Professores
de idiomas:
profissionalismo e formação
Prof. Paulo R.S. Ramos*
Ilustração:
Claudete Sieber
muito
comum os leigos julgarem que um bom falante de uma determinada
língua estrangeira é também um bom professor.
Talvez seja de senso comum que um bom professor também é um
bom usuário da língua que ensina, mas um bom usuário é,
com o perdão da redundância, um bom usuário.
E ponto. Os professores de idiomas que trabalham em escolas sérias
e preocupadas com a qualidade do serviço prestado à comunidade
têm oportunidade de aprimorar seu domínio da língua
e adquirir e/ou melhorar técnicas metodológicas.
Dos docentes com formação específica em
Letras e Pedagogia, espera-se uma boa base teórica que
deverá ser espelhada na sua prática de sala de
aula. Os outros profissionais com formação diversa
(sempre pensando no perfil ideal...), em geral, trazem consigo
um talento para o ensino ou desenvolvem essa habilidade durante
um estágio de treinamento e ao longo de sua vida profissional
na escola em que lecionam. A legislação não
fala em formação específica para os professores
que trabalham no setor de cursos de idiomas por entender que
estão fora das escolas de formação em que
o idioma faz parte do currículo a ser trabalhado. Isso
não significa, porém, que a formação
seja algo desnecessário aos profissionais de cursos de
línguas estrangeiras. A realidade mostra que mesmo os
docentes sem formação em Educação
e em áreas afins buscam posteriormente aprimoramento por
meio de cursos específicos. Alguns optam por uma nova
graduação; uma grande parte escolhe cursos de especialização
ou mesmo mestrado na área de Letras ou Educação.
O fato é que, ou através de cursos internos e continuados
nas suas escolas ou por meio de formação acadêmica,
os professores de idiomas das escolas com as quais o Sinpro/RS
negocia acordos são profissionais qualificados. A realidade
fora deste contexto não é bem assim. Há escolas
que contratam seus professores como ‘instrutores’ apenas
para não se verem obrigadas a pagar o que por direito
lhes é devido. Para essas escolas, basta fluência
para entrar em sala de aula. Não há preocupações
didático-pedagógicas quanto ao impacto daquele
professor na vida dos alunos, em geral, crianças e adolescentes.
A qualidade do serviço prestado passa por algum tipo de
especificidade na formação do docente; sem isso
e sem o respeito à sua condição de professor, é difícil
esperar bons resultados no mercado de ensino de idiomas.
* Diretor de Educação e Formação
do Sinpro/RS
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