Ano 13 - nº 125
JULHO de 2008



Luis Fernando Verissimo
Diziam que o que sustentava o Partido Comunista americano eram as mensalidades dos agentes do FBI infiltrados entre os seus membros. Era fácil identificá-los – só eles pagavam em dia.



Elisa Lucinda
Ressaca do jardim suspenso!
Despenco e penso:
Deus, que sacode foi esse?
O que foi este caldo, este caixote?
Era faxina , desilusão da pura e da fina?



Fraga

Quem tem dicionário leva uma vida bastante segura e ordenada. É como se o volumão na estante influísse nos fluidos do indivíduo e a vida fluísse na confluência das certezas.



Marco Aurélio Weissheimer

A crise política envolvendo o governo Yeda Crusius (PSDB), atingido por sucessivas denúncias de corrupção, veio acompanhada por um recrudescimento da violência policial no estado.

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




LIVROS/LANÇAMENTOS



APIMENTANDO A ROTINA
Aroma Hortelã (Ed. Movimentos, 103 p.), primeiro livro da professora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Joselma Noal, surpreende pela força com que trata temas vivenciados por pessoas e situações comuns. A autora discorre sobre assuntos do cotidiano em 58 contos, curtos na extensão, mas intensos na abordagem. Um chá da tarde, um casamento desfeito, amores proibidos, vontades reprimidas, ganância, família. As personagens femininas se destacam pelos pensamentos proibidos, devaneios, pitadas de erotismo, descontrole emocional, inveja e sentimentos reprimidos. Mulheres oprimidas nas atitudes e pensamentos, que num instante de liberdade satisfazem suas vontades e, outras, que se mantêm no campo das fantasias. A autora trabalha a interrelação entre personagens em contos distintos e algumas estórias têm seqüência na seguinte, porém, sem linearidade. O recurso oferece um tempero especial, sem deixar a narrativa cair no óbvio. Fica para o leitor a interpretação dos acontecimentos. O título remete ao segundo e terceiro contos do livro, revelando uma relação incomum entre a tia, o sobrinho e o chá de hortelã que os une.

DE QUE O AMOR É FEITO
O envolvimento de um escritor e uma artista plástica e a batalha de um jornalista contratado para escrever um romance sobre os dois são os personagens de Amor sobre tela (Armazém Digital, 183 p.) de Luiz Gonzaga Lopes. Narrativa na terceira pessoa entrecortada por gestos, traços psicológicos dos personagens a cada diálogo, jogos de palavras e labirintos permeiam o bom texto de Lopes, que leva o leitor a sucessivas descobertas, como num jogo de espelhos. Afinal, não é à toa que uma das referências do escritor seja o franco-argentino Júlio Cortazar, de O Jogo da Amarelinha, além de Jorge Luis Borges, Ítalo Calvino, Paul Á ster, Fernando Pessoa. Repórter das editorias de esporte e cultura do jornal Diário de Canoas, Luiz Gonzaga escreve desde a adolescência “arremessando crônicas e poesias ao papel e cozinhando contos em fogo lento”. Em 2002, foi premiado no 9º Histórias do Trabalho, concurso de contos da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre com o conto Na direção do nada. Neste romance, ambientado em cenários bem conhecidos dos gaúchos, o autor testa com habilidade sua verve de romancista ancorado nas experiências vivenciadas no dia-a-dia da reportagem.

LEGISLAÇÃO, ECA E LÍNGUA
Professora da Universidade Católica de Goiás, doutora em Educação pela USP e pesquisadora em políticas educacionais, Iria Brzezinski organizou LDB Interpretada: diversos olhares que se entrecruzam, uma coletânea de ensaios que já está na décima edição. A dinâmica do mundo da Educação levou à organização de uma nova abordagem crítica da legislação educacional vigente. Trata-se de LDB Dez anos depois – Reinterpretação sob diversos olhares (Ed. Cortez, 309 p.). Os 12 autores, entre os quais a organizadora, docentes e especialistas em Educação em instituições como USP, Unicamp e UnB, atribuem ao conservadorismo da LDBEN a perpetuação de equívocos históricos da Educação brasileira diante da revolução tecnológica e dos avanços sociais. Para os autores, houve alguns avanços e muitos retrocessos nessa trajetória de defesa da escola pública, laica, de qualidade social, gratuita em todos os níveis e modalidades de ensino, como direito de todo cidadão brasileiro. Costuram a obra as concepções de mudança e denúncias do sociólogo Florestan Fernandes. O Estatuto da Criança e do Adolescente e o Professor (143 p.), de Luiz Antônio Miguel Ferreira, investiga os reflexos do ECA na formação e atuação docente e estabelece uma ponte entre legislação e Educação. Com a proximidade da reforma ortográfica, outro lançamento da Cortez que chega em boa hora e vai jogar mais lenha na fogueira do debate em torno da lingüística é Uma pronúncia do Português Brasileiro (176 p.), de Regina Célia Pagliuchi da Silveira. A autora propõe uma reflexão sobre a pronúncia do português brasileiro (as diferentes formas de expressão dos brasileiros conforme sua região) com base no globês, ou seja, a língua dos apresentadores da Rede Globo – marcado pelo carioca-padrão.

Nei Lisboa: site de cara nova e blog
O sítio de Nei Lisboa na internet está completando sete anos com novidades. Nova galeria de fotos, minifórum, uma canja da discografia – desde o primeiro LP, Pra viajar no cosmos não precisa gasolina (1983), até o CD Translucidação (2006) – e textos do cantor, compositor e escritor, no Neilisblog. Tem ainda o WebVitrola, tocador de músicas virtual com a íntegra dos nove discos para ouvir no computador (em streaming); e o Web Vitrola Mix, com uma nova seleção de músicas a cada mês. E ainda dá para baixar 11 das 13 faixas de Translucidação, o álbum mais recente, no “velho” formatinho mp3. Tudo grátis e com o Ecad em dia: www.neilisboa.com.br






Mais Cultura:
LIVRO - Sobre perdas, humor e andorinhas
Quadrinhos - Rango - Edgar Vasques





Livros/Lançamentos.





Os sem advogado
O relatório final da CPI do Sistema Carcerário foi apresentado na Câmara Federal pelo relator Domingos Dutra (PT-MA). Conforme o documento, seriam necessárias 180 mil vagas para evitar a superlotação nos presídios brasileiros.

Folha corrida
dos políticos
Pesquisa da ONG Transparência Brasil, citada na última edição do EC, mostra que cerca 13% dos vereadores das capitais brasileiras têm problemas com a Lei..

ENSINO
Música: conteúdo obrigatório
No dia 25 de junho, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou em caráter conclusivo projeto de lei do Senado que altera a Lei de Diretrizes Básicas da Educação (LDBEN).



 




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