Ano 10 - nº 91
Maio 2005



Luis Fernando Verissimo:
Depois do enterro, as três filhas ficaram lembrando coisas da dona Nininha.
– Lembra quando ela quis olhar atrás das orelhas do Saul?
Helena, a filha mais velha, tinha levado o namorado Saul para a mãe conhecer. E a dona Nininha insistira em...




Nei Lisboa:
Ainda não se sabe qual vai ser a declaração do Lula para o próximo dia das mães, mas a correria entre os assessores já é grande, assustados com a possibilidade de ele fazer alguma referência a traseiros ou lembrar novamente a sua...



Elisa Lucinda:

Foi uma noite profunda. Deve ser assim o sono da morte. Abri os olhos e doeu abrir os olhos. Uma luz quente mostrava uns panos num tom que tinha a maior cara do que eu sempre pensei que fosse a cor azul. Não é que eram minhas cortinas? As cortinas do meu quarto, Mãe do céu!





Ditadura dos bancos

Em maio de 1997, a reportagem de Renato Hoffmann chamava a atenção para a ditadura imposta pelos bancos no cotidiano de todos os cidadãos. A matéria alertava para a impessoalização das relações entre as instituições bancárias e seus clientes por conta dos processos de automação e também para a crescente dependência do sistema financeiro a que todos somos submetidos diariamente. Na mesma edição, o Extra Classe noticiava a morte de Paulo Freire, indiscutível ícone da educação brasileira que faleceu no dia 2 de maio daquele ano. Também está nesta edição a entrevista que a jornalista Valéria Ochôa realizou com o já falecido lama Chagdub Tulku Rimponche, o monge budista que recém iniciava suas atividades na Serra Gaúcha.


Lula e o clero

Depois da derrota de Lula para o baixo clero da Câmara dos Deputados, chegou a vez de azedar as relações do governo com o clero de verdade, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em dois anos de governo, só aumentou a distância entre a Igreja e o Estado. Nos 50 anos de existência da CNBB, Lula foi o primeiro presidente a se reunir com a absoluta maioria do episcopado (305 cardeais, arcebispos e bispos de todo o país, de um total de 414) numa visita do presidente à assembléia anual da entidade em Itaici, interior de São Paulo, em maio de 2003. Deste encontro até hoje, as relações do governo e a Igreja só pioraram. Dom Eusébio Scheid, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, define o catolicismo do presidente como “caótico”. Apesar de não refletir o pensamento dominante no clero brasileiro, D. Scheid foi motivado por uma crescente insatisfação da Igreja em relação a temas como aborto, controle de natalidade e pesquisas com células-tronco. Além das discordâncias no campo da moral, a relação entre a Igreja e Lula foi fragilizada pelas políticas sociais do governo. As pastorais sociais católicas, que foram o principal núcleo da mobilização popular que levou Lula ao Planalto, em 2002, romperam com o governo por causa da ortodoxia político-econômica.


Será o Benedito?


A confusão até agora não esclarecida por boa parte da imprensa diz respeito à tradução apressada do nome do novo papa, Benedictum XVI, no instante em que foi anunciado. As emissoras que estavam de plantão, traduziram erradamente para o português a alcunha papal como sendo Benedito XVI, homenageando assim o santo errado. Bento e Benedito são nomes e santos diferentes. Logo a gafe foi corrigida, porém não reconhecida. Em comum, ambos os nomes possuem a mesma origem no latim benedictus (um verbo), que significa benzer. Porém, apesar das “perecências”, na história da Igreja católica, Bento (dir.) é um dos santos mais “importantes” – se é que existe hierarquia para santos –, tendo vivido entre os anos 480 e 587 d.C., a quem se atribui a cristia-nização da maior parte da Europa. Sua ordem, a dos monges benediti-nos, viria a se tornar poderosa no contexto da Igreja. Já Benedito (esq.) (1526-1589) é considerado um santo menor. De origem humilde, negro, é praticamente um oposto de Bento. Siciliano descendente de escravos, fez-se franciscano e, analfabeto, era o cozinheiro do monastério. Embora no Brasil seja um santo popular, até por identificação, para a Igreja de Ratzinger, que fez parte da Juventude de Nazista, é bem menos importante e parece estar longe de ser uma referência. Talvez por isso não se queira misturá-los.

MEC fecha Universidade Privada

Pela primeira vez no governo Lula, o MEC descredenciou uma instituição particular de ensino superior por falta de condições de funcionamento. A Faculdade Garcia Silveira, mantida pela Associação Educativa de Brasília, com sede no Guará (DF), era registrada desde 96 e tinha autorização para oferecer cursos de psicologia, ciências biológicas e serviço social. A faculdade poderá manter as aulas até dia 6 de maio, mas não deverá aceitar novos alunos. Os estudantes devem ser transferidos. Segundo o MEC, a faculdade tem cerca de 140 alunos. A direção da instituição afirmou que o problema foi gerado por “crise social”, porque, em 2003, os alunos deixaram de pagar as mensalidades e, no ano seguinte, alguns professores pediram demissão.

Dia do trabalhador

A comemoração da CUT-RS pelo Dia Internacional do Trabalhador, em 1° de maio, foi em Caxias do Sul, sob o slogan “Acorda Rio Grande, a farsa acabou”. A movimentação foi preparada com o intuito de promover a reflexão sobre o mundo do trabalho, a política econômica nacional, a crise do Estado e as alternativas para a geração de emprego e renda. Essa foi a 10ª Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora, que disse “não” à Alca entre outros nãos, além reverberar gritos de guerra criticando o governo estadual.

Resolução contra Cuba

Com 21 votos a favor e 17 contra, a Comissão de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução que condena o país governado por Fidel Castro. O Brasil absteve-se. Ao contrário de outros anos, os EUA não conseguiram um outro país para assinar a proposta como “testa de ferro” e tiveram de assumir a autoria do documento.







Gilson Camargo

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