Ano 8 - nº 72
Junho 2003



Luis Fernando Verissimo:
O Lula de barba preta faria o mesmo governo que faz o Lula de barba branca? Não é conjetura vazia, a resposta tem a ver com várias perplexidades do momento. Se o Lula da barba ameaçadora também se...



Nei Lisboa:
Não se mova, não diga nada que chame a atenção dos outros funcionários e não erga os olhos até o término da leitura desta carta. Posso lhe garantir que o Rex foi...



Elisa Lucinda:
É, moça, tenho medo de não ver...é perigoso! Pelo que ouvi falar, posso tomar um veneno pensando que é remédio, posso ver detergente em frasco, que eu penso que é medicamento para tédio. Ando num mundo que...





Lula lá, consumo aqui

Depois de um ano complicado, em que a receita publicitária concentrou-se quase que totalmente no rádio e na TV, o meio jornalístico ressurge das cinzas, com a volta, com toda a força, em abril, dos anúncios do varejo. O detalhe é que, segundo o artigo do jornalista Luciano Martins Costa, publicado em maio no Observatório da Imprensa, essa fase de vacas gordas vem na esteira da popularidade do presidente Lula, ou seja, resulta do estado de espírito positivo do consumidor, derivado do momento político de confiança. A esperteza de alguns veículos está em reter no imaginário coletivo a imagem que melhor estimula o comportamento do consumidor, em detrimento da percepção que melhor contribui para a formação do cidadão. Costa usa como exemplo o caso de um famoso articulista da Folha de São Paulo, no passado amaldiçoado por seu ódio a FHC, e que hoje tem seus textos pró-Lula reproduzidos como “corrente da felicidade”.



Go, go, go!


Uma reportagem veiculada em maio pela BBC de Londres desmascarou um dos “maiores momentos patrióticos da Guerra do Iraque”. O resgate da soldado americana Jessica Lynch não passou de uma grande cascata, um dos mais impressionantes casos de roteiro cinematográfico adaptado das telas à realidade. A história, veiculada aos quatro ventos, contava que a recruta, capturada em uma emboscada, foi resgatada heroicamente do hospital, por soldados recebidos a tiros pelos iraquianos.

Testemunhas contam que os soldados sabiam que os iraquianos haviam fugido do local um dia antes do resgate. “Nós estávamos surpresos. Para que aquilo tudo? Não havia soldados”, declarou à BBC o médico Ahmar Uday. “Parecia cena de filme, eles gritavam go, go, go, ao som de explosivos, como se fossem Sylvester Stallone”, disse o médico Jackie Chan.

A "incrível" história
ganha reportagem
capa de revista

O mais patético é que, quando as imagens foram divulgadas, o general Vincent Brooks, porta-voz das forças americanas em Doha, afirmou: “Algumas almas corajosas puseram suas vidas na linha de fogo para que isso acontecesse, leais ao princípio de nunca deixar um companheiro abandonado”.



Anistia Internacional denuncia execuções


O relatório anual da Anistia Internacional (AI), divulgado no dia 28 de maio, revela que, na área de direitos humanos, as execuções extrajudiciais são o maior problema do Brasil.

“Milhares de pessoas foram mortas em confrontos com a polícia, muitas vezes em situações descritas pelas autoridades como resistência seguida de morte, em que a culpa é atribuída à vítima”, diz o documento. O pesquisador sobre o Brasil na AI, Tim Cahill, afirmou que “raramente essas mortes suspeitas foram investigadas”. Além da “impunidade generalizada”, o documento atribui o problema à incapacidade do governo federal de garantir o cumprimento das normas nacionais e internacionais por parte das autoridades estaduais. O relatório denuncia também a tortura e a violência na área rural como problemas que persistem no País.




José Luis Fiori

O veto aos projetos nacionais
Durante a década de 1990, o rápido crescimento econômico americano e o aumento do fluxo internacional de capitais ressuscitou a crença na convergência da riqueza e na harmonia de interesses entre os países...





O divertimento do jovem Cortázar
Quando Julio Cortázar (1914-1984), nascido em Bruxelas, mas educado em Buenos Aires, escreveu seu primeiro livro de ficção longa, aos nove anos de idade, seus pais duvidaram da autoria. Embora não se credite a isso, o escritor buscou...

Livros:
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