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das mais bem-sucedidas revoluções ocorridas no
Brasil do século
XX não teve tiros nem sangue. Não que lhe faltassem suor e lágrimas,
mas o motor dessa mudança era um novo conceito estético, protagonizado
pela música de alta qualidade nascida na segunda metade dos anos 50, a
partir da combinação samba + jazz e distribuída em embalagens
sensacionais que casavam sofisticação com simplicidade de forma
tão sublime que ninguém estranharia se fossem emolduradas nas paredes
das galerias de arte. Estava garantida, assim, a trilha sonora mais-do-que-perfeita
para um país em transformação, onde tudo o que fosse moderno
tinha que ser, acima de tudo, bossa nova. Boa parte da história dessa
sutil reviravolta sonora e estética está reconstruída no
livro Bossa nova e outras bossas: a arte e o design das capas dos LPs, elaborado
pelo discófilo carioca Caetano Augusto Rodrigues – o maior colecionador
mundial do estilo – em parceria com o pesquisador e baterista titã Charles
Gavin e colaboradores de todas as partes do globo. A obra, cuja primeira edição é vendida
pela internet e tem a sua renda revertida para a campanha do desarmamento infantil,
apresenta um escrete com mais de 700 reproduções das capas de discos
da música que melhor soube expressar o amor, o sorriso e a flor, até mesmo
quando não havia letra.
Inexplicavelmente distante de 99% das salas de aula brasileiras até hoje,
a importância desse período da cultura nacional recebeu tratamento
quase didático na compilação, que traz como bônus
os sempre saborosos comentários do jornalista e escritor Ruy Castro. Está praticamente
tudo ali: capas, contracapas, gravadoras, pioneiros, cantores, conjuntos instrumentais,
trilhas, coletâneas, a bossa nova no exterior, raridades, curiosidades
e até as picaretagens fonográficas que pegaram carona no estilo
surgido em 1958 e cada vez mais atual. A tour de luxo, diagramada no tamanho “natural” de
31 cm2 dos elepês e em alta fidelidade gráfica (como se os invólucros
tivessem saído ontem do prelo), permite concluir que, mesmo com todos
os recursos técnicos atualmente disponíveis, a superioridade daquele
trabalho chega a ser covardia. Essencial até a última pétala.
*Jornalista e professor de Arte
Museu
Virtual Ms. Fúlvio Vinícius Arnt* / Dr. Marcus
Vinícius Beber**
Os últimos cinqüenta anos têm assistido a uma
transformação radical na maneira como as pessoas
estão se comunicando. As tecnologias de transmissão
e difusão de dados nos libertaram das ondas de rádio
para atingirmos o nirvana da interatividade. Isto representou
uma mudança paradigmática na forma como se estabelece
a relação emissor-receptor. Até então
o receptor absorvia passivamente a mensagem do emissor.
Com o novo paradigma, essa relação é alterada,
existindo uma ligação física entre ambos,
que permite a conjugação do verbo interagir e retira
a passividade do receptor. A informação no século
XXI é abundante, barata e popular, e a tecnologia permite
um novo formato: a emissora dá lugar ao provedor e o locutor
ao hipertexto. Som e imagem passam a ser apenas mais uma forma
de vinculação da informação, agora
interativa.
Assim, o Museu Instituto Anchietano de Pesquisas observou a necessidade
de formar um novo espaço para tornar públicas as
pesquisas desenvolvidas nos seus projetos. Criou, então,
o Museu Virtual, organizado por arqueólogos para a comunidade,
com a preocupação de que fosse um produto maior
do que a mera reprodução do espaço no mundo
cibernético.
Outra preocupação era disponibilizar o material
dos professores de Arqueologia da Unisinos, tornando mais acessíveis
as informações para acadêmicos e comunidade,
atendendo a problemática de mudar a maneira engessada
de encarar os museus como espaço de diversão/repositório
de objetos antigos e inúteis.
A dinâmica da Página foi concebida de forma a não
excluir, apenas acrescentar conteúdos, quando muito alterando
a forma de apresentação; rompendo com a efemeridade
da internet.
Buscaram-se subsídios, através da experiência
concreta no Museu IAP, para a construção de um
espaço interativo, e de fácil acesso, entre as
antigas e novas pesquisas, onde se pode acompanhar os progressos
da equipe e disponibilizar ao internauta uma pequena amostra
das recordações dos colegas que por aqui passaram,
atores da arqueologia nos últimos anos.
* Arqueólogo do Instituto Anchietano de Pesquisas
** Arqueólogo
- Professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
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