Ano 12 - nº 114
JUNHO de 2007



Luis Fernando Verissimo
Já somos 6 bilhões, não contando o milhão e pouco que nasceu desde o começo desta frase. Se fosse um planeta bem administrado, isto não assustaria tanto. Mas é, além de tudo, um lugar mal freqüentado.



Elisa Lucinda
O vento dá maio aos meus desejos,
diz maio em meus ouvidos,
beija o segredo das orelhas descobertas
(orelhas não, zureba, meu filho dizia assim)




Fraga

Você já foi à Disneylíngua? Então vá.
É um dos parques temáticos mais divertidos. Localiza-se à direita de quem entra, no hemisfério esquerdo do cérebro. Funciona sem parar, portões abertos à oralidade e à escrita, pro recreio da linguagem.



Marco Aurélio Weissheimer

Qual o ar que se respira hoje no Estado? O presidente do Tribunal de Justiça defende a pena de morte e a redução da maioridade penal para 14 anos. As reações são de apoio, silêncio constrangido ou elogio à coragem de expressar tais opiniões publicamente.





Professores de idiomas:
profissionalismo e formação


Prof. Paulo R.S. Ramos*

Ilustração: Claudete Sieber
muito comum os leigos julgarem que um bom falante de uma determinada língua estrangeira é também um bom professor. Talvez seja de senso comum que um bom professor também é um bom usuário da língua que ensina, mas um bom usuário é, com o perdão da redundância, um bom usuário. E ponto. Os professores de idiomas que trabalham em escolas sérias e preocupadas com a qualidade do serviço prestado à comunidade têm oportunidade de aprimorar seu domínio da língua e adquirir e/ou melhorar técnicas metodológicas. Dos docentes com formação específica em Letras e Pedagogia, espera-se uma boa base teórica que deverá ser espelhada na sua prática de sala de aula. Os outros profissionais com formação diversa (sempre pensando no perfil ideal...), em geral, trazem consigo um talento para o ensino ou desenvolvem essa habilidade durante um estágio de treinamento e ao longo de sua vida profissional na escola em que lecionam. A legislação não fala em formação específica para os professores que trabalham no setor de cursos de idiomas por entender que estão fora das escolas de formação em que o idioma faz parte do currículo a ser trabalhado. Isso não significa, porém, que a formação seja algo desnecessário aos profissionais de cursos de línguas estrangeiras. A realidade mostra que mesmo os docentes sem formação em Educação e em áreas afins buscam posteriormente aprimoramento por meio de cursos específicos. Alguns optam por uma nova graduação; uma grande parte escolhe cursos de especialização ou mesmo mestrado na área de Letras ou Educação. O fato é que, ou através de cursos internos e continuados nas suas escolas ou por meio de formação acadêmica, os professores de idiomas das escolas com as quais o Sinpro/RS negocia acordos são profissionais qualificados. A realidade fora deste contexto não é bem assim. Há escolas que contratam seus professores como ‘instrutores’ apenas para não se verem obrigadas a pagar o que por direito lhes é devido. Para essas escolas, basta fluência para entrar em sala de aula. Não há preocupações didático-pedagógicas quanto ao impacto daquele professor na vida dos alunos, em geral, crianças e adolescentes. A qualidade do serviço prestado passa por algum tipo de especificidade na formação do docente; sem isso e sem o respeito à sua condição de professor, é difícil esperar bons resultados no mercado de ensino de idiomas.

* Diretor de Educação e Formação do Sinpro/RS

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