Depois
do sucesso da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, quem
quiser saber o futuro do planeta deve procurar uma série
de textos escritos por Paul Wolfowitz e outros na revista Weekly
Standard, editada por William Kristol, nos anos 90, ainda durante
o governo Clinton. Os textos faziam parte de um Projeto para
um Novo Século Americano e podem ser consultados como
se consulta um roteiro, para saber o que vem agora. Porque está
tudo lá, a começar pela ocupação do
Iraque para, entre outras coisas, intimidar a Síria e o Irã
e dominar os recursos e a política da região. As repetidas
ameaças do secretário de Defesa americano, Donald
Rumsfeld, à Síria já estariam preparando o
terreno para o passo seguinte.
Wolfowitz, Kristol e os outros idealizadores do Projeto, como Richard
Perle e John R. Bolton, acabaram formando o núcleo de ideólogos
neoconservadores que assumiram a política externa americana
com a eleição de Bush, para desconcerto inclusive
da velha-guarda republicana, como Bush pai, James Baker etc. Num
artigo recente na New Statement sobre esta tomada de assalto do
poder americano pelos neoconservadores, Michael Lind identifica
no pentágono que sustenta a claque além
do lobby da direita israelense, fundações conservadoras
com financiamentos milionários como a American Enterprise
Institute, institutos de estudo direitistas e impérios de
mídia como o de Rupert Murdoch o fundamentalismo religioso
americano. Este pode dizer que a vitória sobre o Mal representado
pelo fundamentalismo satânico (o outro) está prevista
nos versos milenaristas da Bíblia. Os pragmáticos
do movimento também podem dizer que tudo já estava
escrito, mas no Weekly Standard.
A forma como se deu a ascensão dos neocons e o triunfo do
seu projeto para uma América über alles provoca espanto
- e teses conspiratórias a gosto. Nada teria acontecido se
não tivessem roubado os votos do colégio eleitoral
da Flórida de Gore (que ganhou na votação popular
nacional), com a ajuda da maioria conservadora da Corte Suprema.
Ou se o escolhido para vice não fosse o Dick Cheney, que
providenciou a aproximação de Bush com os homens do
Projeto e acrescentou uma sexta ponta ao pentágono, a conveniência
para o complexo industrial e petroleiro da nova e lucrativa disposição
guerreira. Ou se não tivesse acontecido o 11/9.
O roteiro está sendo seguido e está dando certo. O
Século Americano começa ao contrário de como
terminou o mundo no poema de Eliot, com um estouro. E, vá
lá, alguns gemidos também, mas estes são só
de crianças desmembradas. Estamos falando de coisas sérias.
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