Especial - SAÚDE - Junho 2009
Ano 14 - nº 134
JUNHO de 2009


MATÉRIAS

Educar: profissão de risco

Pressão em excesso faz mal

Uma boa noite de sono faz a diferença

Tensões no trabalho aumentam irritabilidade e doenças

Assédio moral aparece de diferentes formas

Como reduzir a dor nas costas

Dores nas costas quase tiraram o prazer de Rosane

Ninguém precisa - nem deve - ficar sem voz!

O que é bom e o que é ruim para as cordas vocais

COMPARATIVO - Cenários diferentes, realidades semelhantes

Extra Classe - Junho 2009






á um imenso grupo de professores que fica doente ou manifesta sintomas por conta das pressões que sofre ao exercer sua profissão. Às vezes, é uma carga excessiva de trabalho. Noutras, uma conduta repetitiva e abusiva, na forma de gestos, palavras, comportamentos e atitudes de alunos, pais ou chefes que atentam contra a dignidade ou integridade física e psíquica do docente. Seja como for, estas pressões causam um tremendo prejuízo à saúde.

Professores que vivem estes problemas nem sempre se sentem encorajados a reclamar ou denunciar, porque o temor de perder o emprego é maior que a dor ou o sofrimento. Geralmente, vão levando, até que um evento radical os confronte com a necessidade de buscar ajuda.

“O que indica que há algo errado é justamente o sofrimento: angústias, depressão, insônia, dor de estômago ou cabeça, problemas alérgicos, a sensação de não estar dando conta do trabalho e um sentimento de tristeza profunda”, exemplifica a psicóloga e psicanalista Mery Pomerancblum Wolff.

É comum a queixa de docentes que se sentem incapazes de lidar com algumas situações em sala de aula. “As crianças estão botando em cheque a autoridade dos pais e professores, e os dois nem sempre têm segurança de que podem assumir um papel de autoridade sem serem autoritários”, observa Mery.

Foto: René Cabrales

Existe um aumento da expectativa da sociedade em relação à escola, onde os alunos e professores são os atores e tudo converge para a sala de aula, acrescenta a psicóloga e coordenadora educacional Denise da Silva Maia. As diferentes histórias e dramas vividos pelos jovens são projetados na figura que fica à frente da classe. É para o docente que converge também a repercussão do caos do mundo de fora dos muros do colégio e o papel de dar limites que antes era exercido igualmente pela família.

Sem o apoio dos pais, da direção e da sociedade, a tendência é os professores apresentarem crises de ansiedade, cansaço e nervosismo. A pouca valorização econômica é outro motivo constante de estresse. Muitos apelam para remédios, o que nem sempre é suficiente para solucionar os conflitos. Mery adverte: se não tratar adequadamente, o problema pode se intensificar, levar a enfermidades graves e incapacitar cada vez mais.

Usaram medicamento antidepressivo
20% dos entrevistados. No mesmo período,
41% dos docentes relataram
sentirem-se sempre irritados, de
mau humor ou impacientes.




A mudança radical no plano pedagógico da escola privada em que D. trabalhava até 2008 foi o estopim de um período de dor e angústia em sua vida. Até então, aos 37 anos, nada indicava que houvesse algo errado com sua saúde. Mas no início do ano passado, assim que voltou de férias, recebeu as novas apostilas que deveriam ser a referência em sala de aula a partir de então. Para se adaptar ao esquema recém implantado, ela passou a trabalhar manhã, de tarde e à noite. Saía do colégio por volta das 18h, e mal chegava em casa se punha a preparar a classe seguinte, lendo, fazendo exercícios, corrigindo até altas horas da madrugada.

O corpo de D. reclamou na forma de mudanças radicais no seu ciclo menstrual e com fortes dores musculares. Com o esgotamento físico veio também a depressão e a dificuldade de levantar da cama, o emagrecimento exagerado, as crises de choro e a fraqueza. Sessões de terapia e medicamentos trouxeram D. de volta à vida. Reestabelecida da crise de estresse, hoje ela não entende como conseguia suportar o ritmo alucinado de aulas em duas escolas que a tirou da ativa por dois meses. “Sou exigente, me cobrava demais”, acredita. Naquela época, não fazia mais nada da vida, a não ser trabalhar. Nos finais de semana estava tão esgotada que passava todo o tempo na cama.

Foto: René Cabrales
Mery Pomeraneblum Wolff

Quando D. teve alta da terapia, voltou para o trabalho, mas teve de deixar a escola privada onde lecionava. Continua com as aulas na rede pública. Ao longo do período de tratamento, ela se deu conta de que precisava mudar também sua relação com os alunos, especialmente nas escolas particulares, em que a exigência parece maior. Percebeu que não está a seu alcance atender a uma mãe que cobra, numa reunião de professores: “Como é que vocês não conseguiram domar meu filho?” – como já ouviu em outros tempos.

Ela adverte: a escola particular cobra dos docentes na medida em que é cobrada do pai do aluno. “Mas o problema é que é um tipo de cobrança que não é da nossa alçada”, reflete. Muitos estudantes vão para a aula de manhã e nem para casa voltam, não tem quem dê almoço, quem os auxilie. “Ficam com a gente 4horas, e no resto do dia fazem o quê? Vão ao shopping, ficam na rua, na praça”, observa.

É significativo o número de docentes que se sente pressionado no trabalho, sempre
ou frequentemente, por chefes superiores (35%), por chefes imediatos (32%),
por alunos (27%), por outros colegas professores (14%) e pais de alunos (14%).


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ENSINO BÁSICO
Extinção do Fator Previdenciário não
afeta aposentadoria
O tempo de contribuição dos professores que atuam no Ensino Básico, e se aposentam com cinco anos a menos, não vai sofrer alterações, caso o Fator Previdenciário seja extinto.



  Lei que proíbe carroças é
contra a Lei
Foi publicado pelo site do Ministério Público do RS, no dia 27 de maio, que a procuradora-geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha, ingressou com ação direta de inconstitucionalidade, tendo por objeto a retirada do...



Ainda os albergues
O ministro Arnaldo Versiani, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista de recurso em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) pede a cassação dos mandatos do deputado federal Darci Pompeo de Mattos (PDT-RS) e do deputado estadual pelo Rio Grande do Sul Gerson Burmann (PDT-RS) por....


 
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