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Educação
Profissional:
dinamismo
e contradições
Domingos Antônio Buffon*
Ensino
Técnico no Brasil sempre foi tratado de forma periférica
nas políticas educacionais. Porém, com o advento
da Lei
9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional), as
ofertas de Educação Profissional passam a ser uma
modalidade de
ensino integrada aos Sistemas de Ensino Estadual ou Federal,
devendo
atender à Legislação pertinente, de modo
a garantir um
padrão de qualidade às ofertas de Ensino Técnico.
A partir daí, as
mantenedoras que pretendam ofertar cursos de Educação
Profissional
de nível médio devem buscar o credenciamento e
a autorização
junto aos Conselhos de Educação, comprovando as
condições
de estrutura física, recursos humanos, equipamentos, laboratório,
acervo bibliográfico, dentre outros, segundo as normas
de cada
Sistema.
E hoje, passados mais de dez anos da LDBEN, qual é o cenário
da Educação Profissional no Brasil? Segundo dados
do Censo Escolar
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep), que levanta informações
estatísticas sobre
os estabelecimentos escolares públicos e privados da Educação
Básica, entre os anos de 2003/2005, vemos que 71% dos
estabelecimentos
de ensino que ofertam cursos técnicos são de mantenedoras
privadas; 19,9% pertencem às redes estaduais; 4,7% são
da rede
federal de ensino e 4,2% das redes municipais. Este setor, sob
forte
influência do interesse privado, apresentou um crescimento
de
18,1% no número de estabelecimentos que ofertam Educação
Profissional.
No mesmo período, as matrículas tiveram uma ampliação
de 26,9%. Todo o dinamismo que se verifica nesta modalidade de
ensino é, em grande medida, reflexo do aumento no número
de
jovens que concluem a etapa final da Educação Básica,
e que vêem
nos cursos técnicos a possibilidade de uma inserção
mais rápida no
mercado de trabalho. Considerando que a taxa líquida de
escolarização da população brasileira
na faixa etária entre 15 e 18
anos é de insignificantes 25%, podemos concluir que a
procura
pelo Ensino Médio continuará crescendo, sustentando
a expansão
dos cursos técnicos.
O cenário da Educação Profissional não
se caracteriza apenas
pelo dinamismo já descrito mas, infelizmente, também
traz grandes
contradições. A principal delas é a histórica
dicotomia entre a
teoria e a prática. É indiscutível a necessidade
de uma articulação
entre a Educação Básica e a Profissional
que não reproduza os erros
da Lei 5692/71. Também chama a atenção o
fato de termos
escolas com estruturas e equipamentos modernos, onde imperam
relações de trabalho arcaicas. Não podemos
falar em escola sem
falar em professor. É inadmissível encontrarmos
escolas que
terceirizem o quadro docente, não formalizem o vínculo
empregatício com seus professores, ou que ainda contratem
seus
profissionais como instrutores.
Para concluir, é preciso reafirmar a responsabilidade
do poder
público na garantia da expansão com qualidade das
ofertas na Educação
Profissional, estabelecendo e executando políticas que
respondam
a essa grande demanda social, investindo na ampliação
de sua rede e garantindo uma fiscalização mais
efetiva sobre as ofertas privadas.
* Professor da Educação Básica, diretor
do Sinpro/RS e representante do Sindicato junto ao Conselho Estadual
de Educação do RS (CEED/RS). Integra a Comissão
Especial de Educação Profissional do CEED/RS.

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