Em
maio de 1997, a reportagem de Renato Hoffmann chamava
a atenção para a ditadura imposta pelos
bancos no cotidiano de todos os cidadãos. A
matéria alertava para a impessoalização
das relações entre as instituições
bancárias e seus clientes por conta dos processos
de automação e também para a crescente
dependência do sistema financeiro a que todos
somos submetidos diariamente. Na mesma edição,
o Extra Classe noticiava a morte de Paulo Freire, indiscutível ícone
da educação brasileira que faleceu no
dia 2 de maio daquele ano. Também está nesta
edição a entrevista que a jornalista
Valéria Ochôa realizou com o já falecido
lama Chagdub Tulku Rimponche, o monge budista que recém
iniciava suas atividades na Serra Gaúcha.
Lula
e o clero
Depois da derrota de Lula para o baixo clero da Câmara dos
Deputados, chegou a vez de azedar as relações do
governo com o clero de verdade, a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB). Em dois anos de governo, só aumentou
a distância entre a Igreja e o Estado. Nos 50 anos de existência
da CNBB, Lula foi o primeiro presidente a se reunir com a absoluta
maioria do episcopado (305 cardeais, arcebispos e bispos de todo
o país, de um total de 414) numa visita do presidente à assembléia
anual da entidade em Itaici, interior de São Paulo, em maio
de 2003. Deste encontro até hoje, as relações
do governo e a Igreja só pioraram. Dom Eusébio Scheid,
cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, define o catolicismo do presidente
como “caótico”. Apesar de não refletir
o pensamento dominante no clero brasileiro, D. Scheid foi motivado
por uma crescente insatisfação da Igreja em relação
a temas como aborto, controle de natalidade e pesquisas com células-tronco.
Além das discordâncias no campo da moral, a relação
entre a Igreja e Lula foi fragilizada pelas políticas sociais
do governo. As pastorais sociais católicas, que foram o
principal núcleo da mobilização popular que
levou Lula ao Planalto, em 2002, romperam com o governo por causa
da ortodoxia político-econômica.
Será o Benedito?
A confusão até agora não esclarecida por boa
parte da imprensa diz respeito à tradução
apressada do nome do novo papa, Benedictum XVI, no instante em
que foi anunciado. As emissoras que estavam de plantão,
traduziram erradamente para o português a alcunha papal como
sendo Benedito XVI, homenageando assim o santo errado. Bento e
Benedito são nomes e santos diferentes. Logo a gafe foi
corrigida, porém não reconhecida. Em comum, ambos
os nomes possuem a mesma origem no latim benedictus (um verbo),
que significa benzer. Porém, apesar das “perecências”,
na história da Igreja católica, Bento (dir.) é um
dos santos mais “importantes” – se é que
existe hierarquia para santos –, tendo vivido entre os anos
480 e 587 d.C., a quem se atribui a cristia-nização
da maior parte da Europa. Sua ordem, a dos monges benediti-nos,
viria a se tornar poderosa no contexto da Igreja. Já Benedito
(esq.) (1526-1589) é considerado um santo menor. De origem
humilde, negro, é praticamente um oposto de Bento. Siciliano
descendente de escravos, fez-se franciscano e, analfabeto, era
o cozinheiro do monastério. Embora no Brasil seja um santo
popular, até por identificação, para a Igreja
de Ratzinger, que fez parte da Juventude de Nazista, é bem
menos importante e parece estar longe de ser uma referência.
Talvez por isso não se queira misturá-los.
MEC fecha Universidade Privada
Pela primeira vez no governo Lula, o MEC descredenciou uma instituição
particular de ensino superior por falta de condições
de funcionamento. A Faculdade Garcia Silveira, mantida pela Associação
Educativa de Brasília, com sede no Guará (DF), era
registrada desde 96 e tinha autorização para oferecer
cursos de psicologia, ciências biológicas e serviço
social. A faculdade poderá manter as aulas até dia
6 de maio, mas não deverá aceitar novos alunos. Os
estudantes devem ser transferidos. Segundo o MEC, a faculdade tem
cerca de 140 alunos. A direção da instituição
afirmou que o problema foi gerado por “crise social”,
porque, em 2003, os alunos deixaram de pagar as mensalidades e,
no ano seguinte, alguns professores pediram demissão.
Dia do trabalhador
A comemoração da CUT-RS pelo Dia Internacional do
Trabalhador, em 1° de maio, foi em Caxias do Sul, sob o slogan “Acorda
Rio Grande, a farsa acabou”. A movimentação
foi preparada com o intuito de promover a reflexão sobre
o mundo do trabalho, a política econômica nacional,
a crise do Estado e as alternativas para a geração
de emprego e renda. Essa foi a 10ª Romaria do Trabalhador
e da Trabalhadora, que disse “não” à Alca
entre outros nãos, além reverberar gritos de guerra
criticando o governo estadual.
Resolução contra Cuba
Com 21 votos a favor e 17 contra, a Comissão de Direitos
Humanos da ONU aprovou uma resolução que condena
o país governado por Fidel Castro. O Brasil absteve-se.
Ao contrário de outros anos, os EUA não conseguiram
um outro país para assinar a proposta como “testa
de ferro” e tiveram de assumir a autoria do documento.
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