Há um tipo de assédio moral muito presente
nas escolas privadas. Os docentes
relatam se sentirem como que “empregados” dos pais, tendo de cumprir exigências,
o que causa uma sensação de impotência. “Quando
o professor se sente seguro
de sua tarefa educativa, temos a chance
de que fique menos suscetível a essa violência,
mesmo que o pai seja prepotente”,
enfatiza a psicóloga e psicanalista Mery
Pomerancblum Wolff.
Outro problema é quando os alunos
ultrapassam os limites e agridem
o professor. Foi o que aconteceu
com Etiene Selbach Silveira, 41
anos. Ficar eventualmente sem
voz, ou ter de se manter de pé durante muitas
horas, apesar das varizes, não a incomodou tanto
quanto o fato de adolescentes da escola
particular religiosa em que lecionava
terem criado uma comunidade
no site de relacionamentos
Orkut contra ela e outros docentes. “Eram
sete meninas que mandavam na direção e
no colégio”, lembra. Mesmo depois de
deixar de dar aulas ali as agressões não cessaram.
Outro dia, estava saindo do estacionamento
de um shopping quando ouviu
as ex-alunas gritarem em sua direção: “vaca,
vagabunda”.
No caso de José Fernando Fonseca da
Silveira, o assédio moral se deu de uma
forma mais sutil, por parte de um coordenador
de curso. Houve uma mudança na
direção da universidade particular em que
trabalhava. Aos 67 anos, dos quais 33
como professor, e com um currículo de
Mestre e Especialista nas áreas de Comunicação,
Hotelaria e Turismo, jamais pensou
que alguém poderia fazê-lo sentir-se
descartável. Mais do que o medo de perder
o emprego, Silveira sofreu com a indiferença
de seus superiores durante os últimos
anos lecionando naquela instituição.

Tentou várias vezes falar com a coordenadora
do curso. “Em qualquer atividade,
quanto mais bem sintonizado com a
instituição, com certeza maior é o rendimento
profissional”, analisa. Com
ele aconteceu o contrário. “Tive a sensação
de um porco que vai para o matadouro”,
conta. Sentindo-se desvalorizado,
sem respostas, ficou abalado.
Tensão, irritação e insegurança tiraram
seu sono. Quando finalmente o chamaram
para conversar, foi para dizer que
o curso precisava de renovação e que
ele fazia parte do grupo dos professores
mais antigos e caros. Seria
dispensado. Convidado
por outra instituição, voltou
a dar aulas recentemente,
mas ainda não conseguiu se livrar
do gosto amargo do desrespeito
por que passou.
O drama de Silveira não é
a demissão em si, mas a
forma como foi sendo encurralado
em uma crescente desmoralização. “Há uma forma de pressão implícita,
vinda, muitas vezes, de quem detêm o poder
imediatamente superior a ti – se houver
chance de te prejudicar, ele faz isso”, reconhece
Berenice Curtis Mércio Pereira,
62 anos, professora que atuou com Silveira
e que, como ele, afirma que foi vítima do
assédio moral.
Redução inesperada de carga horária,
troca de períodos de aulas sem aviso e afastamento
de projetos fizeram com que
Berenice fosse ficando retraída, inquieta.
Durante três ou quatro semanas, não conseguiu
dormir. Preencheu pilhas de
livretos de palavras cruzadas esperando
chegar o sono à noite.
“Contratos são feitos para serem rompidos,
mas o problema é a forma como
isso acontece”, ressalta Berenice. Um dia
ela não aguentou mais. “Cheguei em casa
e não conseguia desligar, percebi que não
era normal. E pensei: Deu! Não é por aí”.
Com a ajuda da terapia, da família, dos
amigos e, principalmente, com a força que
retira dos alunos em sala de aula, resolveu
enfrentar as caras feiras, as costas viradas, a sensação
de ser ignorada. Aprendeu
uma lição: “A gente tem que falar e achar
uma forma de ser ouvida”, recomenda.
Para quem está se sentindo “fritado”,
Silveira também dá seu conselho: procure
logo outra alternativa. “O conhecimento
e a qualidade do serviço são o seu diferencial –
diversifique suas atividades”.
As
principais fontes de assédio moral no trabalho
docente
vêm dos alunos (33%), chefes imediatos (31%), chefes
superiores
(31%) e colegas professores (23%). Os pais de alunos
aparecem com 19%. |
| Foto:
René Cabrales |
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Trabalhar em equipe
Parar, pesquisar e aprender sobre as novidades que vêm
de fora, como o uso pelos alunos da Internet e do celular
Ter regras de consenso na escola para respaldar os professores.
Por exemplo: o que todos devem fazer se tocar o
celular no meio da aula?
Regular a carga de trabalho, na medida do possível
Dosar os períodos na escola com horas de lazer e atividades
físicas
Conhecer-se: saber seus limites, suas potencialidades,
admitir quando precisa de ajuda
Cuidar da saúde: dormir bem, manter uma alimentação
balanceada e as revisões médicas em dia
Gostar de si mesmo: o afeto é um fator de prevenção
Fontes: psicólogas e coordenadoras educacionais Denise da
Silva Maia e Carolina Mainieri Chem |
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conversar com alguém para entender o que está acontecendo
procurar um especialista para avaliar o nível de sofrimento
e, se for o caso, realizar tratamento psicológico
evitar a automedicação
contar com a confiança e a colaboração dos
pais
ter o suporte da escola.
Fonte:
psicóloga e psicanalista Mery Pomerancblum Wolff
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