Ano 8 - nº 71
Maio 2003



Luis Fernando Verissimo:
Depois do sucesso da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, quem quiser saber o futuro do planeta deve procurar uma série de...



Nei Lisboa:
A guerra no Iraque vai perdendo força no noticiário, embora a suspeita de que o pior esteja por vir com a resistência à ocupação americana e...



Elisa Lucinda:

A noite paira quieta e bela sobre a lagoa
o mar fica atrás da paisagem
como se fosse uma escolha
do mar azul, azul, azul.
Parece que o mar sabe





Direito autoral e outras polêmicas

A literatura infantil, no que tange à ilustração, não se restringe apenas aos desafios constantes da mudança de linguagem. É também berço de polêmicas, como na questão do direito autoral.

É praxe das editoras oferecer 10% sobre o preço de capa dos livros em direitos autorais, via de regra para o escritor. O ilustrador normalmente recebe a remuneração pela tarefa de ilustrar, e ponto. Se o livro for reeditado 15 vezes e o escritor não concordar em dividir sua porcentagem, o ilustrador não recebe mais nenhum tostão.

De acordo com a editora Annete Baldi, há não muito mais de uma década é que o ilustrador passou a ter um status mais equilibrado em relação ao escritor. Nos livros publicados pela editora em que atua, o nome do ilustrador sempre aparece na capa e há oferta de contratos de co-autoria, ou seja, 5% de direitos para o escritor e 5% para o ilustrador. “Temos inclusive oferecido a opção de o ilustrador receber os direitos autorais a partir da segunda edição, o que não acontece se o escritor não quiser abrir mão de seus 10%”, explica. Não são poucas, contudo, as editoras que ainda hoje limitam-se a mencionar o ilustrador apenas na ficha catalográfica, dando a ele um papel secundário no conjunto da obra. “É por isso que muitos escritores ilustram os próprios livros e que ilustradores acabam virando escritores”, diz Cristina Biazetto, que representa no Rio Grande do Sul a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ).

Pior que a questão do direito autoral, já em processo de evolução, está, na visão de Marco Cena, o desprezo da crítica e dos formadores de opinião pelo trabalho do ilustrador. O crítico literário, normalmente, não tem informações para discutir aspectos estéticos da ilustração, por isso quase sempre o faz de forma superficial ou os ignora. “Além de ilustração para livros infantis, eu faço em média 60 capas de livros por ano. Há reportagens inteiras sobre o texto e ninguém fala sobre a capa, que também é parte do produto, que alguém fez e esse alguém não foi o escritor”, reclama.


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