Especial - SAÚDE - Junho 2009
Ano 14 - nº 134
JUNHO de 2009


MATÉRIAS

Educar: profissão de risco

Pressão em excesso faz mal

Uma boa noite de sono faz a diferença

Tensões no trabalho aumentam irritabilidade e doenças

Assédio moral aparece de diferentes formas

Como reduzir a dor nas costas

Dores nas costas quase tiraram o prazer de Rosane

Ninguém precisa - nem deve - ficar sem voz!

O que é bom e o que é ruim para as cordas vocais

COMPARATIVO - Cenários diferentes, realidades semelhantes

Extra Classe - Junho 2009






ouquidão e perda de voz são as queixas principais dos professores. Uma série de fatores influi para fiquem sem seu principal instrumento de trabalho: carga de trabalho excessiva, estresse e número de alunos por sala de aula são alguns deles. O importante, diz a fonoaudióloga Rosane Mosmann Pimentel, é saber que qualquer modificação da voz é um sintoma de que existe algo errado e precisa ser investigado.

Os sinais iniciais costumam ser desconforto, pigarros, cansaço que aumenta no decorrer do dia, voz que falha, tensão no pescoço e na região das costas. Ficar rouco nem sempre parece grave, até porque, como geralmente o professor diminui o esforço no final de semana, a situação melhora um ou dois dias, ou até que retome suas atividades e comece ficar sem voz de novo. Com o tempo, no entanto, a tendência é que a rouquidão vá se prolongando e fique crônica. Antes que isso aconteça é preciso buscar ajuda e tratamento. O abuso vocal pode levar ao surgimento de nódulos, pólipos ou fendas vocais. A rouquidão pode ser sintoma de patologias benignas, mas também pode ser decorrente de doenças mais graves, inclusive o câncer de laringe.

Foto: René Cabrales
Rosane Mosmann Pimentel

Os professores que falam gritando, fumam, têm problemas respiratórios, refluxo gastroesofágico ou hábitos de vida inadequados estão sujeitos a terem mais distúrbios da voz. Prevenir estes problemas é mais fácil do que se pensa. Mas antes é preciso que cada um conheça a sua resistência individual, ou seja, as características da laringe e das caixas de ressonância internas, e saiba se tem problemas como rinite alérgica ou refluxo. Ao mesmo tempo, deve avaliar a forma como utiliza a voz – se tem uma boa projeção, se respira adequadamente, se compete sonoramente com os alunos ou com ruídos de ventilador, do ar-condicionado, de carros na rua ou do pátio interno nos horários de recreio.

Identificados estes fatores, é a hora de agir. A hidratação com água, preferencialmente sem gás e na temperatura ambiente, é essencial, assim como fazer períodos de repouso da voz e manter uma alimentação adequada.

O ideal é que houvesse oficinas práticas para o desenvolvimento de apoio respiratório e outras técnicas, diz Rosane. “Viamão está na fase de regulamentação de um projeto de lei que obriga a criação de um programa de prevenção nas escolas”, enfatiza. O Instituto Porto Alegre (IPA) oferece oficinas de aprimoramento vocal direcionadas aos acadêmicos das licenciaturas. Mas são ações isoladas. “Não existem políticas públicas voltadas à saúde vocal do professor. Parece que temos ainda um longo caminho para caracterizar o distúrbio da voz como doença ocupacional”, afirma a fonoaudióloga.

“Os professores do ensino público têm direito à biometria e à licença quando apresentam problemas de voz, mas os do ensino privado mascaram os sintomas e aguentam firme porque não podem deixar de trabalhar”.

Arte: Clau Sieber

O principal problema de saúde apontado
pelos professores é a rouquidão e a
perda da voz (49%).




Depois de 22 anos exercendo o Magistério em uma escola pública e 16 anos em duas escolas privadas, Maria Beatriz Leal de Moraes, 60 anos, pode se considerar uma recém-aposentada feliz. Mas houve tempos difíceis. “Ficava rouca e perdia a voz completamente – foram mais de 15 vezes”, conta. O pior período foi quando trabalhou nos três colégios ao mesmo tempo.

Para controlar as turmas com 45 alunos, ela gritava bastante. Na escola particular, tinha ainda de competir com o ruído do ar-condicionado. A ida e vinda para ambientes de temperaturas diferentes piorava ainda mais a situação. Só de vez em quando saía para tomar água no bebedor. “Nem todas as escolas gostam que o professor leve uma garrafa de á gua para dentro da sala de aula”, explica. Na primeira crise forte, foram receitados antibióticos. Até que um médico recomendou: bala e pastilha não adiantam. O jeito é hidratar, comer frutas como maçã, reaprender a respirar.

Começou a proteger o pescoço e a fechar a boca ao enfrentar trocas de temperatura, tomava bastante líquido, evitava usar giz. Conseguiu driblar a falha da voz, mas passou a ter dores fortes no braço por uma tendinite. O esforço repetitivo de escrever no quadro e corrigir provas tornou a dor crônica. Foi quando resolveu que era hora de aceitar a aposentadoria. Agora, faz Pilates, ioga, caminhadas, alongamentos, exercícios de respiração e postura. Há dez anos ela e outros professores mantêm um grupo de dança de salão. Está tranquila, como há anos não se sentia. Mas a experiência de ficar sem voz foi tão ruim, que ainda hoje todos os dias ela faz exercícios na frente do espelho articulando vogais e abrindo bem a boca e mantém-se sempre hidratada.


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ENSINO BÁSICO
Extinção do Fator Previdenciário não
afeta aposentadoria
O tempo de contribuição dos professores que atuam no Ensino Básico, e se aposentam com cinco anos a menos, não vai sofrer alterações, caso o Fator Previdenciário seja extinto.



  Lei que proíbe carroças é
contra a Lei
Foi publicado pelo site do Ministério Público do RS, no dia 27 de maio, que a procuradora-geral de Justiça, Simone Mariano da Rocha, ingressou com ação direta de inconstitucionalidade, tendo por objeto a retirada do...



Ainda os albergues
O ministro Arnaldo Versiani, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista de recurso em que o Ministério Público Eleitoral (MPE) pede a cassação dos mandatos do deputado federal Darci Pompeo de Mattos (PDT-RS) e do deputado estadual pelo Rio Grande do Sul Gerson Burmann (PDT-RS) por....


 
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