Ano 8 - nº 72
Junho 2003



Luis Fernando Verissimo:
O Lula de barba preta faria o mesmo governo que faz o Lula de barba branca? Não é conjetura vazia, a resposta tem a ver com várias perplexidades do momento. Se o Lula da barba ameaçadora também se...



Nei Lisboa:
Não se mova, não diga nada que chame a atenção dos outros funcionários e não erga os olhos até o término da leitura desta carta. Posso lhe garantir que o Rex foi...



Elisa Lucinda:
É, moça, tenho medo de não ver...é perigoso! Pelo que ouvi falar, posso tomar um veneno pensando que é remédio, posso ver detergente em frasco, que eu penso que é medicamento para tédio. Ando num mundo que...





REFORMA PREVIDENCIÁRIA
Professores da rede pública perdem com a reforma

A sabedoria popular escolheu agosto como o mês do desgosto. Para os funcionários públicos do país, o calendário de 2003 foi antecipado – abril foi recheado de más notícias. A proposta de reforma da Previdência Social encaminhada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional, no final daquele mês, atinge em cheio os direitos dos servidores no que se refere à aposentadoria. “Poucas alterações ocorrerão no Regime Geral da Previdência, que corresponde à massa de aposentados pelo INSS. Para o setor público, entretanto, o governo propõe regras duras”, afirma a advogada previdenciária, Mebel Wolff Salvador.

No caso dos professores do magistério da rede pública, haverá perda significativa. Pela regra atual, eles têm direito ao acréscimo de 17% (homens) ou 20% (mulheres) de tempo de serviço para a aposentadoria integral, sem limite de idade (a norma vale também para a rede particular). Com a reforma, terão que respeitar a idade mínima de 60 (homens) ou 55 anos (mulheres). Caso desejem antecipar a aposentadoria, estarão sujeitos ao pedágio de 5% por ano antecipado. Mas a mudança não afeta os professores do magistério da rede privada, de acordo com a advogada.

Outros pontos polêmicos da reforma são a contribuição de inativos, o fim da paridade do reajuste dos benefícios com os salários do servidor da ativa e a instituição de teto de R$ 2.400 dos proventos para os futuros aposentados (acima do valor, serão completados com fundos de pensão públicos ou privados). Além disso, o governo quer limitar as demais aposentadorias ao valor de maior remuneração atribuída aos ministros do STF (R$ 17.000) na União, enquanto nos Estados o teto corresponderia ao subsídio mensal do governador (R$ 7.000 no RS) e nos municípios ao dos prefeitos. O objetivo é suspender imediatamente as super aposentadorias do setor público que, em alguns casos, chegam a mais de R$ 30.000.

Clique aqui e leia matéria publicada na Edição de Abril do Extra Classe e acesse na íntegra a proposta apresentada pelo governo ao Congresso Nacional no dia 30/04




REFORMA TRIBUTÁRIA
Brasileiro trabalha quatro meses para pagar o fisco

A piada de mau gosto é a de que, todos os anos, o Brasil só começa a trabalhar depois do carnaval. Um estudo encaminhado ao Congresso Nacional pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que não é bem assim. O trabalhador passa os primeiros meses do ano labutando apenas para pagar o Fisco. Pior: precisa trabalhar até o Dia das Mães para dar conta dos impostos. Em resumo, o brasileiro trabalha quase um terço do ano só para pagar os tributos.
O documento foi enviado aos parlamentares na tentativa de sensibilizá-los durante a votação da proposta de reforma tributária do presidente Luís Inácio Lula da Silva. A principal mudança é a unificação de alíquotas e da legislação do ICMS (atualmente, cada Estado estabelece regras próprias). Além disso, a proposta determina que 50% da contribuição patronal previdenciária serão calculados sobre o faturamento e não em cima da folha de pagamento. Para os trabalhadores de baixa renda, a única boa nova foi a proteção dos produtos da cesta básica com alíquotas reduzidas do ICMS.

POLÊMICA - No último dia 29 de maio, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal (CCJ) aprovou o parecer do deputado Osmar Serraglio (PMDB/PR) sobre a proposta da reforma tributária. Os líderes das bancadas encaminharam votos favoráveis ao texto principal da reforma com excessão dos deputados Eduardo Paim (PFL/RJ) e Mendonça Prado (PFL/SE), que se manifestaram contrários. Um dia antes da aprovação do CCJ, a Fiesp divulgou uma carta em que os empresários demonstravam preocupação com possíveis lacunas no texto que poderiam abrir caminho para aumento da carga tributária. Governo e empresários polemizaram sobre o tema e não chegaram a consenso. A Fiesp deverá pressionar o congresso na proposição de emendas à proposta original. 

Clique aqui e leia matéria publicada na Edição de Maio do Extra Classe e acesse o texto integral da proposta de Reforma Tributária do governo entregue ao congresso no último dia 30/04


 

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José Luis Fiori

O veto aos projetos nacionais
Durante a década de 1990, o rápido crescimento econômico americano e o aumento do fluxo internacional de capitais ressuscitou a crença na convergência da riqueza e na harmonia de interesses entre os países...





O divertimento do jovem Cortázar
Quando Julio Cortázar (1914-1984), nascido em Bruxelas, mas educado em Buenos Aires, escreveu seu primeiro livro de ficção longa, aos nove anos de idade, seus pais duvidaram da autoria. Embora não se credite a isso, o escritor buscou...

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