APIMENTANDO
A ROTINA Aroma Hortelã (Ed.
Movimentos, 103 p.), primeiro livro da professora da Universidade
Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI),
Joselma Noal, surpreende pela força com que trata temas
vivenciados por pessoas e situações comuns. A autora
discorre sobre assuntos do cotidiano em 58 contos, curtos na extensão,
mas intensos na abordagem. Um chá da tarde, um casamento
desfeito, amores proibidos, vontades reprimidas, ganância,
família. As personagens femininas se destacam pelos pensamentos
proibidos, devaneios, pitadas de erotismo, descontrole emocional,
inveja e sentimentos reprimidos. Mulheres oprimidas nas atitudes
e pensamentos, que num instante de liberdade satisfazem suas vontades
e, outras, que se mantêm no campo das fantasias. A autora
trabalha a interrelação entre personagens em contos
distintos e algumas estórias têm seqüência
na seguinte, porém, sem linearidade. O recurso oferece um
tempero especial, sem deixar a narrativa cair no óbvio.
Fica para o leitor a interpretação dos acontecimentos.
O título remete ao segundo e terceiro contos do livro, revelando
uma relação incomum entre a tia, o sobrinho e o chá de
hortelã que os une.
DE
QUE O AMOR É FEITO
O envolvimento de um escritor e uma artista plástica e a batalha de um
jornalista contratado para escrever um romance sobre os dois são os personagens
de Amor sobre tela (Armazém Digital,
183 p.) de Luiz Gonzaga Lopes. Narrativa na terceira pessoa entrecortada por
gestos, traços psicológicos dos personagens a cada diálogo,
jogos de palavras e labirintos permeiam o bom texto de Lopes, que leva o leitor
a sucessivas descobertas, como num jogo de espelhos. Afinal, não é à toa
que uma das referências do escritor seja o franco-argentino Júlio
Cortazar, de O Jogo da Amarelinha, além de Jorge Luis Borges, Ítalo
Calvino, Paul Á ster, Fernando Pessoa. Repórter das editorias de
esporte e cultura do jornal Diário de Canoas, Luiz Gonzaga escreve desde
a adolescência “arremessando crônicas e poesias ao papel e
cozinhando contos em fogo lento”. Em 2002, foi premiado no 9º Histórias
do Trabalho, concurso de contos da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre
com o conto Na direção do nada. Neste romance, ambientado
em cenários bem conhecidos dos gaúchos, o autor testa com habilidade
sua verve de romancista ancorado nas experiências vivenciadas no dia-a-dia
da reportagem.
LEGISLAÇÃO,
ECA E LÍNGUA
Professora da Universidade Católica de Goiás, doutora em
Educação pela USP e pesquisadora em políticas educacionais,
Iria Brzezinski organizou LDB Interpretada: diversos olhares que se entrecruzam,
uma coletânea de ensaios que já está na décima
edição. A dinâmica do mundo da Educação
levou à organização de uma nova abordagem crítica
da legislação educacional vigente. Trata-se de LDB
Dez anos depois – Reinterpretação sob diversos olhares (Ed.
Cortez, 309 p.). Os 12 autores, entre os quais a organizadora, docentes
e especialistas em Educação em instituições
como USP, Unicamp e UnB, atribuem ao conservadorismo da LDBEN a perpetuação
de equívocos históricos da Educação brasileira
diante da revolução tecnológica e dos avanços
sociais. Para os autores, houve alguns avanços e muitos retrocessos
nessa trajetória de defesa da escola pública, laica, de
qualidade social, gratuita em todos os níveis e modalidades de
ensino, como direito de todo cidadão brasileiro. Costuram a obra
as concepções de mudança e denúncias do sociólogo
Florestan Fernandes. O Estatuto da Criança
e do Adolescente e o Professor (143 p.), de Luiz Antônio
Miguel Ferreira, investiga os reflexos do ECA na formação
e atuação docente e estabelece uma ponte entre legislação
e Educação. Com a proximidade da reforma ortográfica,
outro lançamento da Cortez que chega em boa hora e vai jogar mais
lenha na fogueira do debate em torno da lingüística é Uma
pronúncia do Português Brasileiro (176 p.),
de Regina Célia Pagliuchi da Silveira. A autora propõe
uma reflexão sobre a pronúncia do português brasileiro
(as diferentes formas de expressão dos brasileiros conforme sua
região) com base no globês, ou seja, a língua dos
apresentadores da Rede Globo – marcado pelo carioca-padrão.
Nei
Lisboa: site de cara nova e blog
O sítio de Nei Lisboa na internet está completando
sete anos com novidades. Nova galeria de fotos, minifórum,
uma canja da discografia – desde o primeiro LP, Pra viajar
no cosmos não precisa gasolina (1983), até o CD Translucidação
(2006) – e textos do cantor, compositor e escritor, no Neilisblog.
Tem ainda o WebVitrola, tocador de músicas virtual com a íntegra
dos nove discos para ouvir no computador (em streaming); e o Web
Vitrola Mix, com uma nova seleção de músicas
a cada mês. E ainda dá para baixar 11 das 13 faixas
de Translucidação, o álbum mais recente, no “velho” formatinho
mp3. Tudo grátis e com o Ecad em dia: www.neilisboa.com.br
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