CEPA
Rede
possui nove
unidades no estado

Extra
Classe da continuidade à
série iniciada no mês de
março sobre a formação de
Redes de Escolas no Ensino Básico
e os problemas surgidos durante
o período de transição ocorridos
após as aquisições de escolas.
Neste mês, nossa reportagem
enfoca a Comunidade Evangélica
Luterana de Porto Alegre (Cepa),
que atinge, com suas nove escolas,
cerca de 4, 5 mil alunos. Nos últimos dois
anos, a Cepa adquiriu
três escolas no estado, Colégio
Cavalhada e Fátima, na capital,
agora Pastor Dohms Zona Sul e
Zona Norte, respectivamente, e a
Escola Silva Fernandes, agora Pastor
Dohms Torres/RS.
O presidente da Cepa falou ao
jornal e concorda que a formação
de redes é um cenário que vem se
repetindo no Ensino Básico privado
nos últimos anos. “A rede traz a
possibilidade do fortalecimento
mútuo, da otimização de custos e
de fortalecimento de uma proposta
pedagógica e de gestão”, afirmou
Peter Friedrich Johannes
Stampe. No entanto, de forma contraditória,
ele diz que as escolas da
Cepa não se reconhecem como
particulares e, sim, comunitárias
de gestão não-estatal, portanto,
não praticam a compra de escolas
e também não mantém uma rede.
“As escolas mantidas pela Cepa
normalmente são resultado da vontade
de uma comunidade religiosa
que tem despertada a sua vocação
na área da educação formal.
Iniciar da estaca zero ou integrar
uma instituição já existente, assumindo
a sua mantença, é apenas
uma questão de estratégia e de
metodologia para o desenvolvimento
do projeto educativo local”, explicou.
O presidente também informou
que a instituição não tem a intenção
de ampliar o número de escolas
este ano, mas não descarta a
possibilidade de “apoiar uma ou
mais comunidades interessadas em
implantar um projeto educativo
que possa representar o cumprimento
de sua missão no contexto
em que se insere”.
ASSÉDIO – Professores, ouvidos
pela reportagem, que atuavam
em uma das escolas assumidas pela
Cepa, agregadas ao Centro Educacional
de Ensino Médio Pastor
Dohms, em Porto Alegre, relataram
situações de pressão psicológica
e assédio moral durante a transição.
Preferindo não se identificar,
eles contam que, na ocasião
da compra, em outubro de 2008,
todos os docentes tiveram de passar
por testes
compostos de
cem perguntas,
elaboração de
projetos, planos
de aula e entrevista. “Disseram
que o interesse
deles era ficar
com todos os professores e que o
processo era apenas para nos conhecer
melhor. Mas nunca tivemos
um retorno sobre os testes”, afirmou
uma professora demitida justamente
após os questionários.
INTRANQUILIDADE – Segundo
a diretora do Sinpro/RS,
Cecília Farias, o aumento do número
de escolas da rede, como no
caso do Pastor Dohms, pode ser
avaliado como um benefício para
a comunidade escolar que vê revitalizada a sua
escola. No entanto, pondera que o período de
transição entre a antiga
mantenedora e a Cepa não tem sido
tranquilo. “Os professores relatam
que depois de se criar uma expectativa
de permanência na escola,
na troca de mantenedora, são surpreendentemente
afastados, sem
uma explicação plausível. Além
disso, o valor da hora-aula pago
nas Unidades desse mesmo Centro
podem variar 47%”, esclarece
Cecília.
CLIENTELISMO – Ainda
segundo ex-professores, a família
Vitória, ex-dona que permanece
no quadro funcional de uma das
escolas juntamente com o pessoal
da Rede Dohms, pressionou para
que não houvesse recuperações ou
reprovações. “Não duvido que tenha
sido demitida por me recusar
a aprovar alunos sem rendimento
comprovado desde o começo do
ano letivo, e com os devidos encaminhamentos
ao serviço de orientação
educacional. Soube que
pelo menos dois alunos reprovados
no conselho final, que continuaram na escola, foram avançados
pela nova coordenação pedagógica”,
conta a docente. Uma antiga
coordenadora também teria sido
demitida por recusar-se a aceitar
esse tipo de situação.
JUSTIFICATIVA – O presidente
Stampe confirma que quando
assume a mantença de uma
instituição que já está em funcionamento é
realizada uma avaliação
de todos os professores e funcionários. “Em
decorrência desses
processos avaliativos, há os que
permanecem e os que não permanecem.
A política é evitar trocas
e dispensas desnecessárias”, destacou.
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Centro de Ensino Médio
Pastor Dohms, constituído de sete unidades
de ensino: Higienópolis
(1.540 alunos); Lindóia (350 alunos); Zona
Sul (343 alunos); Zona Norte (420 alunos);
Camaquã/RS (564 alunos);Capão da Canoa/RS
(262 alunos) e Torres/RS (161 alunos) =
total de 3.640 alunos.
Colégio Sinodal do Salvador – Porto
Alegre: 567 alunos;
Centro Sinodal de Ensino Médio do Litoral
Norte – Tramandaí/RS: 298 alunos.
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