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14 de junho de 1986 morria em Genebra, Suíça, Jorge
Luis Borges. No dia seguinte, o Clarín, jornal da capital
Argentina, publicou na capa de seu suplemento especial em homenagem
ao maior expoente literário daquele país e talvez
de toda América Latina a manchete: El final del laberinto.
Será? Passados vinte anos da morte de Borges sua obra permanece
vigorosa. Para alguns, não houve nada de novo na literatura
depois dele. Entre os partidários dessa idéia, Italo
Calvino, que afirmou que os contos “superconcisos”,
sem deixarem de ser “repletos de idéias e surpresas” de
Borges, foram “a última grande invenção
de um gênero literário”. Outro italiano teria
feito uma homenagem, ainda em vida, porém um tanto macabra.
Umberto Eco, assumidamente influenciado por Borges, em sua relação
de amor e ódio com o mestre argentino, criou o monge cego
Jorge de Burgos, guardião da biblioteca do mosteiro onde
se desenrola a trama de O nome da rosa, à sua imagem e semelhança. “Queria
matar um monge queimado”, explicaria um Eco, piadista, em
entrevistas.
No famoso conto A biblioteca de Babel, a biblioteca é posta
pelo autor como um universo, um caos organizado, onde se pode encontrar
justificativas para a existência humana. O Homem Livro, ou
o bibliotecário imaginário, lê um volume “que
contém o código que resume todo o resto... e se assemelha
a um deus”. Com isso cria um universo paralelo, numa biblioteca
que pode ser vista como um único livro que contém
todos os outros.
E a prova de que o labirinto não tem fim é a própria
referência que J.G. Cobo Borda (organizador de mostras referentes à produção
do autor argentino) faz no mesmo Clarín, um ano depois,
em texto alusivo ao primeiro ano da morte do autor. Ele diz: “O
bom com Borges é que ele nunca termina”. Mais de duzentos
livros já haviam sido reunidos de e sobre Borges e a lista
permanecia aumentando. Realidade que não mudou nas últimas
duas décadas, diga-se.
Uma parte do segredo o próprio Borges nos entrega de bandeja
no prólogo do Elogio da sombra (traduzido por Carlos Nejar
e Alfredo Jacques): “[...] O tempo ensinou-me algumas astúcias:
evitar os sinônimos, que têm a desvantagem de sugerir
diferenças imaginárias; evitar hispanismos, argentinismos,
arcaísmos e neologismos; preferir as palavras habituais às
palavras assombrosas; intercalar em um relato traços circunstanciais,
exigidos agora pelo leitor; simular pequenas incertezas, já que,
se a realidade é precisa, a memória não o é;
narrar os fatos (isso aprendi em Kipling e nas sagas da Islândia)
como se não os entendesse totalmente; lembrar que as normas
anteriores não são obrigações e que
o tempo se encarregará de aboli-las [...]”.
No final do labirinto, descobrimos que ele nunca termina.
(N.E.: Agradecimento ao jornalista José Weis que cedeu as
edições do Clarín, que fazem parte de seu
arquivo pessoal.)
A
articulação das políticas
de proteção aos direitos de crianças
e adolescentes em Porto Alegre é investigada
em AUTO-ORGANIZAÇÃO – Um
caminho promissor para o conselho tutelar (Editora
Annablume,
132 p.), de Mônica Bragaglia. Ao analisar
concepções, interesses e práticas
dos conselheiros, a autora atribui à im-previsibilidade
e certa desordem o poder de auto-organização
dos Conselhos. Mônica é Mestre e Doutora
em Ciências Sociais pela PUC/RS, professora
do IPA e da Ulbra, onde coordena o Núcleo
de Estudos da Criança e do Adolescente (Neca).
A
quem pertencem, quem deve proteger e que legislações
regem as reservas hídricas comuns a países
do Mercosul são questões propostas
pelo professor da Unifra e analista judiciário
de Santa Maria, João Hélio Ferreira
Pes, no livro O MERCOSUL E ÀS ÁGUAS:
a harmonização,
via Mercosul, das normas de proteção às águas
transfronteiriças do Brasil e Argentina (Editoras Urcamp e UFSM, 104 p.).
A ORGANIZAÇÃO DE PROJETOS NA ESCOLA– Um
sonho possível, de Adriana Beatriz Gandin
e Soraya Silveira Franke, integra a coleção
Fazer e transformar (AEC/Loyola) com uma instigante
proposta aos educadores: estimular o trabalho com
projetos em sala de aula em todas as faixas etárias.
No
conjunto de crônicas APRENDER A (VI)VER (Record, 160 p.), Juremir Machado da Silva passeia
pelo cotidiano convidando o leitor a observar o
que está por trás e além do
mundo das imagens. Direto e fluente, vai apresentando
temas diversos do mundo contemporâneo como
moral, família, mídia, felicidade,
o novo homem, a nova mulher, o mistério
da existência, aliando-se a grandes pensadores
nas suas reflexões e ques-tionamentos. Romancista,
ensaísta, historiador, tradutor, jornalista
e professor, Juremir lançou em 2004 o romance
Getúlio e publicou também Cai a noite
sobre Palomas, Viagem ao extremo sul da solidão,
Fronteiras e a trilogia Mitomanias.
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