A persistência das desigualdades regionais no Rio Grande
do Sul
(parte 1)
José Antonio Fialho Alonso*


persistência
das desigualdades regionais e a busca de soluções
para atenuá-las constituem temas que pertencem a uma só problemática,
a do desenvolvimento em sentido amplo. Na verdade, o desenvolvimento
desigual no plano inter-regional e local é uma face das
desigualdades interpessoais da renda e da riqueza. É um
problema relativo ao tema do desenvolvimento em todas as suas dimensões – sociais,
econômicas e territoriais. Portanto, um problema cujas soluções
são de responsabilidade coletiva, isto é, de todos,
governos, empresários e trabalhadores. Contudo, a tarefa
de coordenar o processo de formulação e encaminhamento
de soluções para reduzir as disparidades cabe aos
governos, seja através de políticas públicas,
seja via mobilização de empreendimentos privados.
Após um longo período de indiferença dos poderes
públicos com este tema, os anos 90 foram marcados pela inclusão
do mesmo na pauta política do Estado. Um marco neste sentido
foi a criação, mediante lei estadual, dos Conselhos
Regionais de Desenvolvimento – COREDES. A partir daí várias
iniciativas foram adotadas, tanto no Legislativo quanto no Executivo,
para tratar da questão das desigualdades regionais. Portanto,
já é possível afirmar que há reconhecimento
com a gravidade do problema e até mesmo alguns ensaios de
políticas para reduzir as disparidades regionais no Estado.
Todavia, estamos cometendo equívocos semelhantes aos que
ocorreram com o mesmo problema em nível nacional e que redundaram
em reforço das desigualdades regionais.
O equívoco mais comum é desconhecer que o fenômeno
das desigualdades em nosso meio tem dimensão temporária
semi-secular e até mesmo secular em alguns casos, ou seja,
as regiões pobres são dotadas de estruturas econômicas
cristalizadas, por isso mesmo resistentes às mudanças
requeridas pelo desenvolvimento. A interpretação
corrente e as políticas formuladas têm, em geral,
caráter reducionista, dado que imaginam reverter o quadro
com medidas isoladas como mais crédito ao setor privado
(lembram do Reconversul) ou benefício fiscal para um ou
outro setor necessitado, ou ainda melhorando algum item de infra-estrutura.
Todas essas medidas tendem a ajudar a resolver um ou outro problema,
mas são absolutamente impotentes para promover as mudanças
necessárias que conduzam à geração
de emprego, renda e riqueza em patamares mais elevados.
Outro equívoco ou miopia recorrente, principalmente entre
os economistas, é a ignorância em relação
ao papel da educação, da saúde, da cultura
e da rede urbana na construção consistente do desenvolvimento
regional.
*
Economista da Fundação de Economia e Estatística do RS (FEE)
alonso@FEE.TCHE.BR