Depois de um ano complicado, em que a receita publicitária
concentrou-se quase que totalmente no rádio e na TV, o meio
jornalístico ressurge das cinzas, com a volta, com toda a
força, em abril, dos anúncios do varejo. O detalhe
é que, segundo o artigo do jornalista Luciano Martins Costa,
publicado em maio no Observatório da Imprensa, essa fase
de vacas gordas vem na esteira da popularidade do presidente Lula,
ou seja, resulta do estado de espírito positivo do consumidor,
derivado do momento político de confiança. A esperteza
de alguns veículos está em reter no imaginário
coletivo a imagem que melhor estimula o comportamento do consumidor,
em detrimento da percepção que melhor contribui para
a formação do cidadão. Costa usa como exemplo
o caso de um famoso articulista da Folha de São Paulo, no
passado amaldiçoado por seu ódio a FHC, e que hoje
tem seus textos pró-Lula reproduzidos como corrente
da felicidade.
Go, go, go!
Uma reportagem
veiculada em maio pela BBC de Londres desmascarou um dos maiores
momentos patrióticos da Guerra do Iraque. O resgate
da soldado americana Jessica Lynch não passou de uma
grande cascata, um dos mais impressionantes casos de roteiro
cinematográfico adaptado das telas à realidade.
A história, veiculada aos quatro ventos, contava que
a recruta, capturada em uma emboscada, foi resgatada heroicamente
do hospital, por soldados recebidos a tiros pelos iraquianos.
Testemunhas contam que os soldados sabiam que os iraquianos
haviam fugido do local um dia antes do resgate. Nós
estávamos surpresos. Para que aquilo tudo? Não
havia soldados, declarou à BBC o médico
Ahmar Uday. Parecia cena de filme, eles gritavam go,
go, go, ao som de explosivos, como se fossem Sylvester Stallone,
disse o médico Jackie Chan.
A "incrível" história
ganha reportagem
capa de revista
O mais patético é que, quando as imagens foram divulgadas,
o general Vincent Brooks, porta-voz das forças americanas
em Doha, afirmou: Algumas almas corajosas puseram suas vidas
na linha de fogo para que isso acontecesse, leais ao princípio
de nunca deixar um companheiro abandonado.
Anistia Internacional denuncia execuções
O relatório anual da Anistia Internacional (AI), divulgado
no dia 28 de maio, revela que, na área de direitos humanos,
as execuções extrajudiciais são o maior problema
do Brasil.
Milhares de pessoas foram mortas em confrontos com a polícia,
muitas vezes em situações descritas pelas autoridades
como resistência seguida de morte, em que a culpa é
atribuída à vítima, diz o documento.
O pesquisador sobre o Brasil na AI, Tim Cahill, afirmou que raramente
essas mortes suspeitas foram investigadas. Além da
impunidade generalizada, o documento atribui o problema
à incapacidade do governo federal de garantir o cumprimento
das normas nacionais e internacionais por parte das autoridades
estaduais. O relatório denuncia também a tortura e
a violência na área rural como problemas que persistem
no País.
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