Ano 8 - nº 71
Maio 2003



Luis Fernando Verissimo:
Depois do sucesso da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, quem quiser saber o futuro do planeta deve procurar uma série de...



Nei Lisboa:
A guerra no Iraque vai perdendo força no noticiário, embora a suspeita de que o pior esteja por vir com a resistência à ocupação americana e...



Elisa Lucinda:

A noite paira quieta e bela sobre a lagoa
o mar fica atrás da paisagem
como se fosse uma escolha
do mar azul, azul, azul.
Parece que o mar sabe





A boa literatura ainda pára na porta da escola

Quem percorre livrarias na busca de livros infantis espanta-se com a quantidade de obras em oferta e com a variedade de temas oferecidos pelas editoras. Os amantes da boa leitura, que estão aí por volta dos 40 anos, sentem até uma certa inveja das escolhas que as crianças de hoje podem fazer e não é raro pensar “no meu tempo era Monteiro Lobato e olhe lá”. Houve uma evolução de mercado e também na qualidade dos textos produzidos; surgiram novos escritores, novos ilustradores e as editoras se multiplicaram. Mesmo num Brasil de tantas limitações, o livro chega hoje à maioria das escolas e ingressa na vida de crianças que anos atrás sequer pensariam em manusear uma história com desenhos coloridos, que trouxesse alegria para existências de extrema pobreza. Portanto, a nossa literatura infantil evoluiu com certeza absoluta.

Mas será que a abordagem que se faz do livro também acompanhou esse desenvolvimento? Será que o livro é visto como deve ser, como uma obra de ficção, narrativa ou poética, para ser lida de modo subjetivo, sem ser necessariamente por um professor?

Nossa tradição literária remonta ao século 20, com Lobato, Ruth Rocha e Ziraldo. O surgimento de novos autores é constante, mas o desaparecimento também. Os livros de boa qualidade, produzidos para divertir, emocionar e conquistar as crianças para o mundo das palavras, ainda são minoria nas bibliotecas escolares, cedendo lugar para obras que se prestam à pregação de moral, ao enfrentamento de medos, ao treinamento disso e daquilo. Evoluiu-se na oferta, mas a abordagem da literatura é ainda muito tradicional, menos preocupada em desenvolver o gosto pelas letras e mais em trazer regras, lições.

“Há espaço no Brasil para o livro de qualidade. O livro produzido aqui é tão bom quanto o produzido lá fora, tanto do ponto de vista de conteúdo quanto da tecnologia. A questão é que a cadeia comercial de venda do livro está ainda muito ligada às adoções de escolas e nem chegam às livrarias aquelas obras que as escolas decidem não adotar”, analisa Annete Baldi, diretora da Editora Projeto.


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