Ano 11 - nº 103
JUNHO de 2006



Luis Fernando Verissimo
Velhas certezas custam a morrer, e muitas sobrevivem ao seu desmentido mais fortes do que antes. Grande parte da população do mundo ainda vive, do ponto de vista das suas crenças e expectativas, num universo geocêntrico, como se Copérnico e Galileu nunca tivessem existido. O que é compreensível.



Elisa Lucinda
Lindo!
O cabelo trançado de agora,
depois de espantar motoristas de táxi preconceituosos,
medrosos estatísticos e outros podres poderes
com seu cabelo de lã, seu alarmoso black power, sua sarapieira de onde também nascem alguns lisos fios sem ambiente no meio da cresparada,
mas que, ao longe, formam indivisível e esperto conjunto,...



Fraga

Era uma vez um diminutivo reativo. Queria porque queria ser aumentativo. A mãezinha falou baixinho pro altivo:
– Filhinho, você nasceu pequenininho. Acostume-se ao tamanhinho. Fique calminho, você verá seu valor em alguns textinhos e contextinhos.



Marcio Pochmann

A divisão social do trabalho tem sido, historicamente, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de grupos ocupacionais relativamente homogêneos e com diferencial de produtividade. Essa homogeneidade é...





Para que quebrar o barraco?
Joselma Maria Noal*

música popular brasileira tem Elis Regina e Tom Jobim, mas, infelizmente, também tem Tati Quebra-Barraco. A começar pelo nome artístico escolhido, revelador, mostra a que veio Tati – para quebrar, romper, com o quê? O Barraco seria o Brasil? A intenção me parece a de terminar com a qualidade musical de nosso país.

Não se trata de modo algum de preconceito, seja ele racial ou social. Reconheço o talento vindo da periferia. Bezerra da Silva cantou a favela com primazia, denunciou os problemas sociais, as barbaridades, os preconceitos, representou com dignidade o seu povo. Sem falar em Zeca Pagodinho! Não sou fã de rap, mas sei que Marcelo D2 tem talento. MV Bill, além de músico e autor do livro Cabeça de porco, foi premiado pela Unicef e Unesco por seu engajamento social na ONG Central Única das Favelas – projeto que atende a jovens de comunidades carentes. Este sim exerce sua cidadania e é um brasileiro do qual podemos nos orgulhar! Quanto à chamada Black Music, temos Tim Maia e Sandra de Sá, entre outros tantos músicos deste país.

Arte: Rodrigo Vizzotto

Voltando à Tati Quebra-Barraco, conheci a sua “música” em um aniversário de quinze anos e fiquei chocada, não só pela letra, pelo ritmo, mas também pela coreografia. Tive a certeza de meu envelhecimento. Entristeci-me ao ver as adolescentes cantando felizes o fato de serem “cachorras” e os meninos entusiasmados se sentindo “tigrões”! As letras são discriminatórias, preconceituosas. Vão muito além do machismo, são depreciativas, vulgares, rudes.

Cabe destacar que, antes da escrita deste artigo, li todas as “letras de músicas” de Tati Quebra-Barraco, pois gostaria de fazer uma análise mais minuciosa, mas como não encontrei fragmentos possíveis de serem publicados em um texto de opinião, farei apenas algumas referências de minha leitura atenta. As letras são repetitivas, versam sobre a banalização e a violência sexual, estimulam a infidelidade, em uma linguagem absolutamente grotesca, ofensiva. Talvez seja interessante para estudiosos da linguagem vulgar e para o aprendizado de novas nomenclaturas para posições sexuais e para membros genitais. Sem dúvida, Tati quebra o barraco e o sucesso a ela atribuído é vergonhoso no país da Bossa Nova e do Tropicalismo.

Finalizo com minhas desculpas aos fãs de Tati Quebra-Barraco. Confesso que sou jurássica, saudosista e me orgulho de ter vivido minha adolescência cantando e dançando Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Ira, Titãs e Barão Vermelho.

* Professora da URI – Campus de Erechim, Mestre em Letras

ARTIGOS
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O labirinto nunca termina
Por César Fraga
Em 14 de junho de 1986 morria em Genebra, Suíça, Jorge Luis Borges. No dia seguinte, o Clarín, jornal da capital Argentina, publicou na capa de seu suplemento especial em homenagem ao maior expoente literário daquele país e talvez de toda América Latina a manchete:





CRUZ ALTA
Unicruz finaliza estatutos
Até o final deste mês deverão estar concluídos os estatutos da Fundação e da Universidade de Cruz Alta (Unicruz) para eleição da nova reitoria a ser empossada no final do ano.

URCAMP
MP apreende documentos
No dia 16 de maio, uma operação do Ministério Púbico de Alegrete com a Polícia Federal apreendeu documentos e computadores nas residências do ex-diretor do Campus da Urcamp/Alegrete,...







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