 de junho no Sinpro/RS, visa
ao aprofundamento do debate, análise e negociação
com as instituições de Ensino Superior
para a formalização dos instrumentos
de progressão docente a partir de critérios
bem definidos, como titulação, tempo de serviço
e produção acadêmica.
A proposta do Sinpro/RS é dar consistência
jurídica e trabalhista aos planos de carreira.
Em muitas universidades e centros universitários,
os planos se resumem a
regramentos internos adotados de forma unilateral,
sem a participação dos professores.
Os novos planos, elaborados em conjunto com
as instituições e com participação
das associações
de professores, e de acordo com as
especificidades locais, estabelecem condições
para que o professor possa ascender na carreira
a partir de critérios objetivos e transparentes. “Não pode haver obstáculos de caráter
discricionário que impeçam a progressão”,
ressalta Marcos Fuhr, diretor do Sinpro/RS,
e negociador dos planos de carreira em diversas
instituições.
De acordo com o dirigente, além de
patrimônio trabalhista dos professores, os novos
planos de carreira formalizados são garantia
do empregador contra passivos trabalhistas,
uma vez que legalizam pagamento
de salários diferenciados. Para Amarildo
Cenci, diretor do Sinpro/RS que participou
das negociações sobre o novo plano de carreira
da Unicruz, esta política democratiza
o processo de progressão. “Além de evitar o
exercício do poder de quem dirige a instituição
sobre as promoções, os planos de carreira
conferem maior estabilidade à instituição,
com previsibilidade de custos”, explica
Cenci.
AUTONOMIA – Planos de carreira são
uma reivindicação antiga dos professores das
universidades e têm motivado políticas específicas
do Sindicato. Além da organização do grupo
de trabalho, o tema será pauta
de uma publicação a ser editada pelo Sinpro/RS com
análise teórica e o detalhamento das
propostas do Sindicato para o assunto. Também
a nona edição da Revista Textual
(
www.sinprors.org.br/textual/index_out2007.asp) traz uma retrospectiva
do
assunto.
Foi a partir da Lei 9.394/96, a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Nacional
(LDBEN) e dos decretos e resoluções que
passaram a normatizar as ofertas da Educação
Superior no país, que os planos de carreira
passaram a representar uma exigência à
s universidades. Mais recentemente, por
determinação do Decreto 5.773/2006, passou
a ser requisito do Plano de Desenvolvimento
Institucional (PDI) para credenciamento
junto ao MEC de todas as modalidades
de instituições de Ensino Superior:
universidades, centros universitários e faculdades
isoladas.
“Por ocasião da discussão da reforma da
Educação Superior, proposta pelo MEC, o
Sinpro/RS passou a fazer um trabalho mais
sistemático, defendendo a natureza trabalhista
da matéria. Foi nessa oportunidade que
constatamos a pouca consistência jurídica dos
planos de carreira existentes que, de fato, não
passavam de meros regramentos internos.
Adotados unilateralmente, sem a participação
dos professores, esses planos representam,
inclusive, potenciais passivos trabalhistas para
as instituições por se alicerçarem na quebra
da isonomia”, ressalta Marcos Fuhr.
A formalização dos planos representa a
integração da carreira no contrato de trabalho
do professor, transformando-a em
patrimônio dos docentes e não numa mera
concessão das instituições. Em 2005, o tema
foi objeto de estudo de uma Comissão
Paritária formada pelo Sinpro/RS e o Sindicato
patronal. “Desde 2006, o Sinpro/RS
mudou o perfil de interação com o assunto,
firmando o entendimento de que planos de
carreira são matéria de caráter trabalhista,
integrando-os à contratualidade dos professores. “A fórmula
encontrada para a sua formalização foi a negociação e a efetivação
de acordos coletivos de trabalho”, enfatiza.
Diferencial de competitividade para as IES
Uma das instituições que está em negociação
com o Sinpro/RS para a revisão do Plano
de Carreira é a Univates, de Lajeado. “A
Univates pretende, com a implantação deste
novo Plano de Carreira, possibilitar a atração
de bons professores e a manutenção da
sua sustentabilidade”, projeta Simone Stülp,
pró-reitora de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação
da Univates.
O pró-reitor da Universidade de Caxias
do Sul (UCS), João Ignacio Pires Lucas, destaca
que o Plano de Desenvolvimento induz
as instituições a qualificar o seu planejamento
e, como conseqüência, a carreira docente.
Ele acrescenta que o Plano de Carreira
atende às demandas legais e, em um cenário
de maior competitividade, com monopólios por
regiões, como é o caso do Rio Grande do
Sul, ajudam a consolidar as instituições comunitárias,
pois representam um diferencial
de qualidade.
Ao avaliar o Plano de Carreira implantado
por acordo coletivo com o Sinpro/RS em
2006, Vanderlei Langoni, diretor de Recursos
Humanos da Unisinos, destaca que os professores
da instituição agora têm espaço e critérios
técnicos para se habilitar à progressão e
que o plano se constitui em um diferencial de
competitividade para a instituição. “Nossa
experiência
com o Plano de Carreira é muito
bem-sucedida. O que mais valorizamos é o processo
de negociação, quando houve a abertura
da Universidade para discutir com os professores
um assunto que antes era interno, do âmbito
do Conselho Universitário”, ressalta.
Além da Unisinos e da Unicruz, a Unisc e a
São Judas já firmaram acordos coletivos com
o Sinpro/RS, e outras oito instituições estão
em processo de negociação: Unilasalle, Facos,
Feevale, URI, ESPM, UCS, Univates, Unijuí.
Na avaliação do Sinpro/RS, existe um contexto
novo na Educação Superior e o perfil de
corpo docente nas instituições também mudou.
Há cada vez mais professores com maior
titulação, e o plano de carreira deve contemplar
também a preocupação com a própria
continuidade
das instituições. “Perspectiva de carreira
se constitui, juntamente com a
empregabilidade e o salário, nas reivindicações
estratégicas dos professores do setor”,
conclui Marcos Fuhr.
Mais Educação:
Região
Sul supera metas de avaliação do Ideb
Notas