
docência
sempre foi um desafio
para aqueles que optam por este
caminho. Profissão por muito tempo
ligada ao status da sabedoria, nas últimas
décadas enfrenta a desvalorização
e até mesmo o descaso. A Organização
Internacional do Trabalho (OIT) considera
o trabalho docente como uma profissão
de risco, uma das mais estressantes
atualmente. Muitos são os estudos que
comprovam uma realidade que os professores
conhecem, mas que a sociedade e as autoridades insistem em desprezar:
o trabalho dos docentes da forma
que está sendo desenvolvido está deixando
os professores doentes. É o que pode
ser observado na pesquisa
Condições de
trabalho e saúde dos trabalhadores nas
instituições de ensino privado no Rio
Grande do Sul, realizada pelo Diesat – Departamento
Intersindical de Estudos
e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes
de Trabalho e Fetee/Sul – Federação
dos Trabalhadores em Estabelecimento
de Ensino Privado do RS, em conjunto
com o Sinpro/RS, Sinpro Caxias e Sinpro
Noroeste.
Esta pesquisa aponta problemas sérios
na relação entre trabalho e saúde dos
professores. Um dado preocupante é o
grande número de professores que mesmo
adoecidos não deixam de cumprir
expediente nas escolas. “Devido à pressão
e ao assédio no local de trabalho, o
professor tem que trabalhar doente”, explica
Wilson
Campos, Coordenador
da
Pesquisa e Técnico
do Diesat. A utilização de
medicamentos
também aparece de forma preocupante:
estimulantes (17%), antidepressivos
(20%), calmantes ou tranquilizantes
(21%) são usados para suportar o cotidiano
desgastante. “Essa situação é agravada
por uma aparente não-preocupação
das instituições em garantir uma organização
do trabalho e condições que tenham
como prioridade a saúde dos professores”,
explica Campos.
Sobre as condições de trabalho, os
principais problemas não aparecem diretamente
relacionados ao ambiente físico.
Fatores como jornada de trabalho,
excesso de atividades, pressão de chefias
e colegas, assédio moral, estão entre
os principais geradores de agravos à saúde
física e mental dos professores.
Pesquisas realizadas em São Paulo,
Minas Gerais e Bahia também indicam
que o trabalho vem afetando cada vez
mais a saúde dos professores. “Em geral
os estudos têm abordado as condições
de trabalho, saúde mental, estresse,
síndrome de
burnout, mal-estar docente
e distúrbios vocais. Isso ressalta a importância
desta e outras pesquisas, e a necessidade
de uma atenção da sociedade para
este tema e uma ação conjunta por parte
dos professores”, completa Campos.
Em relação a outras categorias profissionais,
os pesquisadores apontam a
presença de assédio moral e sofrimento
psíquico cada vez maior. “Esses aspectos
mantêm relação direta com a
constatação de aumento de pressão por
produtividade, o uso de tecnologias para
alcançar este ponto. Desta maneira, fica
evidente que a luta por melhores condições
de trabalho, por uma jornada de trabalho
mais justa e em defesa da saúde
deve unir os professores aos trabalhadores
em geral”, analisa Alecxandra Mari
Ito, Psicóloga, especialista em Saúde
Coletiva e pesquisadora do Diesat. A
FeetSul também encomendou uma pesquisa
sobre funcionários de estabelecimentos
de educação privada, que deve
ficar pronta em junho e será unificada
aos resultados dos professores.
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| Gráfico
1 – Saúde física e mental – Quando
questionados diretamente sobre
problemas de saúde física ou mental
relacionados ao trabalho, um alto número
de docentes (45%) diz já ter apresentado
um destes problemas, conforme
mostra o gráfico. |
De acordo com os últimos dados divulgados pelo Dieese, o
Rio Grande
do Sul conta com 36.161 professores que atuam em instituições
privadas,
sendo 15.541 no Ensino Superior e 20.620 na Educação
Básica. A pesquisa
foi realizada em duas etapas, inicialmente com entrevistas pessoais,
seguida
de questionários eletrônicos enviados para 22.478
professores sócios
e não sócios do Sinpro/RS, além dos associados
Sinpro Caxias e Sinpro
Ijuí, com cerca de mil professores.
O retorno dos questionários foi considerado satisfatório
pelos pesquisadores
atingindo 7% dos associados Sinpro RS, 14% dos enviados para o
Sinpro Caxias e 6% para o Sinpro Ijuí, totalizando uma amostra
de 1.680
professores. “Considerando o retorno dos professores ao questionário
em
um período que verificamos ser o mais estressante para a
categoria, que é o final do ano letivo, o índice
de respostas ficou acima do esperado por
nós. Isto nos dá alguns elementos para reflexão,
sendo um destes a busca
por espaços de escuta destas condições”,
afirma Alecxandra.
Uma particularidade do Ensino Superior gaúcho é a
forte presença de
instituições de cunho comunitário, confessional
e filantrópico, atingindo
um índice de 63% do total das funções docentes
no estado. No Brasil, essa relação alcança
29%.
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| Gráfico
2 – Distribuição por gênero – População
predominantemente feminina. Na faixa etária, foi
identificado maior número de pessoas com idade superior
aos 36 anos, havendo
maior concentração na faixa dos 41 a 50 anos. |
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| Gráfico
3 – Escolaridade – A maior parte possui formação
mínima de Especialização
e Mestrado, sendo poucos com Ensino Médio ou graduação. |
O trabalho apresentou um perfil do
professor gaúcho muito próximo dos dados
identificados pelo MEC através do
Censo 2006. A população é
predominantemente
feminina (
ver
Gráfico 2) e maior parte
dos docentes com idade
superior aos 36 anos,
com maior concentração
na faixa dos 41 a 50
anos. Em termos de escolaridade,
predominam
os de formação mínima
com Especialização e
Mestrado (
ver Gráfico 3),
sendo poucos os que declararam
ter Ensino Médio
ou apenas graduação.