
Para
que quebrar o barraco?
Joselma Maria Noal*
música
popular brasileira tem Elis Regina e Tom Jobim, mas, infelizmente,
também tem Tati Quebra-Barraco. A começar pelo
nome artístico escolhido, revelador, mostra a que veio
Tati – para quebrar, romper, com o quê? O Barraco
seria o Brasil? A intenção me parece a de terminar
com a qualidade musical de nosso país.
Não se trata de modo algum de preconceito, seja ele racial
ou social. Reconheço o talento vindo da periferia. Bezerra
da Silva cantou a favela com primazia, denunciou os problemas
sociais, as barbaridades, os preconceitos, representou com dignidade
o seu povo. Sem falar em Zeca Pagodinho! Não sou fã de
rap, mas sei que Marcelo D2 tem talento. MV Bill, além
de músico e autor do livro Cabeça de porco, foi
premiado pela Unicef e Unesco por seu engajamento social na ONG
Central Única das Favelas – projeto que atende a
jovens de comunidades carentes. Este sim exerce sua cidadania
e é um brasileiro do qual podemos nos orgulhar! Quanto à chamada
Black Music, temos Tim Maia e Sandra de Sá, entre outros
tantos músicos deste país.
| Arte:
Rodrigo Vizzotto |
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Voltando à Tati Quebra-Barraco, conheci a sua “música” em
um aniversário de quinze anos e fiquei chocada, não
só pela letra, pelo ritmo, mas também pela coreografia.
Tive a certeza de meu envelhecimento. Entristeci-me ao ver as
adolescentes cantando felizes o fato de serem “cachorras” e
os meninos entusiasmados se sentindo “tigrões”!
As letras são discriminatórias, preconceituosas.
Vão muito além do machismo, são depreciativas,
vulgares, rudes.
Cabe destacar que, antes da escrita deste artigo, li todas
as “letras
de músicas” de Tati Quebra-Barraco, pois gostaria
de fazer uma análise mais minuciosa, mas como não
encontrei fragmentos possíveis de serem publicados em
um texto de opinião, farei apenas algumas referências
de minha leitura atenta. As letras são repetitivas, versam
sobre a banalização e a violência sexual,
estimulam a infidelidade, em uma linguagem absolutamente grotesca,
ofensiva. Talvez seja interessante para estudiosos da linguagem
vulgar e para o aprendizado de novas nomenclaturas para posições
sexuais e para membros genitais. Sem dúvida, Tati quebra
o barraco e o sucesso a ela atribuído é vergonhoso
no país da Bossa Nova e do Tropicalismo.
Finalizo com minhas desculpas aos fãs de Tati Quebra-Barraco.
Confesso que sou jurássica, saudosista e me orgulho de
ter vivido minha adolescência cantando e dançando
Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Ira, Titãs
e Barão Vermelho.
* Professora da URI – Campus de Erechim, Mestre em
Letras
