
Diversão
com palavras

ocê já foi à Disneylíngua?
Então vá.
É
um dos parques temáticos mais divertidos. Localiza-se à direita
de quem entra, no hemisfério esquerdo do cérebro.
Funciona sem parar, portões abertos à oralidade
e à escrita, pro recreio da linguagem. Agora mesmo, enquanto
lê, você está lá dentro. Onde será que
a leitura vai parar? Só lendo.
As primeiras idas à Disneylíngua começam na
infância, claro.
O dadá-gugu é o brinquedo inicial e a mente se ilumina
no carrossel de sons. Imagine os rodopios silábicos dum
bebê. Mais um tempo e ele está pronto pra rimar.
Assim que se orienta nesse lúdico território, que
vai do balbucio risonho à balbúrdia risível,
a criança se esbalda. Um dos gozos lingüísticos é subir
no aparelho trocadilhista, a geringonça verbal favorita
da humanidade, por ser gargalhável. Na desordem das sílabas
e palavras, o trocadilhátero embaralha termos e destrambelha
textos. Os efeitos matam de rir ou de raiva. Os brincalhões
justificam o prazer: quanto mais infame, melhor. Seja como for,
depois de uma volta, nunca mais se desce. Claro que já trocadilhei
pra valer, olhe: Como dizia o jardineiro para o primogênito
ajudante no jardim: meu filho, um dia todo inço será teu.
Outro dos equipamentos habituais dos freqüentadores da Disneylíngua
são os Trava-língua. E o clássico dos clássicos é:
Um ninho de mafagafos, com cinco mafagafinhos, quem desmafagafizar
os mafagafos, bom desmafagafizador será. Experimente um
e você quer andar na lista toda. Uma vez publiquei este:
O grau da grua da draga gradeada agradou o degredado graduado no
degrau.
Se a pessoa é veterana na Disneylíngua, aí arrisca
passeios mais altos, a adrenalina léxica e fonética.
Embarca no Palindródromo, antigo e tentador divertimento
cultural. O fascínio da frase lida da esquerda pra direita
e vice-versa, delicioso vai-e-vém dos sentidos, ida e volta
arduamente construída. Desde os simplinhos, como Roma me
tem amor, ou o famoso (aqui completo) Socorram-me, livres, subi
no ônibus servil em Marrocos, palíndromo é atração
mental das melhores. (Para proteger os meus, só mostro em
livro!)
E há mais diversão: Oxímoros (a contradição
em termos, como Inteligência Militar), Pangrans (frase que
usa todas as letras do alfabeto, como esta da net: Blitz prende
ex-vesgo com cheque fajuto. Quanto menor, melhor.) e Anagramas
(como a obra-prima Anagrams = Ars Magna). Etc.
Vá à Disneylíngua. O passaporte é a
sua imaginação.
