Especial - SAÚDE - Junho 2009
Ano 14 - nº 134
JUNHO de 2009


MATÉRIAS

Educar: profissão de risco

Pressão em excesso faz mal

Uma boa noite de sono faz a diferença

Tensões no trabalho aumentam irritabilidade e doenças

Assédio moral aparece de diferentes formas

Como reduzir a dor nas costas

Dores nas costas quase tiraram o prazer de Rosane

Ninguém precisa - nem deve - ficar sem voz!

O que é bom e o que é ruim para as cordas vocais

COMPARATIVO - Cenários diferentes, realidades semelhantes

Extra Classe - Junho 2009






docência sempre foi um desafio para aqueles que optam por este caminho. Profissão por muito tempo ligada ao status da sabedoria, nas últimas décadas enfrenta a desvalorização e até mesmo o descaso. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera o trabalho docente como uma profissão de risco, uma das mais estressantes atualmente. Muitos são os estudos que comprovam uma realidade que os professores conhecem, mas que a sociedade e as autoridades insistem em desprezar: o trabalho dos docentes da forma que está sendo desenvolvido está deixando os professores doentes. É o que pode ser observado na pesquisa Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores nas instituições de ensino privado no Rio Grande do Sul, realizada pelo Diesat – Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho e Fetee/Sul – Federação dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino Privado do RS, em conjunto com o Sinpro/RS, Sinpro Caxias e Sinpro Noroeste.

Esta pesquisa aponta problemas sérios na relação entre trabalho e saúde dos professores. Um dado preocupante é o grande número de professores que mesmo adoecidos não deixam de cumprir expediente nas escolas. “Devido à pressão e ao assédio no local de trabalho, o professor tem que trabalhar doente”, explica Wilson Campos, Coordenador da Pesquisa e Técnico do Diesat. A utilização de medicamentos também aparece de forma preocupante: estimulantes (17%), antidepressivos (20%), calmantes ou tranquilizantes (21%) são usados para suportar o cotidiano desgastante. “Essa situação é agravada por uma aparente não-preocupação das instituições em garantir uma organização do trabalho e condições que tenham como prioridade a saúde dos professores”, explica Campos.

Sobre as condições de trabalho, os principais problemas não aparecem diretamente relacionados ao ambiente físico. Fatores como jornada de trabalho, excesso de atividades, pressão de chefias e colegas, assédio moral, estão entre os principais geradores de agravos à saúde física e mental dos professores.

Pesquisas realizadas em São Paulo, Minas Gerais e Bahia também indicam que o trabalho vem afetando cada vez mais a saúde dos professores. “Em geral os estudos têm abordado as condições de trabalho, saúde mental, estresse, síndrome de burnout, mal-estar docente e distúrbios vocais. Isso ressalta a importância desta e outras pesquisas, e a necessidade de uma atenção da sociedade para este tema e uma ação conjunta por parte dos professores”, completa Campos.

Em relação a outras categorias profissionais, os pesquisadores apontam a presença de assédio moral e sofrimento psíquico cada vez maior. “Esses aspectos mantêm relação direta com a constatação de aumento de pressão por produtividade, o uso de tecnologias para alcançar este ponto. Desta maneira, fica evidente que a luta por melhores condições de trabalho, por uma jornada de trabalho mais justa e em defesa da saúde deve unir os professores aos trabalhadores em geral”, analisa Alecxandra Mari Ito, Psicóloga, especialista em Saúde Coletiva e pesquisadora do Diesat. A FeetSul também encomendou uma pesquisa sobre funcionários de estabelecimentos de educação privada, que deve ficar pronta em junho e será unificada aos resultados dos professores.

Gráfico 1 – Saúde física e mental – Quando questionados diretamente sobre problemas de saúde física ou mental relacionados ao trabalho, um alto número de docentes (45%) diz já ter apresentado um destes problemas, conforme mostra o gráfico.



De acordo com os últimos dados divulgados pelo Dieese, o Rio Grande do Sul conta com 36.161 professores que atuam em instituições privadas, sendo 15.541 no Ensino Superior e 20.620 na Educação Básica. A pesquisa foi realizada em duas etapas, inicialmente com entrevistas pessoais, seguida de questionários eletrônicos enviados para 22.478 professores sócios e não sócios do Sinpro/RS, além dos associados Sinpro Caxias e Sinpro Ijuí, com cerca de mil professores.

O retorno dos questionários foi considerado satisfatório pelos pesquisadores atingindo 7% dos associados Sinpro RS, 14% dos enviados para o Sinpro Caxias e 6% para o Sinpro Ijuí, totalizando uma amostra de 1.680 professores. “Considerando o retorno dos professores ao questionário em um período que verificamos ser o mais estressante para a categoria, que é o final do ano letivo, o índice de respostas ficou acima do esperado por nós. Isto nos dá alguns elementos para reflexão, sendo um destes a busca por espaços de escuta destas condições”, afirma Alecxandra.

Uma particularidade do Ensino Superior gaúcho é a forte presença de instituições de cunho comunitário, confessional e filantrópico, atingindo um índice de 63% do total das funções docentes no estado. No Brasil, essa relação alcança 29%.

Gráfico 2 – Distribuição por gênero – População predominantemente feminina. Na faixa etária, foi identificado maior número de pessoas com idade superior aos 36 anos, havendo maior concentração na faixa dos 41 a 50 anos.

Gráfico 3 – Escolaridade – A maior parte possui formação mínima de Especialização e Mestrado, sendo poucos com Ensino Médio ou graduação.



O trabalho apresentou um perfil do professor gaúcho muito próximo dos dados identificados pelo MEC através do Censo 2006. A população é predominantemente feminina (ver Gráfico 2) e maior parte dos docentes com idade superior aos 36 anos, com maior concentração na faixa dos 41 a 50 anos. Em termos de escolaridade, predominam os de formação mínima com Especialização e Mestrado (ver Gráfico 3), sendo poucos os que declararam ter Ensino Médio ou apenas graduação.


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ENSINO BÁSICO
Extinção do Fator Previdenciário não
afeta aposentadoria
O tempo de contribuição dos professores que atuam no Ensino Básico, e se aposentam com cinco anos a menos, não vai sofrer alterações, caso o Fator Previdenciário seja extinto.



  Lei que proíbe carroças é
contra a Lei
Foi publicado pelo site do Ministério Público do RS, no dia 27 de maio, que a procuradora-geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha, ingressou com ação direta de inconstitucionalidade, tendo por objeto a retirada do...



Ainda os albergues
O ministro Arnaldo Versiani, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista de recurso em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) pede a cassação dos mandatos do deputado federal Darci Pompeo de Mattos (PDT-RS) e do deputado estadual pelo Rio Grande do Sul Gerson Burmann (PDT-RS) por....


 




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