Especial - SAÚDE - Junho 2009
Ano 14 - nº 134
JUNHO de 2009


MATÉRIAS

Educar: profissão de risco

Pressão em excesso faz mal

Uma boa noite de sono faz a diferença

Tensões no trabalho aumentam irritabilidade e doenças

Assédio moral aparece de diferentes formas

Como reduzir a dor nas costas

Dores nas costas quase tiraram o prazer de Rosane

Ninguém precisa - nem deve - ficar sem voz!

O que é bom e o que é ruim para as cordas vocais

COMPARATIVO - Cenários diferentes, realidades semelhantes

Extra Classe - Junho 2009






Há um tipo de assédio moral muito presente nas escolas privadas. Os docentes relatam se sentirem como que “empregados” dos pais, tendo de cumprir exigências, o que causa uma sensação de impotência. “Quando o professor se sente seguro de sua tarefa educativa, temos a chance de que fique menos suscetível a essa violência, mesmo que o pai seja prepotente”, enfatiza a psicóloga e psicanalista Mery Pomerancblum Wolff.

Outro problema é quando os alunos ultrapassam os limites e agridem o professor. Foi o que aconteceu com Etiene Selbach Silveira, 41 anos. Ficar eventualmente sem voz, ou ter de se manter de pé durante muitas horas, apesar das varizes, não a incomodou tanto quanto o fato de adolescentes da escola particular religiosa em que lecionava terem criado uma comunidade no site de relacionamentos Orkut contra ela e outros docentes. “Eram sete meninas que mandavam na direção e no colégio”, lembra. Mesmo depois de deixar de dar aulas ali as agressões não cessaram. Outro dia, estava saindo do estacionamento de um shopping quando ouviu as ex-alunas gritarem em sua direção: “vaca, vagabunda”.

No caso de José Fernando Fonseca da Silveira, o assédio moral se deu de uma forma mais sutil, por parte de um coordenador de curso. Houve uma mudança na direção da universidade particular em que trabalhava. Aos 67 anos, dos quais 33 como professor, e com um currículo de Mestre e Especialista nas áreas de Comunicação, Hotelaria e Turismo, jamais pensou que alguém poderia fazê-lo sentir-se descartável. Mais do que o medo de perder o emprego, Silveira sofreu com a indiferença de seus superiores durante os últimos anos lecionando naquela instituição.


Tentou várias vezes falar com a coordenadora do curso. “Em qualquer atividade, quanto mais bem sintonizado com a instituição, com certeza maior é o rendimento profissional”, analisa. Com ele aconteceu o contrário. “Tive a sensação de um porco que vai para o matadouro”, conta. Sentindo-se desvalorizado, sem respostas, ficou abalado. Tensão, irritação e insegurança tiraram seu sono. Quando finalmente o chamaram para conversar, foi para dizer que o curso precisava de renovação e que ele fazia parte do grupo dos professores mais antigos e caros. Seria dispensado. Convidado por outra instituição, voltou a dar aulas recentemente, mas ainda não conseguiu se livrar do gosto amargo do desrespeito por que passou.

O drama de Silveira não é a demissão em si, mas a forma como foi sendo encurralado em uma crescente desmoralização. “Há uma forma de pressão implícita, vinda, muitas vezes, de quem detêm o poder imediatamente superior a ti – se houver chance de te prejudicar, ele faz isso”, reconhece Berenice Curtis Mércio Pereira, 62 anos, professora que atuou com Silveira e que, como ele, afirma que foi vítima do assédio moral.

Redução inesperada de carga horária, troca de períodos de aulas sem aviso e afastamento de projetos fizeram com que Berenice fosse ficando retraída, inquieta. Durante três ou quatro semanas, não conseguiu dormir. Preencheu pilhas de livretos de palavras cruzadas esperando chegar o sono à noite.

“Contratos são feitos para serem rompidos, mas o problema é a forma como isso acontece”, ressalta Berenice. Um dia ela não aguentou mais. “Cheguei em casa e não conseguia desligar, percebi que não era normal. E pensei: Deu! Não é por aí”. Com a ajuda da terapia, da família, dos amigos e, principalmente, com a força que retira dos alunos em sala de aula, resolveu enfrentar as caras feiras, as costas viradas, a sensação de ser ignorada. Aprendeu uma lição: “A gente tem que falar e achar uma forma de ser ouvida”, recomenda.

Para quem está se sentindo “fritado”, Silveira também dá seu conselho: procure logo outra alternativa. “O conhecimento e a qualidade do serviço são o seu diferencial – diversifique suas atividades”.

As principais fontes de assédio moral no trabalho docente vêm dos alunos (33%), chefes imediatos (31%), chefes superiores (31%) e colegas professores (23%). Os pais de alunos
aparecem com 19%.

Foto: René Cabrales



 Trabalhar em equipe
 Parar, pesquisar e aprender sobre as novidades que vêm de fora, como o uso pelos alunos da Internet e do celular
 Ter regras de consenso na escola para respaldar os professores. Por exemplo: o que todos devem fazer se tocar o celular no meio da aula?
 Regular a carga de trabalho, na medida do possível
 Dosar os períodos na escola com horas de lazer e atividades físicas
 Conhecer-se: saber seus limites, suas potencialidades, admitir quando precisa de ajuda
 Cuidar da saúde: dormir bem, manter uma alimentação balanceada e as revisões médicas em dia
 Gostar de si mesmo: o afeto é um fator de prevenção

Fontes: psicólogas e coordenadoras educacionais Denise da Silva Maia e Carolina Mainieri Chem



 conversar com alguém para entender o que está acontecendo
 procurar um especialista para avaliar o nível de sofrimento e, se for o caso, realizar tratamento psicológico
 evitar a automedicação
 contar com a confiança e a colaboração dos pais
 ter o suporte da escola.

Fonte: psicóloga e psicanalista Mery Pomerancblum Wolff


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ENSINO BÁSICO
Extinção do Fator Previdenciário não
afeta aposentadoria
O tempo de contribuição dos professores que atuam no Ensino Básico, e se aposentam com cinco anos a menos, não vai sofrer alterações, caso o Fator Previdenciário seja extinto.



  Lei que proíbe carroças é
contra a Lei
Foi publicado pelo site do Ministério Público do RS, no dia 27 de maio, que a procuradora-geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha, ingressou com ação direta de inconstitucionalidade, tendo por objeto a retirada do...



Ainda os albergues
O ministro Arnaldo Versiani, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista de recurso em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) pede a cassação dos mandatos do deputado federal Darci Pompeo de Mattos (PDT-RS) e do deputado estadual pelo Rio Grande do Sul Gerson Burmann (PDT-RS) por....


 
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