Ano 10 - nº 91
Maio 2005



Luis Fernando Verissimo:
Depois do enterro, as três filhas ficaram lembrando coisas da dona Nininha.
– Lembra quando ela quis olhar atrás das orelhas do Saul?
Helena, a filha mais velha, tinha levado o namorado Saul para a mãe conhecer. E a dona Nininha insistira em...




Nei Lisboa:
Ainda não se sabe qual vai ser a declaração do Lula para o próximo dia das mães, mas a correria entre os assessores já é grande, assustados com a possibilidade de ele fazer alguma referência a traseiros ou lembrar novamente a sua...



Elisa Lucinda:

Foi uma noite profunda. Deve ser assim o sono da morte. Abri os olhos e doeu abrir os olhos. Uma luz quente mostrava uns panos num tom que tinha a maior cara do que eu sempre pensei que fosse a cor azul. Não é que eram minhas cortinas? As cortinas do meu quarto, Mãe do céu!





Música para os olhos
Marcello Campos*

ma das mais bem-sucedidas revoluções ocorridas no Brasil do século XX não teve tiros nem sangue. Não que lhe faltassem suor e lágrimas, mas o motor dessa mudança era um novo conceito estético, protagonizado pela música de alta qualidade nascida na segunda metade dos anos 50, a partir da combinação samba + jazz e distribuída em embalagens sensacionais que casavam sofisticação com simplicidade de forma tão sublime que ninguém estranharia se fossem emolduradas nas paredes das galerias de arte. Estava garantida, assim, a trilha sonora mais-do-que-perfeita para um país em transformação, onde tudo o que fosse moderno tinha que ser, acima de tudo, bossa nova. Boa parte da história dessa sutil reviravolta sonora e estética está reconstruída no livro Bossa nova e outras bossas: a arte e o design das capas dos LPs, elaborado pelo discófilo carioca Caetano Augusto Rodrigues – o maior colecionador mundial do estilo – em parceria com o pesquisador e baterista titã Charles Gavin e colaboradores de todas as partes do globo. A obra, cuja primeira edição é vendida pela internet e tem a sua renda revertida para a campanha do desarmamento infantil, apresenta um escrete com mais de 700 reproduções das capas de discos da música que melhor soube expressar o amor, o sorriso e a flor, até mesmo quando não havia letra.

Inexplicavelmente distante de 99% das salas de aula brasileiras até hoje, a importância desse período da cultura nacional recebeu tratamento quase didático na compilação, que traz como bônus os sempre saborosos comentários do jornalista e escritor Ruy Castro. Está praticamente tudo ali: capas, contracapas, gravadoras, pioneiros, cantores, conjuntos instrumentais, trilhas, coletâneas, a bossa nova no exterior, raridades, curiosidades e até as picaretagens fonográficas que pegaram carona no estilo surgido em 1958 e cada vez mais atual. A tour de luxo, diagramada no tamanho “natural” de 31 cm2 dos elepês e em alta fidelidade gráfica (como se os invólucros tivessem saído ontem do prelo), permite concluir que, mesmo com todos os recursos técnicos atualmente disponíveis, a superioridade daquele trabalho chega a ser covardia. Essencial até a última pétala.

*Jornalista e professor de Arte



Museu Virtual
Ms. Fúlvio Vinícius Arnt* / Dr. Marcus Vinícius Beber**

Os últimos cinqüenta anos têm assistido a uma transformação radical na maneira como as pessoas estão se comunicando. As tecnologias de transmissão e difusão de dados nos libertaram das ondas de rádio para atingirmos o nirvana da interatividade. Isto representou uma mudança paradigmática na forma como se estabelece a relação emissor-receptor. Até então o receptor absorvia passivamente a mensagem do emissor.

Com o novo paradigma, essa relação é alterada, existindo uma ligação física entre ambos, que permite a conjugação do verbo interagir e retira a passividade do receptor. A informação no século XXI é abundante, barata e popular, e a tecnologia permite um novo formato: a emissora dá lugar ao provedor e o locutor ao hipertexto. Som e imagem passam a ser apenas mais uma forma de vinculação da informação, agora interativa.

Assim, o Museu Instituto Anchietano de Pesquisas observou a necessidade de formar um novo espaço para tornar públicas as pesquisas desenvolvidas nos seus projetos. Criou, então, o Museu Virtual, organizado por arqueólogos para a comunidade, com a preocupação de que fosse um produto maior do que a mera reprodução do espaço no mundo cibernético.

Outra preocupação era disponibilizar o material dos professores de Arqueologia da Unisinos, tornando mais acessíveis as informações para acadêmicos e comunidade, atendendo a problemática de mudar a maneira engessada de encarar os museus como espaço de diversão/repositório de objetos antigos e inúteis.

A dinâmica da Página foi concebida de forma a não excluir, apenas acrescentar conteúdos, quando muito alterando a forma de apresentação; rompendo com a efemeridade da internet.

Buscaram-se subsídios, através da experiência concreta no Museu IAP, para a construção de um espaço interativo, e de fácil acesso, entre as antigas e novas pesquisas, onde se pode acompanhar os progressos da equipe e disponibilizar ao internauta uma pequena amostra das recordações dos colegas que por aqui passaram, atores da arqueologia nos últimos anos.

* Arqueólogo do Instituto Anchietano de Pesquisas
** Arqueólogo - Professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)

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Gilson Camargo

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