Federalização da Urcamp é uma possibilidade distante
Apesar de ser uma possibilidade ainda
remota, a repercussão do anúncio da proposta de federalização
da Universidade da Região da Campanha (Urcamp) tem ocupado
a imprensa, a comunidade acadêmica e os políticos
das cidades onde a Instituição está sediada,
em especial os prefeitos de São Borja e Bagé e, é
claro, os dirigentes da Universidade.
César Fraga
ão
dá para falar em federalização ainda”,
declarou Mário Pederneiras, Diretor do Departamento de Supervisão
de Educação Superior do
MEC. Segundo ele, essa é uma possibilidade dentre várias que serão
analisadas pelo Ministério. “É importante frisar que essa
questão será avaliada dentro de um aspecto mais geral”, diz.
Pederneiras esclarece
que até o
momento a única coisa que há nesse
sentido é um documento elaborado pela Universidade e encaminhado ao
Ministério.
Trata-se de um perfil da Instituição, descrevendo aspectos socioeconômicos
da região onde está inserida, para que o MEC estude formas de
auxiliar a Urcamp, que passa por grave crise financeira. “Esse dossiê recém
começou a ser estudado. Ainda não foi objeto de uma avaliação
mais profunda. Além disso, não representa uma proposta que o
Ministério
fez, mas possibilidades a serem discutidas”, diz. A proposta básica
do documento é incluir as Instituições
Comunitárias de Ensino Superior no orçamento do governo federal
em consonância com as políticas públicas que estejam alicerçadas no
princípio da demo-
Mário Pederneiras,
do MEC
cratização do acesso de todas as camadas sociais ao Ensino
Superior. Porém, o documento não trata exclusivamente
de federalização, termo que só é mencionado como
uma possibilidade a ser estudada.
Esse documento resultou de uma reunião ocorrida em 10 de março,
da qual participaram o reitor da Urcamp Arno Cunha, o prefeito de Bagé Luiz
Fernando Mainardi, o ministro Tarso Genro e o próprio Mário Pederneiras. “Falou-se
das dificuldades financeiras da Universidade e da importância de se manter
a sua proposta de ensino para a região. Além disso, o reitor pediu
que o Ministério tivesse uma abordagem diferenciada das Universidades
Comunitárias”, diz o representante do MEC, responsável pelo
caso. Conforme Pederneiras, o que houve, de fato, durante a discussão,
foi o levantamento de várias hipóteses por parte do ministro Tarso
Genro e sua equipe para tentar equacionar o problema, uma delas seria a de federalização. “Mas
essa solução é muito difícil e complicada”,
explica. “Não se está colocando as coisas nesses termos.
Por enquanto, ainda não sabemos qual a melhor saída para a Instituição”,
completa.
Prefeitos mobilizam-se
De certa forma, as declarações do MEC funcionam com um balde de água
fria na forma um tanto eufórica como tem sido tratado o tema em duas das
principais cidades que sediam a Urcamp.
Sabe-se que para o prefeito de Bagé, a federalização significaria
uma vitória política importante, pois a bandeira em defesa de um
ensino superior público para a região é histórica
e há bastante tempo é defendida por ele. Nossa reportagem tentou
insistentemente ouvi-lo sobre o assunto, mas não obteve retorno. Mesmo
se tratando de uma possibilidade ainda remota, conforme o MEC, o prefeito de
São Borja, Renê Ribeiro, já aderiu à campanha pró-federalização
da Urcamp. Conforme declaração sua ao jornal Correio do Povo, de
23 de abril, a iniciativa abrirá chance para estudantes carentes, permitindo à Urcamp
repensar o atual modelo de desenvolvimento da Metade Sul.
“Não queremos criar uma instituição nova. Queremos que a
União assuma o que já existe”, afirma de forma categórica
o reitor da Universidade, Arno Cunha. “É preciso que o MEC tenha
um olhar diferenciado para as instituições comunitárias
que se encontram em dificuldades, dentre elas a Urcamp”, diz. Segundo ele,
houve boa receptividade pelo MEC e aguarda a análise do projeto com otimismo. “Por
enquanto, estamos promovendo um grande debate sobre o tema dentro da Universidade,
pois queremos ouvir professores e alunos sobre o assunto. E até agora
estamos tendo apoio irrestrito da comunidade acadêmica”, explica.
Entretanto admite que tudo depende da avaliação do MEC e de como
for encaminhada a Reforma Universitária num futuro próximo.
Atualmente a Urcamp possui campi em oito cidades: Bagé, Caçapava
do Sul, Dom Pedrito, São Gabriel, São Borja, Santana do Livramento,
Itaqui e Alegrete. Ao todo são 960 docentes, 544 funcionários e
8.350 alunos matriculados na graduação e pós-graduação
e pesquisa. A Instituição também mantém unidades
de Ensino Fundamental e Médio.
NOTAS
Necessidades
especiais
A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica
(Setec) quer saber quantos alunos com necessidades especiais estudam
em escolas agrotécnicas federais, centros federais de educação
tecnológica e em escolas federais vinculadas a universidades.
Através de questionários, foi possível saber que
curso eles fazem e quais deficiências têm. A pesquisa foi
concluída no final do mês, mas ainda não foi divulgada.
Ela irá subsidiar as políticas desenvolvidas pela Setec
e pela Secretaria de Educação Especial.
Mercosul
Tiveram início em 29 de março e estarão sendo
realizados até o dia 10 de junho encontros do Setor Educacional
do Mercosul, que reúne representantes dos ministérios
da Educação, professores, autoridades e especialistas
em educação. O evento, que ocorre em Assunção,
Paraguai, trata de assuntos que visam à cooperação
educacional e à integração regional entre os
países do bloco. Temas como Nova Tabela de Reconhecimento
de Títulos e Certificados para o Ensino Primário e
Programa de Intercâmbio União Européia – Mercosul
são prioridades.
Assentamentos
Pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep/MEC) apontou que mais de 900 mil alunos
estudam nos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra). Apenas 23,4% dos jovens de 15
a 17 anos estão fazendo o ensino médio. O levantamento
faz parte do estudo sobre a realidade dos assentamentos do Incra,
criados a partir de 1985.
Reitor preso
O reitor da Universidade de Marília, em São Paulo,
foi condenado a dez anos e seis meses de prisão. Márcio
Mesquita cumprirá pena em regime fechado por sonegação
de tributos correspondentes a R$ 47 milhões e utilização
de documentos falsos entre 1991 e 1996, relativos à Associação
de Ensino de Marília. Não bastasse, ele simulou despesas
pessoais e de sua empresa como se fossem da Universidade, o que o
tornaria imune do pagamento de impostos e contribuições.
Cursos
estrangeiros
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior (Capes) e a Secretaria de Educação
Profissional e Tecnológica (Setec) divulgaram uma nota conjunta
manifestando preocupação com a grande oferta de cursos
de pós-graduação de instituições
estrangeiras. Eles temem a repetição de um fato registrado
no final dos anos 90, quando muitos brasileiros obtiveram títulos
em instituições estrangeiras que atuavam ilegalmente
no país. O presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães,
afirmou que sua preocupação é com a qualidade
dos cursos oferecidos e recomenda que os interessados busquem informações
sobre a instituição em que pretendem cursar antes da
matrícula.
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