professor
de filosofia britânico Simon Blackburn confronta valores
e comportamentos da sociedade moderna para dissecar um conceito
universal em Verdade: um guia para os perplexos (Civilização
Brasileira, 336 p. Tradução de Marilene Tombini).
Autor do Dicionário Oxford de Filosofia, que virou best-seller em seu país, Blackburn polemiza tudo com o pretexto de explicar
Filosofia para os leigos em seus livros, palestras e nos programas
de discussão na Radio 4 do Reino Unido. Neste livro, a equação
que o autor se propõe e na qual vai envolvendo o leitor é a
seguinte: “Se existe um conjunto de dados que possa ser aplicado
universalmente, o que seria considerado ‘a verdade com v
maiúsculo’?”.
Foto:
divulgação
Simon
Blackburn
Para isso, coloca em xeque a existência de idéias
como moral absoluta, o bem e o mal, e se pergunta se será possível
manter a integridade em uma sociedade de crenças, hábitos
e religiões contraditórias. Com a desconfiança
mútua, a loucura e o desprezo colocados na ordem do dia
pelos meios de comunicação, constata Blackburn, a
sociedade estaria exposta à ironia e ao cinismo pós-modernos,
ao multiculturalismo e ao relativismo que acabariam levando todos “para
o inferno dentro de uma sacola de compras”.
O autor também desafia a compreensão de que todos
os pontos de vista poderiam ser respeitados, por mais absurdos
que possam parecer. “Talvez você tema que compreender
seu inimigo seja meio caminho andado para solidarizar-se com ele,
ou um quarto de caminho para unir-se a ele”, desafia ele
em um diálogo com o leitor que permeará a narrativa
de ironia e humor. Um guia essencial à compreensão
da verdade, dos inimigos da verdade e suas guerras, o livro transita
entre o relativismo e o absolutismo, a tolerância e a crença,
a objetividade e o conhecimento, as novas religiões, a ciência
e o mercado.
VERDADE: UM GUIA
PARA OS PERPLEXOS
(Truth: a guide for the perplexed)
Simon Blackburn - Tradução de Marilene Tombini
Editora Civilização Brasileira
336 páginas - Preço: R$ 44,90
O sexto volume da série História
da Filosofia – De Nietzsche à Escola
de Frankfurt (Paulus, 496 p.), de Giovanni Reale
e Dario Antiseri, apresenta-se como uma chave para
entender e acessar os conceitos estabelecidos pelos
principais filósofos ocidentais. Do mundo
das idéias de Platão ao transcendentalismo
de Kant, passando pelos jogos de linguagem de Wittgenstein,
a obra propõe (especialmente aos leitores
jovens) o entendimento e memorização
dos problemas e idéias filosóficas
ao analisar não só o que os autores
dizem, mas os modos e os jargões específicos
dos textos filosóficos.
A partir das aulas
do Mestrado em Educação
em Ciências e Matemática da PUCRS
e de um seminário, as 11 autoras de Um
currículo
de Matemática em movimento (Edipucrs, 95
p., organização de Ruth Portanova)
propõem uma revisão curricular dessa
disciplina para a Educação Básica
e séries finais da Educação
Infantil. A sugestão de con-teúdos
foi elaborada a partir do questionamento sobre
qual matemática as crianças precisam
para viver nesse século e que habilidades
e competências elas devem desenvolver.
A violência: natural ou sociocultural? (Paulus,
106 p.), de Márcia Regina da Costa e Carlos
Alberto Máximo Pimenta, mergulha em uma
análise social e antropológica para
explicar o fenômeno da violência, investigando
questões como a origem da agressividade,
a indiferença da sociedade em relação à violação
cotidiana de direitos e da integridade, a banalização
da violência.
Trabalho e loucura – Uma biografia dos afetos (Sulina/Ufrgs, 176 p.), de Selda Engelman. Resultado
de uma pesquisa realizada pela autora na 9a Unidade
de Triagem do Hospital Psiquiátrico São
Pedro, a obra investiga o modo de trabalho contemporâneo
para descobrir nesses trabalhadores uma organização
de empresa social, uma rede de sustentação,
apoio e reversão da precariedade das suas
condições econômica, social,
política e psíquica. Um mergulho
ao fundo do poço, ao ponto zero social e
psíquico – comum a outras minorias –,
para então propor saídas possíveis.
Os
ensaios e artigos de 34 autores reunidos em Narrativas
do Brasil – Cultura e Psicanálise (Associação Psicanalítica
de Porto Alegre, 296 p.) oferecem uma releitura
da multiplicidade, sincretismo e das desigualdades
nacionais.
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